Minha Querida

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Oiie, espero do fundo do coração que esteja bem. Pegue um chá, café ou água, vá em um lugar calmo e sossegado e aproveite a leitura 💖





O "não" saiu da minha garganta antes mesmo que eu pudesse pensar. Não foi um comando. Foi um reflexo. Um grito instintivo, de medo, de defesa, de afeto.

A estaca negra flutuava no ar, suspensa pela força de sua ira contida. Seus olhos estavam ásperos, abertos como espadas, e Aoi, ali à frente dele, parecia ainda menor do que era. A maçã caiu da mão dela com um som abafado na terra.

Me coloquei na frente. Não pensei. Só fui.

S/N: Não! Não faça isso, por favor!

Ele hesitou. Por uma fração de segundo. Mas seus olhos continuavam no alvo, não em mim, não no plano, mas no erro. No que significava alguém ter rompido a barreira.

O ar parecia mais denso, como se o mundo inteiro prendesse a respiração. Aoi não se mexia. Eu tampouco. E tudo o que havia entre nós era um momento tão fino quanto uma linha de sangue prestes a ser derramada.

Pain: S/N, afaste-se. Agora.

S/N: Não!- Empurrei Aoi para atrás de mim.- Ela não é uma ameaça!

Pain: Não?- Perguntou enfurecido.- Ela invadiu a casa. Ela chegou perto de você sem autorização. Isso é motivo suficiente pra eu-

S/N: Ela é só uma menina, será que você não vê?!

Ele me encarou. De um jeito que me fez tremer.

Pain: Eu não ligo.- disse.- Crianças são usadas. Manipuladas. Transformadas em bombas ambulantes. Eu vi isso acontecer com os meus próprios olhos, S/N. Eu matei crianças antes. E se for necessário, farei de novo.

S/N: Então vai ter que me matar também.

As palavras saíram antes que eu pensasse.

Pain parou.

Pain: O que disse?

S/N: Se matar ela... vai me perder.

O silêncio depois disso foi ensurdecedor.

Aoi chorava atrás de mim. Mantinha o peito erguido, mesmo que o medo estivesse me tremendo por dentro. E ele...

Ele me olhava como se estivesse diante de algo que jamais imaginou precisar enfrentar, a chance real de me perder.

Pain: E você por acaso conhece ela?- Ele perguntou. A voz menos cortante. Quase humana.

S/N: Eu conheci ela hoje de manhã.- Suspirei.- Na vila quando fui com Hidan. Ela estava desidratada, com fome. Eu só quis ajudar ela, dei comida e água, ela deve ter me seguido até aqui.

Por um instante, ele não disse nada. E nesse silêncio, senti que tudo poderia se desmoronar. O jardim, o plano, nós duas.

Pain: Você trouxe essa criança até aqui, mesmo sabendo das consequências?

S/N: Não, eu não trouxe. Ela nos seguiu. Eu só... só dei comida, eu achei que era só uma menina sem ninguém.

Pain: Sem ninguém?

S/N: Com fome. Com medo. Como eu fui um dia.

As palavras saíram de mim como uma memória dolorosa. A dor de uma vida inteira pulsou nelas. O olhar dele vacilou, acho que ele não esperava isso. Não dessa forma.

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