Acordei com um som abafado. Não sabia se era sonho ou realidade, mas meu instinto não me deixava ignorar. Olhei o relógio: 04:27 da manhã. Levantei num pulo, indo direto pra sala das câmeras.
Moreno: Bn?
Nenhuma resposta.
A sala estava vazia.
O monitor mostrava todas as câmeras funcionando... menos uma. A da janela do quarto das crianças estava apagada.
Moreno: que porra.
Corri pelos cômodos, cada passo mais pesado que o anterior. Abri a porta do quarto das crianças. Lívia estava sentada na beirada da cama, os dois dormindo profundamente ao lado dela. Ela levantou o olhar.
Lívia: Que foi?
Moreno: A câmera da janela caiu. Você ouviu algo?
Lívia: Nada. Tá suave aqui.
Respirei fundo, tentando engolir a paranoia. Voltei à sala e encontrei Bn vindo do banheiro.
Bn: Foi mal, chefe, saí só por um segundo.
Moreno: A câmera do quarto das crianças caiu.
Bn: porra... Deve ter sido alguém tentando mexer do lado de fora. Já vou lá ver.
Peguei minha arma e fui com ele. A janela estava com marcas de dedos Nenhum vidro quebrado, mas a lente da câmera tinha um pequeno arranhão. Tinham mexido. Tinham estado ali.
Moreno: Não foi tentativa de entrada. Foi aviso.
Bn: eles podem chegar perto sem a gente ouvir.
Voltamos pra dentro. O sol ainda nem tinha dado sinal, mas o clima já estava pesado. Encontrei Marlon na cozinha, fumando um cigarro velho com cara de quem não dormiu.
Marlon: Eles sabem que você tá comigo.
Moreno: Eu já peguei a visão. A pergunta é: o que você não me contou ainda?
Ele ficou em silêncio por um tempo. Então apagou o cigarro e olhou diretamente pra mim.
Marlon: Tem alguém do nosso lado passando informação. Desde o começo. E eu acho que é alguém do seu morro.
Moreno: Quem?
Marlon: Ainda não sei. Mas... a loira sabe.
Moreno: Amanhã vamos atrás dela.
Marlon: Amanhã não. Hoje. A gente vai agora.
Olhei pra trás, vendo Lívia parada no corredor, escutando tudo. Ela só balançou a cabeça, em aprovação.
Lívia: Vai. Eu cuido daqui.
Fiz um sinal de cabeça e saí com Marlon. Bn ficou com ela.
A rua ainda estava vazia, como se a cidade tivesse prendido o ar.
Chegamos na rua da loira e batemos na porta, ninguém atendeu, tinha uma pequena luz lá dentro, dava pra ver pela frecha da janela que estava sem cortina. Meu pai entrou primeiro depois eu entrei, estava vazio, sem sinal dela mas tinha suas roupas no guarda-roupa, tinha um envelope no meio da bagunça da cama, peguei e abri, lá tinha um papel branco com meu nome, nome da Livia e o nome do Matheus.
Moreno: Ela tava te marcando também. E usando você pra chegar em mim.
Marlon: Isso... isso muda tudo.
Moreno: Não muda. Só confirma.
Nesse momento, o notebook apita que estava na sua penteadeira apita. Uma nova mensagem aparece na tela.
Mensagem:
"Gostaram do presente? Tá só começando. O próximo não será só pra avisar. Será definitivo. Tem uma pessoa que gostaria muito de ter ela só para ele."
A tensão congelou o ar entre nós. Marlon fechou o notebook com força e olhou pra mim.
Moreno: porra... é a Lívia crlh!
Marlon: não... pensa fora da caixa. Dentro da caixa é muito apertado, olha por fora dela, olha em volta, pode ser até a Lívia que ele quer mas não é só ela, a loira está com ele por vingança, a pergunta é: ele aceitou ela por que?
Moreno: ele quer chegar até você, pra chegar precisa de alguém próximo, mas não próximo de mim, mas de nós dois. Eu já estou aqui... prr, o Matheus, cadê ele?!?!
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Foi isso bebês, espero que tenham gostado, bjs.
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Dono do Morro.
Fanfictionapós um desentendimento com sua mãe, Lívia resolve sair de casa e a mãe apoia ela dizendo que é o melhor a se fazer mesmo, então Lívia sai de sua casa e vai morar em um morro, mal sabe ela que lá irá mudar sua vida completamente.
