Harry pov
Era de se admirar a forma como a minha mãe conseguia ignorar seus problemas, pelo menos por fora.
Mudança de casa, viagens, uma felicidade muito exagerada que quem a conhece bem sabe que não combina muito, apesar de que eu desejo muito que ela fosse feliz.
Tudo seria diferente!
Me pego pensando todos os dias da minha vida como seria se ele ainda estivesse aqui, se ele ainda a amasse. Ninguém é tão seguro de si quanto aquele que sabe que é amado. Eu não a reconheço, mas tenho que morar no mesmo lar que uma estranha, porque entendo suas dores, porque não tenho coragem de questioná-la sabendo e entendendo sua dor.
– No que anda pensando? – Draco saía do banho com uma toalha enrolada na cintura.
Nos últimos dias sem mamãe e Drue aqui, tem sido apenas amassos, beijos e conchinha. Eu adoro, confesso!
– Não entendo como minha mãe, sendo prefeita, conseguiu arrumar tempo para fazer uma viagem – continuei encarando um ponto fixo na parede. – Tudo isso porque minha tia vai se casar.
Draco bufou, rebolando a toalha no canto, já vestido com sua cueca preta que muito me agradava.
– Claro! Sua mãe sempre quer fazer as coisas serem sobre ela.
– Não posso julgá-la!
– Você nunca fez mesmo! – continuou vestindo-se.
– Ela é minha mãe.
– A mulher que me largou para o meu avô criar porque priorizou seu trabalho, e detalhe, ela nem precisava de dinheiro. Ela só não queria a responsabilidade de criar um filho, e quando Delphini... – ele parou por um segundo, e eu o encarei curioso. – quando ela se foi, eles só tiveram mais certeza de que não queriam essa responsabilidade. Ah, e detalhe... ela é minha mãe!
Bufou, olhando-se no espelho, como se houvesse alguma imperfeição a ser reparada.
– Por que acredita que, com a morte de sua prima, sua mãe não iria querer você por perto? – levantei e fiquei atrás dele, encarando nosso reflexo no espelho.
Ele suspirou fundo.
– Já é difícil criar um filho, ainda mais um filho com problemas mentais – saiu da minha frente, abandonando meu reflexo. – Até hoje não sei dizer exatamente o que senti com sua partida, mas existem pessoas que são responsáveis por cuidar da nossa cabeça, e eles dizem algo sobre depressão.
Draco é muito forte.
Eu sinto o peso de seus sentimentos em suas palavras, mas ele consegue ser sério ao mencionar. Meu pai foi embora e eu quase choro ao lembrar que não aprendi a nadar porque não deu tempo.
– Acho que temos muitos problemas.
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Quando Granger ainda era minha amiga, costumava me levar para o letreiro de Hogwarts City, lá no alto da única serra da cidade, afastado de toda essa barulheira do centro, onde a cor verde predominava. Faz um tempo que não sei dizer como está lá. Draco estava entediado, e eu lembrei do único lugar aqui que quase ninguém liga de ir e que eu acho muito legal.
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Esse garoto me pertence
FanfictionQuando se está no terceiro ano do ensino médio tudo o que se quer é aproveitar, pelos menos era isso que Harry queria, porém, festas, bebidas e pegação estavam fora de seu alcance. Ele era um menino exemplar, assim como Lilian o criou. Isso não dura...
