O silêncio depois da batalha era pior que o caos.
A fenda permanecia no altar da igreja, pulsando como uma ferida viva na realidade. O olho do outro lado não piscava. Não respirava. Apenas observava.
Izzy sentia.
Não como dor - mas como eco.
Algo dentro dela havia sido marcado.
- Ele me reconhece. - murmurou, a voz baixa, distante.
Klaus não soltou seu braço.
- Ninguém conhece voce sem minha permissão.
Freya se aproximou com cautela, os olhos fixos na fenda.
- Isso não é uma criatura comum. Não é um deus... nem um espírito.
Vicent engoliu seco.
- É um Princípio.
Todos olharam para ele
- Antes da vida e morte serem opostos - continuou Vicent - existia o Observador. Aquilo que garantia que tudo seguisse seu curso. Quando os Mikaelson se tornaram imortais... vocês quebraram a lógica.
O olho se moveu lentamente.
- E quando Hope nasceu... vocês quebraram o final.
O chão vibrou.
Uma voz atravessou o Véu. Não era som - era intenção.
"A Guardiã foi tocada. O ciclo está incompleto."
Izzy levou a mão ao peito.
A marca hibrida se estendeu, formando linhas douradas e escuras pela pele.
- Ele quer me usar. - disse ela - Como âncora.
- Não - Freya corrigiu. - Como equilíbrio.
Klaus riu, sem humor.
- O universo sempre adorou usar mulheres fortes como sacrifício.
O olho se estreitou.
"O par original compreende o preço. O amor é a variável que falha."
Klaus avançou um passo.
- Diga o que quer, criatura.
A voz respondeu, paciente.
"A criança permanecerá. A guardia deve atravessar."
Stefan apertou Hope nos braços.
- Atravessar para onde?
A fenda se expandiu, revelando um espaço além - não o inferno, nao o céu. Um lugar onde o tempo não avançava.
Izzy sentiu o chamado rasgar sua mente.
Ela deu um passo à frente.
- Izabelly. - Klaus disse, baixo. - Não .
Ela virou-se para ele. E sorriu.
- Eu prometi ficar. Não prometi não lutar.
Hope se mexeu.
Abriu os olhos - consciente demais para uma criança.
Ela olhou diretamente para Izzy.
E falou.
- Não.
Uma única palavra. O Véu tremeu violentamente. O olho se fechou parcialmente.
"A criança escolhe."
O mundo pareceu prender a respiração.
Izzy caiu de joelhos.
Klaus foi até ela, desesperado.
- Hope... - murmurou Izzy, lágrimas silenciosas escorrendo.
A criança estendeu a mãozinha.
A marca no corpo de Izzy queimou - e depois se estabilizou.
Freya arregalou os olhos.
- Ela redefiniu o vínculo .
Vicent sorriu, em choque.
- Hope não precisa de uma guardiã. Ela escolheu uma familia.
O olho começou a se afastar.
"Então o preço será cobrado... mais tarde"
A fenda se fechou com um estrondo seco. O silêncio voltou. Mas nao era paz.
Izzy respirava com dificuldade. Sua aura havia mudado- mais profunda, mais antiga.
Damon se ajoelhou ao lado dela.
- Você tá viva?
Ela sorriu fracamente.
- Irritantemente.
Stefan riu, emocionado.
Klaus segurou o rosto dela com cuidado.
- Você nao vai a lugar nenhum. Nunca.
Izzy o encarou, séria.
- Não. Mas algo em mim ficou do outro lado.
Ela toocu o próprio peito.
- E um dia... ele vai cobrar.
Hope bocejou nos braços de Stefan, voltando a dormir como se nada tivesse acontecido.
Elijah quebrou o silêncio.
- Então agora sabemos.
Klaus ergueu o olhar.
- Sabemos o quê?
Elijah respondeu, grave.
- Que o inimigo não quer destruir nossa família. Quer testá-la.
Em algum lugar fora do tempo... o Observador sorriu.
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A Guardiã
VampiroE se a história fosse diferente? E se as bruxas tivessem achado outro jeito de convencer Klaus Mikaelson a aceitar a filha e ficar em New Orleans. Pois bem, Izabelly Salvatore foi a chave para convencerem o híbrido egoista de que ele precisava ficar...
