Capitulo 63

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Corri até a porta, com o nome do Matheus martelando na cabeça como um alarme de incêndio.

Moreno: Cadê o Matheus, porra?!

Marlon veio atrás, já sacando o celular e ligando pra Bn.

Chamando... nada.

Ligou de novo. Nada. A ligação caiu direto na caixa postal.

Moreno: Liga pra Lívia, agora.

Chamando... uma vez, duas, três... nada.

Moreno: não esta atendendo...

Sem perder tempo, saímos direto pra rua. Eu já ia com o peito estourando de ansiedade.

Marlon: A casa... você trancou a porra da casa quando saiu?

Moreno: Não lembro. Tava com a cabeça fervendo. A janela do quarto das crianças tava vulnerável.

Marlon: Então eles sabiam. Não era aviso. Era distração.

Quando viramos a última esquina, vimos o portão da casa entreaberto.

Moreno: Merda...

Saltei do carro antes mesmo dele parar totalmente. Corri com a arma em mãos, quase arrebentando a porta da frente.

O som do silêncio era ensurdecedor. Não tinha gritos, não tinha passos, não tinha nada.

Subi os degraus em dois pulos. O quarto das crianças estava vazio. A cama, ainda bagunçada, mas sem sinal deles.

Moreno: LÍVIA?!

Corri pra sala, depois pro corredor. A porta do banheiro estava escancarada, com o espelho quebrado e uma única palavra riscada com batom vermelho:

"TARDE."

Marlon entrou logo depois, com o olhar turvo de desespero. Ele segurou o celular e finalmente uma notificação apareceu: uma nova mensagem.

📩 Mensagem anônima:
"Ele não gosta de dividir. Agora é só entre nós. Quer vê-los de novo? Traga o que é dele."

Moreno: O que é dele?!

Marlon fechou os olhos, apertando o punho.

Marlon: A porra do HD. Ele quer as gravações.

Moreno: Aquelas imagens que você pegou do presídio?

Marlon: Sim. Mostram mais do que deveria. Ele não pode queimar sozinho. Tem nome de gente grande ali.

Moreno: Você devia ter me contado, porra!

Marlon: Se eu contasse, você teria hesitado. Agora não tem mais espaço pra hesitação. Eles têm seus filhos.

Moreno: Eles têm a Lívia.

Marlon: A gente tem o HD. Eles têm reféns. Isso é guerra.

Moreno: Então vamos pra guerra.

Livia on!!

Local desconhecido. Frio. Silencioso.

Eu acordo com os pulsos amarrados atrás de uma cadeira de ferro. O chão é de concreto rachado, a iluminação vem de uma lâmpada pendurada por fios improvisados. Minha cabeça cabeça lateja, mas a consciência volta aos poucos. Eu olho em volta, respira fundo.

No canto, Matheus. Ele está amarrado também, em outra cadeira, de olhos abertos e quieto. Não parece assustado. Parece com raiva. Os dois foram pegos juntos. Fomos escolhidos.

Lívia: Tá inteiro?

Pergunto ofegante.

Matheus: Fisicamente. O resto, a gente vê depois.

Eu tento soltar os pulsos discretamente, olhando o ambiente. Nenhuma janela. Uma porta de metal trancada com corrente grossa. Um som de rádio velho ecoa de outro cômodo.

Lívia: Isso aqui não é sequestro. Isso é provocação.

Matheus: Isso é guerra. E tão usando a gente de munição.

De repente, a porta de metal se abre com um barulho seco. A loira entra. Salto alto, olhar calculado. Acompanhada de um homem alto, de rosto coberto por um capuz e luvas pretas. Ele anda com precisão. Quem comanda não precisa gritar. Ele é esse tipo.

Loira: Que bom que acordaram. Agora vai começar a parte divertida.

Eu cerro os olhos, o olhar afiado como faca.

Lívia: Vai direto ao ponto. Qual é o recado dessa vez? E cadê meus filhos?

Loira: seus filhos estão bem, o pequenininho é uma gracinha, não chora e tem um sono bom viu.

Ela diz me encarando com um sorriso de superioridade.

Lívia: olha, tudo bem me ameaçar e os caralho, mas meus filhos? Que não sabem se defender? São ingênuos e inocentes. Você tem problema? Por isso que loiras são burras. Você é mãe, deveria saber o que acontece quando se mexe com os filhos de uma mãe.

A loira me encara desfazendo o sorriso mas não diz nada.

O homem encapuzado se aproxima de Matheus. Para diante dele. Não o toca, mas a presença é agressiva.

Xx: O morro criou monstros e fingiu que eram heróis. Agora os monstros voltaram.

Matheus: Você não é monstro. Você é covarde. Veio por trás, pegou gente sem defesa.

O homem se inclina e fala baixo, mas audível.

Xx: Quem defende alguém como o Moreno... tá tão sujo quanto ele.

Lívia: Ele nunca foi santo. Mas ele nunca foi traidor. Você não pode dizer o mesmo.

Digo com rigidez assim que teçam na palavra "moreno"

A loira ri com desdém.

Loira: Ainda protege ele? Fofa. Acha mesmo que ele viria aqui por você?

Lívia: Eu não sou o prêmio. Eu sou a ameaça. Tão com medo.

A loira se aproxima, encarando de perto.

Loira: Não. A gente prendeu você porque ele ama você. E amor... é fraqueza.

Matheus: Vocês tão com medo. Isso me diz tudo que eu precisava saber.

O encapuzado se vira e sai. A loira ainda observa Lívia por um instante antes de ir atrás. A porta fecha com força. Trancada de novo.

Lívia fecha os olhos, respira fundo. Depois, encara Matheus.

Lívia: Eles estão nervosos. Isso é bom. Significa que a gente ainda tem valor. Ainda somos ameaça.

Matheus: Só falta o resgate agora.

Lívia: O Moreno vem. Mas a gente não espera sentados. Vamos achar uma saída. Nem que seja na unha. Eu vou achar os meus filhos e quando eu achar... essa loira que se prepare, ela tá fudida na minha mão.

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Foi isso gente, eu espero que tenham gostado!

Eu vou começar a colocar nome nos capítulos pra ficar mais organizado, bjs!

Dono do Morro.Onde histórias criam vida. Descubra agora