I'm screwed!

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(POV NARRADOR)

Tinha se passado umas semanas depois da mensagem da Ariana para Billie.

O que começou como uma única mensagem curta ("Oi. Tom me contou que você foi no psiquiatra hoje. Espero que tenha sido... ok. Se quiser conversar sobre isso, eu tô aqui também. Sem pressão.") virou algo que nenhuma das duas esperava.

Elas voltaram a se falar todo dia.

Não era nada grandioso. Não eram declarações, não eram longas conversas emocionais. Eram pequenas coisas:

Bom dia com um emoji de sol.
"Consegui anotar a matéria de biologia hoje, quer que eu te mande?"
"Meu gesso tá coçando pra caralho."
"Eu quase surtei hoje na terapia. Você tava certa, às vezes ajuda mesmo."
"Te vi no corredor. Tá com cara de quem dormiu 3 horas."
"E dormi mesmo. Obrigada por notar."

Na escola, elas se esbarravam nos corredores e trocavam um "oi" que já não era mais desconfortável. Na rua, quando se trombavam por acaso, paravam pra conversar dois ou três minutos. No mercado, Billie ajudou Ariana a pegar uma caixa de cereal no alto da prateleira. Na saída da fisioterapia, Ariana mandou uma foto do gesso "novo", agora com mais desenhos do grupo.

Era pequeno. Era devagar. Era assustadoramente natural.

E Billie estava completamente ferrada.

Ela sabia disso.

Sentada na cama do quarto, de madrugada, olhando a última mensagem de Ariana ("Boa noite. Não surta hoje, tá?"), Billie deixou o celular cair no peito e cobriu o rosto com as mãos.

— Porra... — murmurou pra si mesma. — Eu tô' muito fodida.

Porque não era mais só culpa. Não era mais só vontade de consertar o que quebrou.

Era vontade de ver ela sorrir. De ouvir a risada baixa dela quando contava alguma besteira do grupo. De mandar mensagem só pra saber se ela tinha comido direito. De ficar preocupada quando Ariana dizia que o braço ainda doía.

E o pior: Billie sabia que ainda não merecia isso. Sabia que tinha feito muita merda. Sabia que Ariana ainda tinha medo dela em alguns dias. Sabia que estava indo ao psiquiatra duas vezes por semana pra tentar não explodir toda hora.

Mesmo assim... não conseguia parar.

Ela pegou o celular de novo e abriu a conversa.

Digitou e apagou três vezes.

No final, mandou só:

Billie: Boa noite, Ari.
Billie: Obrigada por ainda falar comigo.

Deixou o celular de lado, apagou a luz e ficou olhando pro teto escuro.

Ela estava ferrada.

Completamente, absurdamente, irremediavelmente ferrada.

Porque estava gostando da Ariana de novo. E dessa vez não era só atração ou curiosidade. Era algo mais quieto. Mais perigoso. Mais real.

E ela não sabia se ia conseguir esconder por muito mais tempo.

No dia seguinte, elas estavam conversando no portão do colégio.

Não era nada demais — só uma conversa leve sobre o novo desenho que Dinah tinha feito no gesso de Ariana, sobre como o braço ainda coçava à noite e sobre Billie ter dormido só quatro horas por causa da terapia da véspera. Era simples. Era... bom. As duas riam baixinho, sem pressão, sem brigas.

Até que Elizabeth chegou.

Ela veio andando rápido, já esticando a mão e puxando o braço bom de Ariana com uma naturalidade que não combinava com o tom da voz.

The Lost LoveOnde histórias criam vida. Descubra agora