Três dias.
Foi o tempo que a cidade levou para voltar a respirar. E o tempo que Izzy levou para percebeu que algo dentro dela nao respirava mais da mesma forma.
A mansão Mikaelson estava silenciosa demais. Nem música, nem discussões - o que, para aquela familia, era sinal de perigo.
Izzy estava no jardim interno, sob o Carvalho antigo. Hope dormia em seu colo. O vento passava... mas nao tocava sua pele.
- Você tambem sente isso - disse uma voz atrás dela.
Klaus.
Ela não virou.
- O quê?
- O mundo evitando você.
Izzy olhou para a própria mão. A luz da manhã não refletiam direito. Como se sua presença tivesse peso gravitacional.
- Não é o mundo que evita - respondeu. - É o tempo que não me atravessa direito.
Klaus franziu o cenho.
- Explique.
Ela aprontou para as folhas caindo da árvore. Todas desciam. Menos as que passavam perto dela - que desacelerava,, como se cruzassem água invisível.
- Parte de mim ficou do outro lado. - disse. - Agora eu existo... entre camadas.
Klaus sentou ao lado dela, atento, tenso.
- Isso pode ser revertido.
- Não quer dizer que deve ser.
Ele virou o rosto, irritado.
- Eu não gosto quando você fala como se fosse descartável.
Finalmente Izzy o encarou.
- Eu nao sou descartável. Sou funcional.
- Você é minha. - ele respondeu, imediato - e isso inclui ser insubstituível.
O olhar dela suavizou - perigoso, íntimo.
- Par não é posse, Niklaus. É escolha repetida.
Ele sorriu de lado.
- Então continue escolhendo ficar viva.
Dentro da casa, vidro quebrou.
Damon.
- Isso não é normal nem pros seus padrões, bruxinha. - ele dizia para Freya na sala. - O relógio parou três vezes quando ela entrou.
Freya concordou, séria.
- O campo mágico ao redor dela cria distorção. Como se a realidade recalculasse rotas.
Atefan observava em silêncio.
- Ela sempre foi assim - disse por fim. - Mesmo humana. O mundo reagia a ela.
Damon bufou.
- Sim, mas normalmente era com drama. Não como física quântica sobrenatural.
De repente, Hope acordou.
Sem chorar. Sem som.
Os olhos abertos - atentos.
Izzy snpentiu primeiro.
- Klaus...
Ele ja estava de pé.
O ar ficou espesso.
- Tem alguém. - disse Izzy.
Elijah surgiu instantaneamente.
- Não á presença detectável.
Hope ergueu a maozinha e apontou.
A parede ondulou. Como agua tocada por vento. E uma silhueta apareceu por um segundo - alta, sem rosto definido.
O Observador.
Nao atravessando. Apenas... olhando.
Klaus rosnou e avançou - a imagem desapareceu. Mas algo ficou. Uma marca queimada na madeira. Um símbolo circular incompleto.
Vicent, chamado às pressas analisou e empalideceu,
- Isso não é ataque.
- O que é, então? - perguntou Elijah.
- É... contagem.
Silêncio.
- Contagem pra quê? - Damon perguntou.
Vicent respondeu:
- Para manifestação total.
Izzy abraçou Hope cok mais força - e, pela primeira vez sentiu medo verdadeiro.
Não por si. Mas porque agora ela entendia.
- Ele nao quer me levar à força - disse. - Quer que eu atravesse por vontade própria.
Klaus a encarou, firme.
- Não vai acontecer.
Izzy olhou para a marca no chão. Depois para Hope. Depois para ele.
- Se for a única forma de impedir que ele foque nela...
- Não- Klaua disse, cortando o ar como lâmina. Nós sempre encontramos outra forma. É literalmente o esporte da familia.
Elijah assentiu levemente.
- Improvisar contra o impossível é nossa tradição.
Hope encostou a testa no peito de Izzy.
Sussurrou, sonolenta.
- Fica.
Izzy fechou os olhos.
- Eu fico.
Mas bem acima da cidade, onde nem a magia comum alcança, uma fissura invisível se abriu um milímetro a mais.
E o Observador... continuou contando.
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A Guardiã
VampirE se a história fosse diferente? E se as bruxas tivessem achado outro jeito de convencer Klaus Mikaelson a aceitar a filha e ficar em New Orleans. Pois bem, Izabelly Salvatore foi a chave para convencerem o híbrido egoista de que ele precisava ficar...
