O passado nao abre à porta. Ele arromba.
O quarto estava mergulhado em penumbra quando Izzy ficou sozinha pela primeira vez naquela noite. Hope dormia em uma cama protegida por camadas de magia - Freya garantira que nada, nem mesmo deuses antigos, atravessaria aquele véu sem ser sentido.
Mesmo assim, Izzy não relaxava.
Ela observava a criança respirar, cada movimento pequeno demais para carregar um destino tão grande. Seus dedos tocaram, quase sem perceber, o pingente antigo em seu pescoço - um anel de lápis-lazúli gasto pelo tempo.
Um objeto que ela jurara nunca mais usar.
- Você nunca conseguiu fugir do que e é, não é? - disse uma voz familiar atrás dela.
Izzy fechou os olhos por um segundo.
- Damon. - respondeu, antes de se virar.
Ele estava encostado no batente da porta, expressão relaxada demais para alguém que acabara de atravessar metade do país seguindo um chamado mágico impossível de ignorar.
- Nova Orleans- continuou ele, entrando no quarto. - Bruxas, híbridos, Mikaelsons...
- Klaus. - corrigiu Izzy, virando-se finalmente.
O olhar de Damon caiu sobre Hope. E algo nele mudou.
- Então é ela - murmurou - A razão pela qual o mundo inteiro parece estar prestes a explodir.
Antes que Izzy respondesse, outra presença atravessou o corredor.
- Damon.
A voz era mais baixa. Mais controlada.
Stefan Salvatore parou ao lado do irmão, os olhos fixos em Izzy.
- Ouvi boatos de que tivesse morrido. - Ela respirou fundo ao dizer.
- Eu tambem. - Completou ele.
- Eu lembrei, Damon.
No instante em que disse isso, Damon parecia compreender o que a irmã queria dizer.
- Lembrou do que? - Stefan estava de cenho franzido.
Izzy se aproximou, cada passo pesado de memória.
- Fui transformada na mesma noite que vocês. Só que enquanto brigavam por quem deveriam amar... eu estava sendo usada.
Damon franziu o cenho.
- Usada como?
Izzy ergueu o olhar. Os olhos brilharam com um vermelho contido.
- Como isca.
As lembranças vieram como lâmina.
Mystic Falls, 1864
Ela acorda com sede. Dor. Fogo na garganta.
Mas diferente deles, Izzy não tivera escolha.
Uma bruxas viajante - uma das primeiras da Ordem do Véu - a observara por anos. Vira nela algo que nem mesmo Katherine percebera: a resistencia ao hibrido. Capacidade de suportar mais de um legado sobrenatural.
- Eles sabiam que um dia uma criança nasceria - disse Izzy, a voz firme apesar da tempestade interna. - Metade vampira, metade lobo... e algo além.
Stefan deu um passo à frente.
- Hope.
- Sabem que Hayley ainda está grávida quando fui atraída para Nova Orleans. - Continuou Izzy. - A magia me chamou. Eu tentei resistir. Mas quanto mais eu me afastava... mais o mundo adoecia ao mundo redor.
Damon soltou uma risada curta, sem humor.
- Claro que nossa irmã é um imã apocalíptico.
Izzy encarou Klaus, que observava tudo em silêncio, expressão indecifrável.
- Com o passar de alguns meses, ele sabia. - disse ela. - Sabia que eu não era mais apenas vampira.
Klaus inclinou a cabeça.
- Sabia que voce era necessária.
- E que eu seria caçada. - rebateu ela. - Que se ficasse perto de Hope, a guerra viria.
Klaus se aproximou.
- E mesmo assim você ficou.
Izzy não desviou o olhar.
- Porque pela primeira vez... eu escolhi.
Ela tocou o próprio pulso, onde a marca do juramento hibrido repousava.
- Aceitei o sangue. A lua. O monstro. Tudo para garantir que Hope tivesse o que nós nunca tivemos: alguém que ficasse.
O berço emitiu um leve brilho. Hope se mexeu ainda dormindo. Damon engoliu seco.
- Então... nossa irma, uma Salvatore. Uma hibrida. Guardia da filha do diabo original.
Ele riu de lado.
- A familia nunca foi normal.
Stefan finalmente falou,a voz carregada de emoção.
- Sabe que não precisa fazer isso sozinha.
Izzy hesitou. Por um instante - só um - a garota de Mystics Falls voltou a existir.
Então o ar da cada se rompeu. Um símbolo púrpura surgiu na parede, queimando como ácido.
Freya apareceu na porta, pálida.
- Eles sabem quem voce é agora, Izzy. A Ordem do Véu declarou o ritual de correção.
Klaus se colocou ao lado dela imediatamente.
- O que significa?
Freya respirou fundo.
- Que para destruir Hope... Eles precisam do sangue da Guardiã.
O silêncio caiu como sentença.
Izzy fechou os olhos.
Quando os abriu, nao havia medo.
- Então vão ter que passar por mim.
Klaus sorriu, selvagem.
- Pela primeira vez, concordamos totalmente.
E em algum lugar entre Mystic Falls e Nova Orleans, o mundo antigo começou a se mover - poeque quando um Salvatore escolhe um lado, o inferno costuma seguir.
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A Guardiã
VampirosE se a história fosse diferente? E se as bruxas tivessem achado outro jeito de convencer Klaus Mikaelson a aceitar a filha e ficar em New Orleans. Pois bem, Izabelly Salvatore foi a chave para convencerem o híbrido egoista de que ele precisava ficar...
