Desculpas | 024

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O sol de sábado invadiu meu quarto, causando irritação em meus olhos recém abertos.

— Vai pro trabalho comigo hoje? — indagou Alice enquanto calçava seu sapato no sofá da sala.

— Pode ser. Não tenho nada pra fazer mesmo — falei ao bocejar, tampando a boca com a mão.

Segui para a cozinha, na intenção de achar algo para preencher minha barriga que roncava frequentemente desde que acordei.

Enrolei por minutos na cama antes de realmente me levantar. Repensei toda minha vida até aqui, lembrando de cada detalhe. De como mudei e me descobri de várias formas.

— Então toma café da manhã logo, não quero me atrasar — gritou.

Gosto de ir para o trabalho de Alice pois posso ver diversos filmes de graça, sem precisar alugar.

Steve sempre me indica filmes ótimos, que sempre acabo gostando no final. Ele pode ter azar no amor, mas tem um ótimo gosto para filmes.

Hesitei quando enxerguei meu pai sentado na cadeira da cozinha. Ele bebericava seu café enquanto lia um grande papel de jornal.

— Por que ainda está aqui? — indaguei com a expressão séria.

— Bom dia, filha — cumprimentou, me olhando por cima do jornal. — Desculpe. Só pensei que...

— Você está planejando voltar? — perguntei.

— Não... — negou rapidamente. — Quero dizer, claro que quero, mas as coisas não melhoraram no trabalho. Cada dia mais puxado e, o lugar continua longe.

Não o respondi, apenas ergui as sobrancelhas rapidamente.

Refiz meus passos até a sala, enxergando Alice novamente que agora estava em pé, vestindo sua jaqueta.

— Podemos tomar café da manhã lá? — questionei.

— Não tem nada de comer lá.

— Eu posso comprar fora, não sei. Só não quero ter que fingir que está tudo bem enquanto tomo café com ele — sussurrei a última frase.

— Tudo bem — concordou. — Agora vai se arrumar logo.

— Obrigada — agradeci antes de me retirar, indo direto para o banheiro.

[...]

O corpo de uma aluna do colégio Hawkins foi encontrado hoje, nessa manhã. Ainda não podemos dar detalhes ou revelar a identidade. — A voz da jornalista atravessou o alto falante da televisão.

Engoli seco, temendo de quem era a identidade.

— Você tá afim de assistir romance ou terror hoje? — indagou Steve, passando os dedos pela superfície das prateleiras, tentando quebrar o clima pesado.

— Terror, claro — respondi como se fosse óbvio.

Antes que o garoto puxasse o filme da estante, o barulho do sino na porta chamou minha atenção, revelando Dustin e Max adentrando o lugar.

Não escutei sobre o que conversavam com Alice e Robin, mas logo eu e Steve nos aproximamos, curiosos.

— Quantos telefones tem aqui? — Escutei Dustin indagar quando nos juntamos.

— Dois, por quê? — respondeu Steve.

— Três, se contar o Keith lá atrás. — Robin adicionou.

𝙁𝙄𝙍𝙎𝙏 𝙏𝙍𝙐𝙀 𝙇𝙊𝙑𝙀, 𝐌𝐚𝐱 𝐌𝐚𝐲𝐟𝐢𝐞𝐥𝐝.Onde histórias criam vida. Descubra agora