Hollywood combinou contigo

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SÃO PAULO


CHEGADA EM CASA

A porta da casa dos pais se abriu antes mesmo dela tocar a campainha.

- Minha filha... - a mãe puxou Ysabella pra um abraço apertado demais pra ser só saudade.

Ela largou a mala no chão.

- Eu tava com tanta vontade de chegar aqui...

O pai apareceu logo atrás, sorriso contido, mas olhar atento.

- Chegou bem?

- Cheguei.

Sentaram na mesa da cozinha.
Café passado na hora.
Aquele clima de casa que desarma qualquer defesa.

A mãe foi direta:

- Eu vi as notícias.

Ysabella respirou fundo.

- Eu imaginei.

- Você tá bem? - o pai perguntou, sério.

Ela demorou dois segundos antes de responder.

- Tô... melhor do que eu achei que estaria.

A mãe segurou a mão dela.

- Foi você que terminou?

- Foi.

- Então doeu - o pai concluiu.

Ela sorriu de lado.

- Doeu. Mas era necessário.

A mãe assentiu.

- A gente percebe quando a filha tá se diminuindo pra caber em alguém. E você nunca foi de caber. Sempre foi de expandir.

Ysabella sentiu os olhos marejarem.

- Eu amei ele... mas comecei a me perder em tanta desconfiança.

O pai foi firme:

- Amor que te confunde não é amor que fica.

Silêncio confortável.

- E agora? - a mãe perguntou.

Ysabella deu de ombros.

- Agora eu trabalho. Vivo. Me cuido.

- Sem pressa pra nada - a mãe completou.

Ela sorriu.

- Exatamente.





No quarto de adolescência, deitada na cama antiga, o celular vibrou.

Joaco Piquerez.

Piquerez: "Chegou bem ?"


Ela sorriu sozinha.


Ysabella: "Cheguei sim. Em casa agora."


Piquerez: "Bom... casa sempre recarrega, né?"


Ela gostou da frase.

Ysabella: "Muito."


Alguns segundos.

Piquerez: "Se você quiser... hoje à noite vou jantar num lugar tranquilo. Nada de exposição."


Ela mordeu o lábio.

Pensou.
Não sentiu medo.
Só curiosidade.

Ysabella: "Pode ser. Gosto de coisas tranquilas."

DEIXA ACONTECER (gabigol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora