LEE CHRISTMAS

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S/n Ross cresceu em meio a tiros, explosões, sangue e bebidas. Sendo filha de quem era não era surpresa nenhuma. Era durona, não era de expressar sentimentos, assim como o pai. Isso tinha seu lado bom, mas também tinha seu lado ruim. 

O lado bom é que as pessoas tinham medo dela. Na verdade, acho que qualquer um teria, S/n aprendeu a quebrar um pescoço com 9 anos. 

E o lado ruim, é que sentia tudo demais. Sentia medo demais, se sentia incapaz, se sentia pequena, e, sentia que nunca sentiria a sensação de um amor verdadeiro. 

Aos 18 anos entrou para a equipe de seu pai. Os Mercenários. Ela adorava aquilo tudo. Adorava as missões, a adrenalina correndo nas veias, o perigo a espreita. A sensação era libertadora.

Um ano depois, Lee Christmas entrou para a equipe. Ele era determinado. Firme, durão, frio e muito bonito. Ele se tornou o braço direito de Barney muito rapidamente. S/n sentiu um certo ciúme. Mas, era bom tê-lo ali. 

Eles não trocavam muitas palavras no começo. Só o necessário. Um "bom dia" ali, outro lá. Nada mais. 

Mas isso mudou também. 

Lee e S/n passaram a treinar juntos, a comer juntos, a beber juntos. Resumindo, a fazer tudo juntos. Barney sentia que aquela amizade ia evoluir para algo mais logo logo. Ele estava preocupado? Sim. Mas, não havia homem melhor do que Lee Christmas. 

Barney confiava sua vida em Lee. 

E, aos poucos, sem que ninguém percebesse, Lee começou a ser a única pessoa em quem S/n também confiava daquele jeito.

Eles se entendiam no silêncio. No olhar rápido antes do tiro. No gesto quase imperceptível avisando perigo. Era automático. Natural.

Mas exatamente por isso que qualquer falha doía mais.

A missão era simples. Entrar, pegar o alvo, sair.
Simples nunca significava fácil.

Tudo correu bem até o segundo andar. Um erro de cálculo. Um passo em falso. Um disparo fora de hora.

S/n foi jogada contra a parede pela explosão. Sentiu o impacto seco nas costelas, o gosto metálico do sangue na boca. Levantou rápido, como sempre fazia. Durona. Intacta por fora.

-Eu falei pra esperar meu sinal. -A voz de Lee veio dura no comunicador.

Aquilo foi o suficiente.

- Eu falei pra você cobrir a retaguarda. -Ela respondeu, fria, atirando enquanto avançava.

-Você avançou sem avisar.
-Porque se eu não avançasse, estaríamos mortos.

O clima pesou. Não havia tempo para discutir ali, mas a tensão ficou. Grossa. Quase palpável.

Quando voltaram para a base, o silêncio entre os dois era pior do que tiros.

S/n jogou o colete no chão, os movimentos agressivos. Lee a observava encostado na parede, os braços cruzados, mandíbula travada.

-Você foi imprudente. -Ele disse, finalmente.

Ela riu. Um riso curto. Sem humor.

-Imprudente? Eu salvei a missão.

Lee deu um passo à frente.
-Você se colocou em risco sem pensar.

Os olhos dela escureceram.
-Eu penso rápido. Sempre pensei.

-Nem sempre isso é pensar. -Ele rebateu. -Às vezes é só... não ligar se vai voltar inteira.

Aquilo acertou em cheio.

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⏰ Última atualização: 9 hours ago ⏰

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