Capitulo 41

25 5 4
                                        

A porta se fecha atrás de mim com um estalo seco.
Só então percebo que estou tremendo.

Apoio as mãos na mesa, os dedos cravando na madeira como se isso fosse o bastante para me manter em pé. As lágrimas queimam, insistem, mas não caem. Ainda não. Meu corpo parece suspenso num limbo estranho, pesado demais para chorar, leve demais para respirar.

Merda… merda… — sussurro, a voz falhando.

O gosto amargo das palavras que trocamos sobe pela garganta como ácido.
Eu disse que ele devia ter morrido com a família.
A frase ecoa na minha mente como um tiro que não pode ser desfeito.

A porta se abre, espero ver Hawks vindo dizer que exagerei ou até mesmo Zoro, mas não..

- Finalmente te encontrei sozinha.

Viro num pulo.

Ezera fecha a porta atrás de si. O rosto duro. Os olhos fundos. Há algo errado ali, algo que não é raiva comum. Parece… urgência.

- Porque me queria sozinha? - Respondo no mesmo tom. Disfarço o medo na minha própria voz, lembrando de toda a suspeita de Hawks sobre ele, talvez seja agora que o traidor se revela, pronto para me pegar sozinha.

- Precisamos ter uma conversa.. - Sua voz parecia uma ameaça.

Dou a volta na mesa, criando distância. Meus dedos deslizam, discretos, até a faca presa sob a borda.

- Sobre o que? - Pergunto, e prendo a respiração, a adrenalina invadindo minhas veias.

- Não posso permitir que você continue desse jeito -  Ele me encarava nos olhos, notei que estava irritados, como se tivesse passado noites sem dormir - Preciso te mostrar uma coisa. Pode me acompanhar?

Meu coração dispara. Cada instinto grita não.
Ainda assim, pego a faca, escondo na manga. Um corte e eu viro o jogo.

Claro — respondo, firme demais para alguém que pode estar prestes a cair em uma armadilha.

Seguimos pelo corredor em silêncio. Ezera vai a frente, dois passos de distância. Relaxado demais. Vulnerável demais.
Se eu quisesse… poderia acabar com isso agora.

Ele abre a porta da própria sala. O lugar é pequeno, abafado, mal iluminado. Injusto para alguém que constrói metade do que nos mantém vivos. Ele entra primeiro. Eu fico no batente, a lâmina já pronta na palma da mão.

Então ele puxa uma cordinha.

A luz acende.

Meus dedos relaxam, a faca quase cai, eu guardo a faca novamente na manga e entro na sala de boca aberta.

- Você nao vai precisar se preocupar com o Sylas com isso... Nem com mais ninguém - Ezera fala abrindo espaço para que veja melhor a armadura na minha frente.

Preta. Animalesca. Poderosa
Não parece feita, parece nascida da própria noite.

Couro e escamas se misturam num desenho que acompanha o corpo humano sem prendê-lo. Não parecia pesar no corpo, mas mesmo incompleta, carrega presença. Autoridade. Como se eu fosse um dos reis dos mares.

Radiação não atravessa chumbo — ele continua, a voz agora mais firme, orgulhosa. — Revesti tudo com um lençol de chumbo. Pontos críticos têm borracha plumbífera. Se quebrar em combate, o isolamento ainda segura. Posso reforçar onde você quiser.

— Ezera… — murmuro.

Minha mão toca o peitoral. É frio. Duro. Diferente de tudo que já senti.
Não é só proteção. É declaração de guerra.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: 10 hours ago ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

Zoro e S/nOnde histórias criam vida. Descubra agora