O preço da proteção

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No outro dia

07:12

Lívia

Eu acordo com um pequeno resmungo do bebê, me sento na cama e pego ele no colo. Ele estava com fome e isso era óbvio. Ele começa a resmungar ja querendo chorar. Nisso o moreo acordou.

Moreno: quantas horas?

Ele se senta na cama me olhando.

Lívia: não sei, mas é cedo... Ele está com fome...

Moreno: hum... dá seu leite pra ele.

Lívia: acha mesmo uma boa ideia?

Moreno: ele não tem quem faça isso a não ser você.

Lívia: por sua causa.

Moreno: mas eu não sabia.

Lívia: mas sabia que ela tinha o Gabriel.

Depois disso o silêncio possuiu o quarto. Me ajeitei e comecei a amamentar o menor em meus braços torcendo pra ele pegar, e graças a Deus ele pegou, se não seria uma luta pra alimentar essa criança. Alguns minutos depois escuto o Miguel chorar, o Moreno levanta, pega ele e volta pro quarto.

Lívia: pega ele e me da o Miguel.

fizemos a troca e comecei a amamentar meu filho, enquanto acariciava seu rosto com carinho, pensava como seria se fosse eu no lugar da loira. Ela não era uma boa pessoa, mas ninguém sabia como ela era como mãe.

Moreno: você acha que esse bebê é realmente dela?

Lívia: não sei... mas quando peguei ele, tive a sensação de que sim. Ele é a cara dela, Moreno... os olhos, o jeito de olhar... parecia que me encarava com medo, como se já tivesse visto coisa demais, mesmo tão pequeno.

Será que ele carrega o sangue dela? Será que um dia ela vai ser igual a ela mesmo sem ter a conhecido direto? Ou é só uma criança inocente que não teve a mesma sorte que outras?

Olhei para o moreno mas não consegui dizer nada. A pura verdade é que o medo maior não era dele... era meu.

Moreno: a gente precisa descobrir a verdade. Se for filho dela, o que claramente é, alguém vai vir atrás dele.

Olho para ele um pouco assustada, olho para o bebê nos braços do Moreno transmitindo segurança. Eu confio que o moreno não vai deixar nada acontecer com ele.

Moreno ficou em silêncio por alguns segundos, o olhar fixo em algum ponto distante, como se tentasse montar um quebra-cabeça invisível. Eu sabia que ele estava pensando, ele sempre pensa antes de agir, diferente de mim.

Lívia: E se já estiverem vindo?

A pergunta escapou antes que eu pudesse controlar. O ar pareceu ficar mais pesado, e o silêncio que veio depois foi pior do que qualquer resposta.

Moreno desviou o olhar pra mim, sério.

Moreno: Então a gente vai ter que correr antes que eles encontrem a gente.

O bebê se mexeu, soltando um som baixo, quase um gemido. Olhei pra ele e senti aquele aperto no peito de novo. Havia algo diferente ali... algo que eu não sabia explicar, mas que me prendia. Era como se ele soubesse o que estava por vir e, de algum jeito, já tivesse medo também.

Lívia: Ele sente...

Moreno: O quê?

Lívia: Que não está seguro.

Moreno passou a mão de leve pela testa, respirando fundo.
Moreno: Então a gente precisa garantir que ele fique.

Fiquei olhando pros olhos dele. Pela primeira vez, percebi o quanto o medo dele e o meu eram o mesmo. E no meio de todo aquele caos, de todas as perguntas sem resposta, a única certeza que eu tinha era essa:
A gente não ia deixar aquele bebê sozinho.
Não mais.

19:30

A noite chegou do nada. Tava tudo quieto, só dava pra ouvir a chuva batendo lá fora. O bebê tava dormindo, mas se mexia o tempo todo, tipo tendo pesadelo. Eu fiquei olhando pra ele, meio sem saber o que fazer.

O Moreno tava encostado na parede, olhando pela janela, todo pensativo como sempre. Ele é o tipo de pessoa que fica em silêncio, mas você sabe que a cabeça dele tá gritando por dentro.

Lívia: Você acha que eles já sabem onde a gente tá?
Moreno: Se ainda não sabem, logo vão saber. Eles sempre descobrem.

Não sei por que, mas o jeito que ele falou me deu um frio na barriga. Parecia que ele já tinha passado por coisa parecida antes.

Fiquei quieta. Me aproximei do bebê e ajeitei o pano em cima dele. Ele respirava rápido, e eu senti um aperto estranho no peito. Um medo misturado com vontade de proteger, sabe?

Moreno: Você sabe que ele muda tudo, né?
Lívia: Como assim?
Moreno: Nada vai ser igual depois disso.

Na hora eu só encarei ele. Não respondi, mas entendi o que ele quis dizer. Esse bebê não era só um bebê, tinha alguma coisa por trás, algo que nem ele sabia explicar direito.

Do nada um trovão estourou e o bebê se assustou. Peguei ele no colo rápido e Moreno veio perto, colocando a mão por cima da minha.

Moreno: Amanhã a gente vai embora. Antes do sol nascer.

Eu só balancei a cabeça, meio perdida. Não sei pra onde a gente vai, nem o que vai acontecer. Só sei que agora, não tem mais volta.

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Desculpa a demora gente, mas é que não estou tendo tempo e até criatividade pra escrever mas estou dando o meu máximo! Esse foi o ep, espero que tenham gostado, bjs!

Dono do Morro.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora