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ENTRE LINHAS E SILÊNCIOS

Segunda-feira chegou com cara de rotina.

Treino cedo.
Foco automático.
Mas a cabeça… longe.

Gabigol terminou a atividade, passou pelo estacionamento, entrou no carro com Fabinho e ficou em silêncio por uns bons minutos.

Fabinho foi o primeiro a quebrar.

— Você vai mesmo mandar só a camisa?

Gabigol olhou pela janela.

— Não.

— Eu sabia.

— Vou mandar tudo.

Fabinho virou o rosto, atento.

— Tudo o quê?

— Kit inteiro da minha marca.
— Boné, moletom, camiseta, copo, almofada.
— Tudo.

Fabinho arqueou a sobrancelha.

— Gabriel…

— E mais duas camisas.
— Uma pra Ysa. E Outra pra mãe dela.

Fabinho respirou fundo.

— Isso já não é mais “gentileza”.

— Eu sei.

— E a Rafaella?

Gabigol foi direto, sem rodeio:

— Ela não pode saber.

Silêncio dentro do carro.

Fabinho encostou no volante.

— Você tem noção da confusão que tá criando?

— Tenho.
Ele finalmente virou.
— Mas também sei o que eu tô sentindo.

Fabinho o encarou por alguns segundos.

— Eu ajudo. Mas você sabe que tá brincando com fogo.

— Eu já tô queimado faz tempo.



A OPERAÇÃO

Nada foi feito em casa.
Nada passou por assessoria.
Nada deixou rastro óbvio.

Fabinho cuidou de tudo.

Separou os kits.
Escolheu os tamanhos certos.
Conferiu cada detalhe.

Gabigol fez questão de assinar as camisas pessoalmente.

Quando terminou, ficou olhando a que era dela.

Passou os dedos pelo número.
Respirou fundo.

— Você vai mandar algum bilhete?  Fabinho perguntou.

Ele pensou. Pensou mesmo.

— Não.

— Por quê?

— Porque qualquer palavra minha agora pesa demais.

Fabinho assentiu.

— Então deixa os gestos falarem.


ENVIO FEITO

O pacote saiu discreto.
Sem nome de remetente escancarado.
Sem postagem.
Sem story.

Só chegou.





2 dias depois

DO OUTRO LADO

Ysabella chegou em casa no fim da tarde e deu de cara com a caixa grande encostada na parede.

DEIXA ACONTECER (gabigol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora