MARTIN RIGGS- LETHAL WEAPON 1987

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O dia no esquadrão estava tranquilo. Alguns policiais estavam fazendo treinamento, uns estavam bebendo café e comendo donuts, outros conversando.

Martin Riggs estava no estande de tiro, treinando sua mira -como sempre fazia quando a cabeça estava cheia-, quando ouviu passos se aproximarem.

-Você vai esvaziar todos os pentes que estão disponíveis no estande, desse jeito. -S/n encostou-se na cabine ao lado.

-Fica na sua. -Riggs trocou o pente vazio por um cheio, e continuou atirando.

-Qual é? Que que tá rolando? -Ela insistiu. -Sua mira é perfeita. Não tem porque ficar aqui horas treinando.

S/n tinha razão.

Riggs tinha a mira perfeita. De todos os alvos em que ele atirou, acertou absolutamente todos.
Mas Riggs estava incomodado.

-Não importa, S/n.

S/n bufou. Saiu do estande em que estava e foi até o dele, segurou as mãos dele, impedindo-o de atirar.

-Fala o que tá acontecendo, Riggs.

-Eu esqueci como é a voz da minha esposa. A risada dela. -Ele admitiu com raiva, sem olhar para ela.

O barulho dos tiros cessou.

O estande ficou silencioso demais de repente.

S/n ainda segurava as mãos dele. Sentia a tensão nos músculos, o jeito como ele travava a mandíbula quando estava tentando não desabar.

Riggs não olhava pra ela.

-Eu tento lembrar. -Ele continuou, a voz rouca. -Fico repetindo na minha cabeça... mas só vem um eco. Um vazio. Como se eu estivesse perdendo ela de novo.

S/n soltou devagar as mãos dele, mas não se afastou.

-Você não tá perdendo ela. -Disse firme. -Esquecer o som exato não significa esquecer quem ela foi.

Ele deu um meio sorriso amargo.

-Pra mim significa.

Ela respirou fundo, pensando com cuidado nas palavras. Com Riggs, qualquer frase errada era um gatilho.

-Quando você pensa nela... o que você sente?

Ele finalmente olhou pra S/n.

Os olhos azuis estavam cheios, mas não de lágrimas -de algo pior. Culpa. Raiva. Medo.

-Paz. -Ele respondeu baixo. -Ela era a única coisa que fazia sentido.

S/n deu um passo mais perto.

-Então é isso que importa. Você lembra do que ela fazia você sentir. A voz é detalhe. A risada é detalhe.

Ele balançou a cabeça.

-Não é detalhe pra mim.

Ela levou a mão até o rosto dele, com cuidado, como se estivesse se aproximando de um animal ferido.

-Você não vai esquecer. A memória não some. Às vezes ela só fica escondida porque dói demais acessar.

Riggs fechou os olhos quando ela tocou o rosto dele.

-E se eu esquecer tudo um dia?

-Então eu vou ficar aqui. -Ela respondeu, sem hesitar. -Pra lembrar você de quem você é. E de quem ela foi.

O silêncio entre eles mudou de peso.

Não era mais vazio.

Era cheio.

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⏰ Última atualização: Mar 03 ⏰

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