A porta se fecha atrás de mim com um estalo seco.
Só então percebo que estou tremendo.
Apoio as mãos na mesa, os dedos cravando na madeira como se isso fosse o bastante para me manter em pé. As lágrimas queimam, insistem, mas não caem. Ainda não. Meu corpo parece suspenso num limbo estranho, pesado demais para chorar, leve demais para respirar.
— Merda… merda… — sussurro, a voz falhando.
O gosto amargo das palavras que trocamos sobe pela garganta como ácido.
Eu disse que ele devia ter morrido com a família.
A frase ecoa na minha mente como um tiro que não pode ser desfeito.
A porta se abre, espero ver Hawks vindo dizer que exagerei ou até mesmo Zoro, mas não..
- Finalmente te encontrei sozinha.
Viro num pulo.
Ezera fecha a porta atrás de si. O rosto duro. Os olhos fundos. Há algo errado ali, algo que não é raiva comum. Parece… urgência.
- Porque me queria sozinha? - Respondo no mesmo tom. Disfarço o medo na minha própria voz, lembrando de toda a suspeita de Hawks sobre ele, talvez seja agora que o traidor se revela, pronto para me pegar sozinha.
- Precisamos ter uma conversa.. - Sua voz parecia uma ameaça.
Dou a volta na mesa, criando distância. Meus dedos deslizam, discretos, até a faca presa sob a borda.
- Sobre o que? - Pergunto, e prendo a respiração, a adrenalina invadindo minhas veias.
- Não posso permitir que você continue desse jeito - Ele me encarava nos olhos, notei que estava irritados, como se tivesse passado noites sem dormir - Preciso te mostrar uma coisa. Pode me acompanhar?
Meu coração dispara. Cada instinto grita não.
Ainda assim, pego a faca, escondo na manga. Um corte e eu viro o jogo.
— Claro — respondo, firme demais para alguém que pode estar prestes a cair em uma armadilha.
Seguimos pelo corredor em silêncio. Ezera vai a frente, dois passos de distância. Relaxado demais. Vulnerável demais.
Se eu quisesse… poderia acabar com isso agora.
Ele abre a porta da própria sala. O lugar é pequeno, abafado, mal iluminado. Injusto para alguém que constrói metade do que nos mantém vivos. Ele entra primeiro. Eu fico no batente, a lâmina já pronta na palma da mão.
Então ele puxa uma cordinha.
A luz acende.
Meus dedos relaxam, a faca quase cai, eu guardo a faca novamente na manga e entro na sala de boca aberta.
- Você nao vai precisar se preocupar com o Sylas com isso... Nem com mais ninguém - Ezera fala abrindo espaço para que veja melhor a armadura na minha frente.
Preta. Animalesca. Poderosa
Não parece feita, parece nascida da própria noite.
Couro e escamas se misturam num desenho que acompanha o corpo humano sem prendê-lo. Não parecia pesar no corpo, mas mesmo incompleta, carrega presença. Autoridade. Como se eu fosse um dos reis dos mares.
— Radiação não atravessa chumbo — ele continua, a voz agora mais firme, orgulhosa. — Revesti tudo com um lençol de chumbo. Pontos críticos têm borracha plumbífera. Se quebrar em combate, o isolamento ainda segura. Posso reforçar onde você quiser.
— Ezera… — murmuro.
Minha mão toca o peitoral. É frio. Duro. Diferente de tudo que já senti.
Não é só proteção. É declaração de guerra.
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Zoro e S/n
FanfictionHistória + 18. Luffy foi preso pela marinha e faz um acordo com sua companheira de cela misteriosa. A jovem é uma capitã pirata que quer reencontrar sua tripulação e vai contar com a ajuda do bando do chapéu de palha para conseguir isso, mas não co...
