Capítulos 37

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O convés estava mais movimentado agora, mas eu ignorei todo mundo enquanto caminhava até os quartos.

Segurei minha maçaneta, mas me contive olhando para a porta de Zoro.
Lentamente me viro e me aproximo da sua porta com a mão estendida, pronta para bater, mas hesitante em ser atendida. Será que ele esta dormindo? Será que ele ficou bravo comigo?

-Vai ficar parada aí o dia inteiro? - A voz dele cortou o silêncio, me pegando desprevenida.

Virei para o lado e o vi parado no corredor me encarando com aqueles olhos que pareciam enxergar muito além do que queria mostrar.

Ele arqueou uma sobrancelha, apoiando o ombro no batente. — O que foi agora. Veio terminar de me chamar de desalmado como fez mais cedo?

- Eu só...-  Minha voz saiu hesitante, e eu odiei isso - Achei que estava dormindo - disse cruzando os braços.

- Bom, você já viu que não estou - Fala andando até a porta para abri-la. Dou um passo para trás e o vejo entrar no quarto - Pode me dizer o que quer ou vai continuar aí se enrolando?

Meu orgulho grita, tenho vontade de mandar ele tomar no cu e voltar para o meu quarto, mas sabia que tinha vacilado e que merecia um pouco daquilo.

Pensei rápido no que falar, escolhendo as palavras, mas nada veio. Tinha que arrumar uma desculpa para continuar essa conversa — Vim… arrumar suas coisas.

O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Zoro piscou lentamente, como se estivesse tentando entender se tinha ouvido direito.

O quê? Você está me expulsando?

—Não... O quarto — Disse, cruzando os braços para me manter firme. — Esta uma bagunça. Você nunca organiza nada direito. Achei que podia ajudar.

Ele soltou um riso baixo, incrédulo.

Você acha que eu vou acreditar nessa?

Meus ombros ficaram tensos.

Eu não me importo com o que você acredita. Só achei que poderia fazer alguma coisa útil.

Zoro me olhou por um longo momento, aquele olhar curioso me atravessando. Então, ele deu um passo para o lado e gesticulou com a cabeça.

Fica à vontade. Pode começar por onde quiser.

Eu hesitei, mas entrei, tentando ignorar o calor do olhar dele me acompanhando. Caminhei para dentro do quarto, olhei ao redor procurando qualquer coisa para fingir que minha presença ali fazia sentido, mas ele estava a menos de dois dias aqui, não tinha nada fora do lugar

Fui até a cama e comecei arrumar as cobertas.

Então, você invade meu quarto, de noite, depois de uma briga, pra... arrumar? - Sua voz tinha um tom cômico, como se estivesse tão indignado que achava engraçado.

Sim.

— E não tem mais nada que queira dizer?

Meus dedos apertaram o lençol.

— Não.

— Certo.

Ele cruzou os braços, me observando. O silêncio pesou entre nós, e a cada segundo, meu disfarce se desfazia um pouco mais.

Você é péssima mentindo — ele disse por fim.

Minha paciência se rompeu.

E você é muito irritante. Já disse que não tenho nada pra falar com você.

Zoro e S/nOnde histórias criam vida. Descubra agora