No carro, ele estava dirigindo com a cara meio fechada. Uma mão no volante, a outra largada na minha coxa, apertando de vez em quando sem perceber.
Maya:Amor… cê sabe que ele foi abusado, né?Mas cê também quase pulou no pescoço dele.
Ghard:Eu sei ,Mas eu sou homem, não sou otário e não gosto de ver ninguém olhando demais pra mulher minha.
Ele fala num tom meio de brincadeira, mas a mandíbula tá dura. Eu conheço.
Maya:Que isso… achei que isso já tinha passado,as vezes parece até que eu sou troféu.
Ele dá uma risada curta, mas não olha pra mim.
Ghard:Troféu não,Só fico puto porque o cara olha como se pudesse.
A mão dele aperta minha coxa com mais força.
Maya: Ai idiota...Mas fala de novo que eu sou sua.
Ele respira fundo antes de responder, como se tivesse pensado demais.
Ghard: Cê é minha.
No meu dia, na minha cama, na minha cabeça...E é isso que me tira do sério.
Maya: E você é meu…mesmo com essa cara fechada e esse ciúme todo aí.
Ele solta um meio sorriso, mas some rápido.
Ghard: Então deixa eu subir contigo lá…
que eu preciso te sentir perto pra esfriar a cabeça.
Maya: Vai me dar bronca agora?
Ghard:Não…vou te dar atenção demais.
Maya:Aí, como tu é besta…
já pesou o clima.
Ghard:Já tava pesado faz tempo.
Eu só tava segurando.
A mão dele desce um pouco mais, possessiva.
Maya: Tá nervoso ou tá com saudade?
Ghard:com você é sempre os dois, vida.
Maya: Então estaciona logo…
quero minha cama.
Ghard: Do jeito que você mandar pretinha.
Assim que entramos já vamos pro quarto , e logo ele fica quieto demais quando a porta fecha. Não é um silêncio vazio ,é aquele que vibra, que aperta o peito. Eu fico parada por um segundo, sentindo ele atrás de mim, sentindo aquele olhar que pesa mais que palavra.
Eu respiro fundo antes de virar.
Eu conheço essa cara. Conheço o jeito que ele fecha a mandíbula quando tá tentando se controlar. Conheço até o silêncio dele.
Maya:Cê fica assim… como se eu fosse fugir a qualquer momento.
Ele não responde. Só chega mais perto Não encosta ainda,E isso é pior.
Por dentro, eu tô dividida...Uma parte minha quer brigar, outra quer abraçar, e a terceira… a terceira gosta demais de saber que ele se importa desse jeito torto.
Maya:Eu sei que tem gente que olha.
Mas olhar não é tocar ,E tocar… só você toca.
Ele finalmente encosta. A mão firme na minha cintura, como se estivesse me ancorando ali.
Eu sinto o corpo dele tenso, como se estivesse segurando o mundo inteiro pra não quebrar.
Maya:Seu ciúme me sufoca às vezes.
Mas também me lembra que eu não sou qualquer uma pra você.
Eu levanto o rosto, encaro ele de frente.
Maya:Só não me prende… fica comigo.
O olhar dele muda não some o ciúme... ele se transforma ,vira cuidado mal disfarçado de posse.
Ele apoia a testa na minha, respiração pesada, voz baixa.
Ghard: Eu confio em você,só não confio neles.
Eu fecho os olhos porque no fundo, eu entendo mesmo reclamando.
Seguro a camisa dele, puxo de leve.
Maya:Então aprende comigo ,porque eu sou sua…mas fico porque quero.
O silêncio volta, só que diferente..mais quente,mais calmo.Ele me envolve num abraço apertado, daqueles que dizem “fica” sem precisar pedir.
E ali grudada nele, eu penso que amor não é ausência de conflito.
É escolher ficar mesmo quando dá vontade de virar as costas ..E eu fico.
Eu solto um riso baixo, meio sem graça, meio rendida.
M
aya: Desse jeito cê acaba comigo…
Ele encosta a boca no meu pescoço, sem pressa, só marcando território,não fala nada. E isso já diz tudo.
M
inha mão sobe pro peito dele, sinto o coração batendo rápido demais pra quem dizia que tava só com raiva.
Maya:Tá vendo?Cê faz isso e eu esqueço até porque a gente tava discutindo.
E
le levanta meu rosto com a mão, me obriga a olhar pra ele. O polegar passa pela minha boca, aquele gesto que sempre bagunça minha cabeça.
A voz dele sai baixa, nada de pose agora.
Ghard: Eu não tenho medo de outro cara, Maya...tenho medo de você cansar de mim…e ir embora sem nem brigar.
Aquilo me desmonta na hora.
Todo o ciúme, toda a marra ,vira só insegurança mal resolvida.
Eu puxo ele mais pra perto, falo perto do ouvido dele, sem drama.
Maya:Então presta atenção.
Se um dia eu for embora, eu vou falar.
Mas enquanto eu ficar… eu fico de verdade.
Sinto o corpo dele relaxar, como se tivesse largado um peso enorme. O abraço muda. Fica mais calmo, mais quente.Ele encosta a testa na minha e respirafundo.E ali eu sei não foi o toque que mudou tudo.
Foi o que a gente finalmente teve coragem de dizer.
Claro, continuo **mais corrido, mais falado**, sem tanto ponto quebrando o ritmo, mantendo o clima físico e emocional.
Ele fica ali comigo alguns segundos sem dizer nada, só respirando comigo, como se tivesse medo de falar e quebrar aquilo. A mão dele sobe e desce devagar nas minhas costas, num carinho que não pede nada, só fica.
Eu apoio a testa no ombro dele e falo baixo, quase rindo.
Maya: Cê é complicado demais, sabia
Ele solta um riso curto, meio sem graça.
Ghard: E você ainda escolhe ficar
Eu levanto o rosto pra olhar pra ele.
Maya:Escolho porque eu quero
Porque quando eu tô aqui eu me sinto em casa e porque eu te amo
Ele fecha os olhos um segundo e me aperta de novo, não forte, só inteiro, como quem aceita.
Ghard :Eu não sei amar de outro jeito
Mas eu tento todo dia por você..pq eu também te amo muito.
Aquilo bate diferente...não é promessa bonita, é verdade crua. Eu passo a mão no rosto dele, devagar.
Maya:Então tenta comigo
Não contra mim
Ele encosta a testa na minha de novo, respiração calma agora.
Ghard:Eu tô aqui ..Sempre fui teu
E ali não precisa de mais nada. O corpo perto, o silêncio tranquilo, a certeza simples de que a gente ainda escolhe ficar, mesmo cheio de falha, mesmo sem saber dizer bonito.
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Pessoal desculpa a demora mais tá aí, meio curtinho .....vou tentar soltar mais na semana beijos.
E espero que gostem
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Duas Doses de Amor
FanfictionApós duas doses,será que o amor vence...mesmo vivendo no século da putaria
