Izabelly Salvatore
O choque do beijo de Klaus ainda reverberava pelo meu corpo, e eu não conseguia reagir de imediato. Nunca imaginei que seria assim, que ele, o híbrido que tantas vezes desafiei e temi, seria a primeira pessoa a me tocar com aquela intensidade. A mistura de raiva, paixão e perigo era intoxicante.
Ele afastou os lábios por um instante, apenas o suficiente para olhar nos meus olhos, examinando cada nuance do meu rosto, como se tentasse ler a minha alma.
— Você some... e volta quando? — A voz dele era baixa, rouca, carregada de todas as emoções que eu sabia que ele guardava. — Por que me faz esperar assim, Izabelly?
— Porque... — Comecei, engolindo em seco — você não entende... Lucian tentou me matar várias vezes. Eu precisei fugir, me proteger, e ainda estou tentando organizar tudo que aconteceu nesses meses.
Ele respirou fundo, mas não me soltou. Suas mãos ainda envolviam meu rosto, firmes, exigentes, e ao mesmo tempo, protetoras.
— Então você voltou... para mim. — Ele não disse nada além disso, mas a frase carregava tudo: raiva, alívio, desejo e medo.
Eu senti a necessidade de me aproximar, de não fugir. Afinal, depois de tudo que passei, precisava de uma âncora, alguém em quem pudesse confiar plenamente. Klaus era o perigo, mas também a constante na minha vida que, de algum jeito, sempre me protegia.
— Precisamos encontrar Kol, Marcel, Elijah, todos. — Digo, tentando organizar a missão que se tornara urgente. — Lucian provavelmente está a caminho, e se ele perceber que eu sumi...
— Eu sei — interrompeu Klaus, os olhos faiscando. — Mas primeiro... você vai ficar aqui comigo. Agora. Nada de correr para o perigo sem mim.
Eu suspirei, tentando equilibrar a adrenalina e a raiva que sentia por Lucian. A tensão no ar era quase palpável, mas também havia algo mais: confiança. Um sentimento que surgia mesmo em meio ao caos.
Caminhamos pelos destroços da casa, cada passo medido, cada olhar avaliando possíveis perigos. O cheiro de sangue e destruição ainda estava no ar, mas minha mente estava centrada: Klaus estava ali, e isso tornava tudo mais suportável.
Quando chegamos à rua, Marcel apareceu de repente, seguido por Kol e alguns aliados de confiança. O encontro foi silencioso, mas carregado de tensão. Todos perceberam imediatamente que Lucian seria nosso próximo alvo, e que não poderíamos errar.
— Então, estamos todos aqui — disse Klaus, a voz firme e autoritária — exceto Davina, mas ela já sabe da situação. Lucian não terá chance.
— Izabelly — disse Kol, me olhando com uma intensidade que me fez estremecer — você está bem?
— Estou viva, Kol — respondi, sentindo um alívio inesperado por tê-lo reencontrado. — E agora precisamos trabalhar juntos.
A sensação de união era poderosa. Após meses de caos, mentiras e manipulações, finalmente estávamos todos no mesmo lugar, conscientes do perigo, mas prontos para enfrentá-lo.
Enquanto discutíamos estratégias, meu olhar se encontrou com Klaus novamente. Ele não tirava os olhos de mim, como se cada detalhe da minha expressão fosse importante para ele. Não havia dúvidas em sua mente: ele confiava em mim, e ao mesmo tempo, sabia que meu passado com Lucian tornava tudo ainda mais perigoso.
— Izzy... — disse ele baixinho, e eu sabia que suas próximas palavras eram pessoais, não estratégicas. — Não sei quanto tempo mais posso manter você segura sem que a raiva me consuma completamente.
— Então me mantém perto. — Respondi com firmeza, o coração acelerado. — Precisamos nos proteger e proteger os outros, mas... não vou fugir de você.
Klaus sorriu de leve, um sorriso raro, misto de prazer e alívio. Pela primeira vez, senti que ele realmente me entendia.
Horas se passaram em preparação e planejamento. Mapas foram estudados, feitiços de proteção foram traçados, aliados foram posicionados estrategicamente. A tensão aumentava a cada minuto, e a iminência do confronto com Lucian pairava como uma nuvem escura sobre todos nós.
Finalmente, quando a noite caiu, saímos na busca, cada um em sua posição, preparados para a batalha que prometia ser intensa e decisiva. Eu estava no meio, alerta, sentindo o poder e a presença de Klaus ao meu lado, e a necessidade de proteger aqueles que amava.
Quando finalmente nos aproximamos do local onde Lucian provavelmente estaria, percebi que algo havia mudado. Não eram apenas os corpos e a destruição que indicavam a presença dele, mas um sentimento profundo de ameaça, como se a própria cidade estivesse segurando o fôlego.
— Está chegando a hora — disse Klaus, sussurrando próximo ao meu ouvido. — Não há mais volta.
E naquele instante, soube que nada seria como antes. Lucian estava prestes a enfrentar todos nós, e os laços, invisíveis e tangíveis, que havíamos construído nos últimos meses seriam testados até o limite.
Enquanto o vento soprava pela rua deserta, Klaus segurou minha mão firmemente, e pelo primeiro momento em muito tempo, senti que não estava sozinha. Que juntos, poderíamos enfrentar qualquer sombra do passado, qualquer perigo presente e qualquer incerteza futura.
E então, a batalha finalmente começou.
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A Guardiã
VampireE se a história fosse diferente? E se as bruxas tivessem achado outro jeito de convencer Klaus Mikaelson a aceitar a filha e ficar em New Orleans. Pois bem, Izabelly Salvatore foi a chave para convencerem o híbrido egoista de que ele precisava ficar...
