Viva, mas não intacta

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A arma continuava firme na mão dela. O sangue escorria pela lateral do rosto, mas ela parecia nem sentir. Só me olhava com aquele ódio acumulado... como se tudo que deu errado na vida dela tivesse meu nome.

Loira: Eu disse pra deixarem você viva. Não inteira

ela falou, fria.

Engoli seco. Meu coração batia tão alto que eu conseguia ouvir. Senti Matheus se mover atrás de mim, mas estiquei o braço e parei ele no reflexo.

Lívia: Tem criança aqui. Eles não têm culpa de nada.

Minha voz saiu firme, mas o medo beliscava por dentro.

Ela deu uma risada curta, seca, debochada.

Loira: Tudo tem a ver com você, Lívia. Você mexeu onde não devia.

Eu vi Eloá tremer. Enzo, tentando segurar o choro. Miguel estava no meu colo, quieto... mas eu sentia o corpinho dele tenso, como se o medo tivesse se espalhado pelo ar e grudado na pele da gente.

Matheus: A gente vai embora. Você não precisa fazer isso.

Matheus falou, devagar, tentando manter a calma.

Ela ergueu o rosto, os olhos ardendo.

Loira: Fazer isso? Depois do que você e o Moreno arrumaram? Você acha que isso aqui ainda tem volta?

De repente, passos ecoaram dentro da casa. Rápidos, firmes. Ela virou o rosto por instinto, e eu também olhei.

Era o Marlon.

Surgiu pela lateral, suado, mas com aquele olhar que eu já tinha visto antes: quando ele escolhe um lado, ele não volta atrás.

Marlon: Abaixa essa arma, Loira — ele disse, direto.

A loira congelou. Pela primeira vez, vi a mão dela tremer.

Marlon: Isso já foi longe demais. Tem criança aqui. Gente inocente. Você vai mesmo carregar isso nas costas?

Ela ficou em silêncio, o revólver ainda apontado, mas o braço já começava a ceder. Nossos olhos se cruzaram. Eu vi raiva, mas também vi... dúvida. E eu agarrei essa brecha como quem agarra o último fôlego antes de afundar.

Lívia: vamos.

Meus pés se moveram sozinhos. Segurei Miguel com mais força, puxei Eloá, vi Matheus agarrando Enzo pela mão. Saímos dali feito um raio, corredor adentro. O ar parecia mais leve, mas o medo ainda colado na pele.

Atrás da gente, ouvi um barulho metálico. Algo caiu. Não parei pra ver. Só corri.

Marlon ficou. Ficou com ela. Entre ela e a gente. Entre o passado e o que vinha depois.

Quando atravessei a porta dos fundos e senti o vento no rosto, foi como voltar a respirar. Meus filhos estavam comigo. Estavam vivos.

Mas eu sabia que aquilo não era o fim.

Era só o começo.

Agora era com ele.

Moreno.

O Barão que esperasse. Porque o que era dele... tava vindo.

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Foi isso gente, ficou pequeno mas é que estou sem tempo!! Mas vou postar com mais frequência

Dono do Morro.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora