ciúmes...

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A semana antes da viagem passou como um sopro. Ysabella estava envolvida com mala, roupas, agência, reuniões e contatos com a equipe italiana. Mesmo com toda a correria, Gabriel se fazia presente - seja com uma visita inesperada com açaí na mão, uma ligação antes de dormir ou um bilhetinho escondido na mochila dela com frases bobas como "Se essa calça sumir, fui eu que roubei".

Eles estavam vivendo uma paixão que já parecia amor. Natural. Intensa. Leve. Verdadeira.

Faltando dois dias pra viagem, Ysabella fez questão de se despedir das amigas. Um jantar descontraído num restaurante no Leblon. Risadas, abraços apertados, promessas de chamadas de vídeo e muitos elogios sobre "esse Gabriel que te deixa sorrindo de canto de boca".

No dia seguinte, pela manhã, ela encontrou Matheuzinho no clube, antes do treino dele começar. Tinha decidido ser honesta, encerrar o passado com leveza.

- Tá viajando mesmo? - ele perguntou, cruzando os braços e encostando numa parede discreta, onde ninguém os veria.

- Amanhã. Milão. Um mês - ela disse, com um sorriso sereno.

- Queria te desejar sorte. Sério. Você é muito talentosa. E... merecia alguém que cuidasse disso tudo em você.

- E eu encontrei - ela disse, olhando com delicadeza.

Matheuzinho assentiu, engolindo a vaidade e a pontinha de ciúme.

- É o Gabi, né?

Ela apenas confirmou com a cabeça.

- Ele é um cara massa - Matheus disse. - Te desejo tudo de bom.

Eles se abraçaram num gesto de paz e despedida. E com isso, Ysabella encerrou o último elo do passado.

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A Véspera

Na casa de Gabriel, o clima era diferente. Ela havia passado o dia inteiro com a mala, checklist, separando looks e documentos. Gabriel fingia normalidade, mas tinha algo no olhar... um certo nervosismo contido.

- Tá quieto, Gabi - ela disse, ajeitando a nécessaire.

- Só concentrado. Operação especial em andamento.

- Que operação? - ela riu, desconfiada.

- Vai se arrumar. Tô te esperando lá fora. Hoje você não mexe em mala. É minha.

- Mas Gabi...

- Vai, Ysabella. Confia em mim.

Ela o olhou por alguns segundos, depois foi. Vestiu um vestido leve, branco, com o cabelo solto e batom rosado. Quando saiu, encontrou a área gourmet da casa com velas acesas, luzes penduradas no teto de madeira e uma mesa posta com taças, vinho branco e um arranjo de flores do campo.

- Gabriel...

- Senta. Jantar de despedida. Mas antes de qualquer lágrima, só quero que você sorria.

Ela sentou emocionada. Jantaram devagar, entre olhares e mãos entrelaçadas por baixo da mesa. Ele fez piada de quase tudo, tirando sorrisos dela a cada minuto.

Quando terminou a sobremesa - morangos com creme -, ele se levantou, pegou uma pequena caixa preta sobre a bancada e voltou pra mesa. Era uma sacola fina da Prada.

- Achei que seria útil em Milão - ele disse, colocando à frente dela.

- Gabi... não precisava.

- Eu sei. Mas eu queria.

Ela abriu com cuidado. Era uma bolsa preta clássica, elegante, com detalhes dourados. Mas o que mais chamou atenção foi um envelope delicadamente encaixado dentro dela.

DEIXA ACONTECER (gabigol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora