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Três meses haviam passado desde o almoço com a família de Gabriel.
E muita coisa tinha mudado — pra melhor e pra pior.
Gabriel e Ysabella estavam cada vez mais grudados, e ele não deixava ela ir pra casa dela mais. E eles numa sintonia que qualquer pessoa via de longe.
Mas já a irmã dele…
Dhiovanna continuava distante. Fria. Observando tudo de longe com aquele olhar meio desconfiado, meio incomodado.
E aquilo começava a pesar.
A gota d’água
Numa noite de quarta, Gabriel tinha convidado os pais e a irmã pra um jantar na casa dele.
Rose caprichou no menu, e Ysabella estava animada — ela sempre tentava.
Quando dhiovanna chegou, entrou sem olhar pra ela.
Gabriel percebeu na hora.

— dhiovanna, boa noite né? — disse ele, seco.

— Boa. — respondeu ela, beijando o irmão e nem virando pra Ysa.
Ysabella respirou fundo, sorriu mesmo assim.

— Oi, dhiovanna.

— Tudo bem. — respondeu a irmã, encarando o celular.
A tensão deu pra cortar com faca.
Depois do jantar, enquanto todos conversavam na sala, dhiovanna estava claramente incomodada.
Até que soltou:

— E aí, Gabi… Quando que você vai aparecer com outra pessoa pra apresentar pra gente, hein? Já tô até com saudade.

A mãe olhou feio. O pai pigarreou.
E Ysabella congelou.
Gabriel virou devagar, olhando pra irmã com aquela calma perigosa.

— Qual é o seu problema comigo? — ele perguntou, sem levantar a voz.

— Eu não tenho problema nenhum.

— Tem sim. Você trata a minha namorada como se ela tivesse feito alguma coisa pra você.
Dhiovanna finalmente levantou a cabeça.
Havia uma mistura de ressentimento e insegurança ali.

— Eu só… — ela hesitou. — Eu não confio nela ainda.

— Por quê? — Ysabella perguntou, firme e educada. — Eu fiz algo pra você?
Dhiovanna engoliu seco.

— Não é isso. É que… você apareceu rápido demais. E meu irmão sempre se ferra quando se entrega assim. Eu só não quero ver ele quebrado de novo.

— dhiovanna … — Gabriel suspirou, passando a mão no rosto. — Eu não sou mais moleque. Eu sei com quem eu tô, e a Ysa tá comigo de verdade.
Dhiovanna desviou o olhar.
E murmurou:

— Eu só preciso de tempo.
Ysabella respirou fundo e respondeu com calma:

— Eu também. A gente pode ir devagar. Eu só quero fazer parte da vida dele sem quebrar a sua também.
Foi a primeira vez que dhiovanna realmente olhou pra ela — não como ameaça, mas como pessoa.
Mas ainda assim, não respondeu.
A tensão só foi quebrada quando Dona lindalva chamou todos pra sobremesa.
Depois que a família foi embora
A noite terminou, a casa ficou em silêncio, e Gabriel percebeu que Ysa estava quieta demais.

— Fala comigo, — ele pediu, puxando-a pela cintura.
— Eu só não quero que sua família tenha problema por minha causa.

— Não vai ter. A dhiovanna é cabeça dura, mas um dia ela cai na real.
— E se não cair? — ela perguntou, sincera.

— Eu fico com você do mesmo jeito.

— ele respondeu, sem hesitar. — Com ou sem aprovação da minha irmã. Você não tá aqui pra substituir ninguém. Tá aqui porque eu te escolhi.
Ela fechou os olhos, encostando a testa no peito dele.

— Obrigado, Gabi.

— Não tem que agradecer nada. A gente tá junto nessa.
E ele beijou a cabeça dela, firme, seguro, daquele jeito que dizia tudo sem precisar de mais falas.

DEIXA ACONTECER (gabigol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora