" 2 vezes por mês os traidores e pecadores iam diante ao trono confessar seus crimes e receber sua sentença dada por Gawain. Ele me fazia assistir todas as vezes.
Certa vez, um homem acusado de roubo foi arrastado perante o trono, os pulsos atados com correntes enferrujadas. O público murmurava, dividido entre medo e curiosidade. Gawain, com um sorriso gentil, apresentou ao acusado uma escolha: perder a mão direita, responsável pelo furto, ou ambos os olhos, para nunca mais cobiçar o que não lhe pertencia. A ilusão de escolha arrancou um suspiro coletivo da multidão. Eu assistia tudo em silencio em pé ao lado do trono, percebi que o verdadeiro espetáculo não era a sentença em si, mas a reação do povo. A maneira como Gawain os fazia sentir que a justiça, mesmo cruel, era voluntária.
Algumas noites depois ele veio me visitar, tinha semanas que ele vinha todas as noites.
Gawain mexeu os dedos como se puxasse fios invisíveis.
— As pessoas gostam de acreditar que têm controle — disse, quase divertido. — Um conselheiro promovido aqui, um general punido ali… e de repente todos estão dançando conforme a música. — Seu sorriso se alargou. — Não importa quem segura a espada, minha querida, mas quem decide onde ela corta. — Ele fez uma pausa, os olhos fixos em mim — E você deveria saber, ninguém manipula os fios melhor do que eu"
Acordo com um susto, soltando bufadas de respiração, o quarto está mergulhado na penumbra e demora alguns segundos para que reconheça onde estou.
Respiro fundo algumas vezes me recuperando do pesadelo. Fazia tempo desde a última vez, mas o pesadelo sempre volta, me arrastando para a escuridão. Me lembrando que não importa onde eu esteja, ele sempre encontra um jeito de me lembrar que minhas correntes ainda estão aqui.
Rolo mais para o lado com a intenção de sair da cama, preciso de ar para me acalmar.
Senti Zoro se mexer ao meu lado, ainda meio adormecido. Seus braços me puxaram para mais perto, seu rosto se escondendo na curva do meu pescoço, a respiração quente fazendo cócegas suaves na minha pele.
— Hm… fica aqui — ele murmurou, a voz rouca de sono, os braços firmes ao meu redor.
Um sorriso bobo escapou dos meus lábios, meu coração aquecendo no peito. Levei a mão até seus cabelos desgrenhados, afagando com carinho.
— Eu não ia a lugar nenhum, Zoro — sussurrei, sentindo-o relaxar ainda mais contra mim, como se meu toque fosse tudo o que ele precisava para dormir tranquilo.
Ele suspirou baixinho, aninhando-se mais.
— Bom — murmurou quase incoerente — Só conferindo.
E mesmo sem poder vê-lo direito, eu sabia que ele estava sorrindo. Eu também estava e isso me fez esquecer o pesadelo e lembrar o que tínhamos feito, o que tínhamos dito um para o outro e isso foi o suficiente para voltar a adormecer feliz.
.
Acordamos algumas horas depois em uma mistura de pernas enlaçadas e cabelos bagunçados.
Me movo devagar para não acordá-lo, mas Zoro resmungou baixinho, os braços ao meu redor apertando levemente — Nem vem… — ele murmurou, a voz rouca e arrastada. — Que horas são?
- Hora de acordar - Respondo me levantando, zoro se vira de barriga para baixo - Achei que você dormia que nem pedra — provoco, os dedos deslizando suavemente por suas costas.
— Durmo — ele retrucou, ainda com os olhos fechados. — Menos quando você fica se mexendo.
— Que pena, porque eu preciso levantar - Digo por fim me levantando e recolhendo minhas roupas jogadas pelo quarto - Tenho deveres como capitã agora...Então você pode voltar a dormir se quiser.
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Zoro e S/n
FanfictionHistória + 18. Luffy foi preso pela marinha e faz um acordo com sua companheira de cela misteriosa. A jovem é uma capitã pirata que quer reencontrar sua tripulação e vai contar com a ajuda do bando do chapéu de palha para conseguir isso, mas não co...
