ACABOU!

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DEPOIS DO JANTAR
O SILÊNCIO QUE GRITA

A porta do apartamento se fechou atrás delas com um clique seco.
Silêncio.
Aquele silêncio que não é paz — é peso.

Ana largou a bolsa no aparador e tirou o salto com um suspiro.

— Caralho… eu tô cansada.

Ysabella entrou devagar, jogou a clutch no sofá e ficou parada no meio da sala, olhando pro nada.

— Eu também… mas não é do corpo.

Ana percebeu na hora.

— Tu tá mexida.

— Muito.

Ana foi até a cozinha, pegou duas garrafas de água e entregou uma pra ela.

— Senta.

Ysabella sentou no sofá, abraçando a garrafa com as duas mãos.

— Ana…
ela começou, mas travou.

— Fala.

— Eu tô com um pressentimento ruim. Daqueles que apertam o peito.

Ana encostou no braço do sofá, olhando direto pra ela.

— Sobre ele.

— Sobre nós
Ysabella corrigiu.
— Sobre o que isso virou.

Ana respirou fundo.

— O que exatamente tu tá sentindo?

Ysabella pensou por alguns segundos.

— Que a gente entrou numa fase diferente… e que ele não tá preparado.

Ela engoliu seco.
— E eu não sei se amor resolve quando o problema é insegurança.

Ana assentiu devagar.

— Isso é uma reflexão madura pra caralho.

— Mas dói

Ysabella completou, com a voz baixa.

— Porque eu amo ele. Eu amo de verdade. Só que hoje… hoje eu me senti sozinha mesmo tendo namorado.

Ana sentou ao lado dela.

— Tu esperava uma mensagem.

— Esperei a noite inteira.

Ela riu fraco.
— Toda vibração do celular eu achava que era ele. E nunca era.

— E isso te fez sentir o quê?

— Pequena.
Ela respondeu na lata.

— Como se minha conquista fosse um problema.

Ana fechou o rosto.

— Isso não é aceitável.

— Eu sei racionalmente. Mas emocionalmente…

Ysabella passou a mão no rosto.

— Eu fico lembrando dele falando “eu não quero que tu vá". Aquilo ecoa.

— Porque não foi um pedido
Ana disse.


— Foi uma tentativa de controle disfarçada de medo.

Ysabella ficou em silêncio.

— Tu acha que ele vai mudar?
ela perguntou, quase num sussurro.

Ana demorou pra responder.

— Eu acho que ele pode mudar. Mas só se quiser. E só se sentir que pode te perder.

DEIXA ACONTECER (gabigol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora