Entre Sangue e Segredos

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MORENO ON

Meu sangue já não corria nas veias, ele fervia. Eu era um alvo. Uma isca. E agora, pior: minha família no meio desse jogo sujo.

Passei a mão na cabeça, respirando pesado. Precisava pensar. Precisava agir. Eles mexeram onde não deviam.

Olhei pro Marlon com aquele olhar que só dá duas opções: fala ou morre.

Moreno: Quem? Quem tem essa porra?

Ele abaixou a cabeça, suando frio.

Marlon: A Luana... sua tia. Ela sumiu depois que pegou o HD. Mas quem tá puxando esses cordões... — ele hesitou, os olhos vidrados no chão — ...é o Barão.

Minha boca secou. Meu maxilar travou.

Moreno: Barão?

Marlon: O dono da Maré.

Tudo fez sentido. Não era rixa de esquina, não era dívida de droga. Era jogo grande. Quem manda na Maré não é político. É o Barão. Ele que decide quem vive e quem morre. Quem sobe e quem desce. E se esse vídeo cai no mundo... ele perde tudo.

Não era só sobre mim. Era o império dele na linha.

Moreno: Eles mexeram com a minha mulher. Com meus filhos.

Dei um passo à frente, sentindo o veneno escorrer pela língua.

Moreno: Agora eles tão na minha lista. E o primeiro vai ser ele.

Marlon me encarou, pálido.

Marlon: Tu vai bater de frente com o Barão?

Sorri de canto, sem humor. Frio.

Moreno: Vou fazer ele lembrar que rei de morro também sangra. Vou fazer questão de tomar aquela porra toda dele.

Peguei o celular do bolso. As mãos tremiam, mas não de medo. Era ódio.

Liguei pra Lívia. Chamou. Chamou.

Nada.

Até que o celular vibrou no bolso.

"Tô com o Mateus. Estamos bem. Vamos atrás das crianças."

Respirei aliviado. Mas o alívio era só a pausa antes do tiro.

Moreno: Marlon.

Olhei pra ele como quem olha pra um soldado prestes a ir pro inferno.

Moreno: Arruma carro. Arma. Colete. Hoje ninguém dorme.

Agora era guerra. Quem quisesse meu sangue... ia ter que pagar com o triplo.

LÍVIA ON

silêncio do lugar só era cortado pelo som abafado do vento entrando por alguma janela quebrada. Andávamos devagar, pisando leve, mas a tensão era tanta que qualquer barulho parecia um tiro.

Eu ia na frente, Matheus logo atrás.

No canto, uma porta mal fechada chamou minha atenção. A pintura descascada, cheiro de mofo e... perfume infantil.

Me aproximei devagar, o coração disparado.

Lívia: — Matheus...

Ele se aproximou, atento.

Matheus: — Fala.

Lívia: — Tá sentindo esse cheiro?

Ele puxou o ar pelas narinas.

Matheus: perfume... cheiro de criança. Deve ter alguém aqui.

Assenti devagar. Meu peito travado. As mãos suadas.

Coloquei a mão devagar na maçaneta. Ela rangeu leve, me deixando ainda mais tensa.

Matheus: Devagar, Lívia... devagar...

Empurrei a porta devagar e o que vi me fez travar por um segundo.

Ali, no canto da sala, estavam eles.

Eloá, Enzo e Miguel.

Meus filhos.

Os três estavam sentados no chão, abraçados um no outro. O rosto da Eloá vermelho de tanto chorar. Miguel, com a chupeta na boca, no bebê conforto com os olhos estalados, parecia que ele sentia o ar do ambiente. Enzo, tentava fazer de forte, mas os olhos entregavam o medo.

O mundo desabou em cima de mim e, ao mesmo tempo, tudo fez sentido.

Lívia: Meus amores...

Corri até eles, ajoelhando no chão, puxando os dois pro meu peito.

Lívia: — Tá tudo bem agora. A mamãe tá aqui. A gente vai sair daqui.

Eloá: — Mãe... eles falaram que iam machucar a gente...

Ela diz enquanto chora.

Lívia: — Ninguém vai encostar mais em vocês. Ninguém.

Senti a mão de Matheus no meu ombro.

Matheus: Vamo logo. Se alguém ouvir, fodeu.

Assenti, pegando Miguel no colo. Matheus segurou a mão de Enzo, e a Eloá grudou na minha cintura.

Hora de sair dali.

Mas foi no momento em que virei para a porta.
O barulho metálico me fez travar. Não precisei olhar pra saber o que era.

Voz fria, conhecida:

Loira: Eu disse que era pra deixar ela viva, não inteira.

Girei o corpo devagar. Ela estava ali, de pé, a cabeça com um corte na lateral, sangrando devagar. Os olhos cheios de ódio. Na mão dela, um revólver apontado direto pra minha cabeça.

Matheus: Mas que filha da...

Loira: — Vocês vão me pagar. Principalmente você, Lívia.

Minha mente acelerava. Tinha que pensar rápido. Meus filhos ali, assustados. Qualquer movimento em falso... podia ser o fim.

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Dono do Morro.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora