Dia Seguinte
Dylan acordou com o peso de um mal-estar persistente, aquele tipo de sensação que não se dissipa nem com café forte ou respirações profundas. A raiva ainda borbulhava dentro dele, fresca, intensa, alimentada pelo que havia acontecido na missão do dia anterior. Determinado a buscar respostas, ou talvez desabafar sua fúria, levantou-se sem olhar para o relógio.
Logan, já sentado à mesa da cozinha, percebeu imediatamente a expressão fechada do amigo. Dylan se jogou na cadeira, pegando apenas uma xícara de café, evitando qualquer contato visual. O silêncio entre eles era quase tangível, preenchido apenas pelo som da faca cortando o pão que Logan devorava.
- O que houve ontem? - Quebrando a quietude, Logan tentou soar casual. - Quando cheguei, você já estava dormindo.
Dylan o fitou por alguns segundos, avaliando se valia a pena envolver o amigo nos detalhes. Mas decidiu que ele merecia saber, pelo menos parte da verdade.
- Bob complicou tudo ontem... e... acabei tendo que ser salvo por Rodrigo - disse, a voz mais firme e alta do que pretendia.
Logan engoliu o pão com dificuldade, arregalando os olhos, incrédulo e divertidamente chocado.
- Espere... calma aí. Bob e Rodrigo, na mesma frase?
Dylan esboçou um sorriso curto, carregado de ironia e cansaço. Assentiu, sem palavras.
- Foi estranho... muito estranho - murmurou, pensativo. Notando que Logan mantinha o olhar curioso, perguntou: - E você? Como foi a aula?
- Tyler estava diferente - disse Dylan, ajeitando a regata branca que usava. - Parecia outra pessoa quando falavam do pai dele.
- Então... acho que vou ter que falar com ele hoje à tarde - acrescentou Dylan, levantando-se com a mochila nas costas. Mas Logan não deixou que ele saísse tão facilmente.
- Hoje à tarde? Vai faltar aula de novo? Eu ainda tenho missão com Bob hoje...
- Não é uma escolha. Tenho que falar com Bob agora - respondeu Dylan, abrindo a porta e chamando Logan para segui-lo.
Eles caminharam em silêncio pelo corredor até o escritório de Bob. Logan, resignado, decidiu esperar na recepção, jogando-se no sofá com o celular nas mãos, distraído e aparentemente alheio à tensão que acompanhava Dylan.
Ao entrar, Dylan encontrou Bob ao telefone. Por um momento, a expressão de Bob era dura, irritada, mas assim que percebeu a presença de Dylan, uma lembrança pareceu atravessar seu semblante, suavizando-o por um instante.
- Meu jovem! Sente-se - disse Bob, com um tom que misturava formalidade e cordialidade. Dylan hesitou, sentando-se com desconfiança.
- Senhor Bob, creio que ainda não confia totalmente em minhas habilidades de luta - disse Dylan, tentando conter a fúria que o dominava.
Bob franziu ligeiramente o cenho, curioso.
- Por que diz isso?
- O senhor sabe o que aconteceu ontem - respondeu Dylan, segurando cada palavra para não deixar transparecer o calor da raiva.
- Ah... você se refere ao fato de Rodrigo tê-lo... salvado? - perguntou Bob, quase em um tom de lembrança, e Dylan sentiu a surpresa se misturar a uma irritação que crescia a cada segundo.
- Não foi bem isso - disse Dylan, levantando-se abruptamente, incapaz de conter a tensão. - Seus guardas atrapalharam tudo! A missão estava comprometida desde o início! Só consegui sobreviver graças a Rodrigo... - ele respirou fundo, lutando contra a fúria que queimava por dentro.
Bob franziu o cenho, a expressão tornando-se séria, quase sombria.
- Você não entende... - murmurou, baixando a cabeça, como se ponderasse as palavras.
- Então me explique - Dylan respondeu, a voz firme, penetrante, os olhos semicerrados de pura incredulidade.
- Mandei os seguranças agirem justamente por causa de Rodrigo - disse Bob.
Dylan estreitou os olhos, tentando digerir o que acabara de ouvir.
- Como assim?
- Eu sabia que ele estaria lá - Bob pausou, medindo cada palavra. - E ele estava. Mas não para salvar ninguém. Rodrigo estava lá para matá-lo, Dylan.
O choque o atingiu como um soco no peito. Tudo fazia sentido agora: a inquietação que sentira, o pressentimento, as pequenas incoerências. Cada gesto de Rodrigo, cada detalhe que Dylan tentara ignorar, se encaixava perfeitamente. O mundo parecia girar ao redor dele, enquanto uma raiva quase palpável queimava em cada fibra do seu corpo.
- Isso... isso não faz sentido - murmurou Dylan, a incredulidade e a raiva misturadas em sua voz.
- Não seja ingênuo - interrompeu Bob, cruzando os braços com firmeza. - Você trabalha para mim. Acha mesmo que Rodrigo foi lá ajudar um agente que trabalha para mim?
Dylan permaneceu em silêncio, tentando controlar a torrente de emoções que ameaçava dominá-lo. A traição de Rodrigo cortava mais fundo do que qualquer golpe físico poderia. A sensação de ter sido enganado por alguém tão próximo doía, mas também era clarificadora.
A fúria que sentia agora se transformava em determinação. Cada pensamento, cada lembrança da missão, alimentava seu desejo de vingança. Ele sabia, com absoluta certeza, que Rodrigo pagaria por essa traição. E naquele momento, Dylan prometeu para si mesmo: só encontraria paz quando a justiça - ou sua própria vingança - estivesse completa.
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INVERTIDOS
Science FictionINVERTIDOS narra a história de Rodrigo, um agente do FBI que, para proteger sua esposa e filho, foi obrigado a se afastar deles devido à ameaça de Bob, um inimigo infiltrado na agência. Anos depois, Rodrigo contrata Tyler, um jovem que se parece mui...
