Nova Orleans nunca esquece seus mortos. E jamais ignora aqueles que desafiam a própria morte.
A chuva deslizava pelas varandas do Quartel Francês quando Klaus Mikaelson observava a cidade do alto da sacada da antiga residência. A taça de bourbon repousada em sua mão como um hábito, não como uma necessidade. Seus olhos dourados refletiam algo além da noite - um inquietação profunda, quase ancestral.
- Ela sente - murmurou. - A cidade sabe que algo mudou.
- Mudou no momento em que nunca paramos de respirar. - respondeu Elijah, ajeitando as abotoaduras so terno com a precisão de sempre. - E no momento em que ela voltou com você.
Klaus sorriu de canto, sem negar.
Do corredor interno da casa, passos firmes ecoaram. Diferentes. Mais leves que os se um vampiro comum, mais silenciosos que os de um lobo em vigília.
Izabelly surgiu à meia-luz.
Os olhos dela - intensos, atentos, antigos demais para alguém que aparentava tão poucos anos - varreram o ambiente antes de pousarem em Klaus. Havia algo ali que não precisava ser dito: reconhecimento, laço, sobrevivência compartilhada.
Ela carregava Hope nos braços.
A menina dormia profundamente, protegida por símbolos discretos desenhados no piso de Izzy, pulsando suavemente com magia híbrida - nao herdada, mas ensinada.
- O Bayou está quieto - disse Izzy, com a voz firme. - As bruxas sentem algo se movendo. Algo que não responde à natureza... nem à morte.
Elijah inclinou a cabeça, respeitoso.
- Sempre vigilante. Como prometeu.
Izzy desviou o olhar para ele por um segundo.
- Como jurei.
Klaus se aproximou. Quando seus dedos tocaram o braço de Izzy, não houve fogo, nem medo - apenas uma conexão silenciosa, perigosa e profunda. logo que nem o tempo, nem o sacrifício, conseguiram quebrar.
- Hope dormiu? Não está grande demais para ser carregada? - Perguntou ele.
- Dormiu porque sabe que estamos aqui - Respondeu Izzy. - Mas isso não vai durar.
Antes que Klaus dissesse qualquer coisa, o ar da casa mudou. As velas apagaram. A magia se contraiu.
Izzy foi a primeira a reagir.
Em um movimento rápido, Hope já estava protegido atrás de um selo invisível, traçado no ar com sangue híbrido. Os olhos de Izzy brilharam - ambar e vermelho - vamoiro e lobo em perfeita sintonia.
- Não estamos sozinhos - Disse ela.
Das sombras uma figura emergiu. Símbolos antigos marcavan sua pele, pulsando em violeta. O sorriso era lento, calculado.
- A guardiã. - disse a mulher, observando Izzy com interesse. - Achei que fosse um mito. Uma híbrida criada não para governar... mas para proteger o que não pode morrer.
Klaus avançou um passo.
- Diga seu nome antes que eu arranque da sua garganta.
A estranha riu.
- Nomes perde valor quando se sobrevive ao fim do mundo, Niklaus. Mas você pode me chamar de Aquela que Esperou.
Els inclinou o olhar para Hope, sentindo o poder da criança mesmo adormecida.
- A volta de vocês quebrou a última barreira. A criança é a chave. E a híbrida... - seus olhos voltaram para Izzy - é o obstáculo.
Izzy ergueu o queixo, sem recuar.
- Então voce ja perdeu.
O silêncio se tornou pesado. A cidade parecereu conter o fôlego.
Klaus sorriu. Um sorriso perigoso, familiar.
- Ela não é apenas a guardia da minha filha - disse ele. - É o meu par. E Nova Orleans aprende rápido o que acontece com quem ameaça o que é meu.
O trovão explodiu no céu.
E, nas sombras da cidade algo antigo despertou. - faminto por poder, sangue.... e pela família Mikaelson inteira.
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A Guardiã
VampireE se a história fosse diferente? E se as bruxas tivessem achado outro jeito de convencer Klaus Mikaelson a aceitar a filha e ficar em New Orleans. Pois bem, Izabelly Salvatore foi a chave para convencerem o híbrido egoista de que ele precisava ficar...
