(POV BILLIE E.)
Eu não consigo parar de pensar nela.
Não é só culpa, não é só pena, não é só raiva residual que eu ainda carrego como uma mochila velha. É algo mais confuso, mais vivo, mais irritante. Tipo uma música que você odeia, mas não sai da cabeça.
Ontem, depois da aula, eu fiquei olhando ela ir embora com o grupo. O gesso branco contrastando com o uniforme azul, o braço preso no sling como se fosse um aviso: "não encosta". Ela não olhou pra trás. Nem uma vez. E isso me deixou com uma sensação que eu não sei nomear. Raiva? Frustração? Saudade de algo que eu nem sei se existiu direito?
Eu fui pra casa e tentei esquecer. Liguei o som no máximo, corri na esteira até o corpo pedir arrego, tomei banho gelado. Nada. A imagem dela no chão do ginásio voltava. O som do crack. O jeito que ela recolheu a mão como se fosse explodir. O jeito que a Elizabeth chegou primeiro e me bloqueou como se eu fosse o perigo.
Eu não sou o perigo. Não mais.
Mas eu entendo por que ela acha que sou.
Porque eu fui.
Por muito tempo.
Eu me joguei na cama, olhando pro teto do quarto. O relógio marcava 23:47. Silêncio em casa. Só o barulho da minha respiração e o tique-taque idiota do despertador que eu nunca uso.
Pensei em mandar mensagem.
"Ei, como tá o braço?"
Apaguei.
"Elizabeth é um saco."
Apaguei.
"Você tá bem mesmo?"
Apaguei tudo.
Porque o que eu ia dizer depois? Que sinto falta? Que me preocupo? Que toda vez que vejo ela com o grupo eu sinto um buraco no peito que não explica? Que eu odeio que a Elizabeth tenha sido a pessoa que levou ela pro hospital, e não eu?
Que eu queria ter sido eu?
Não dá.
Ela não ia acreditar.
E eu não ia conseguir explicar.
Porque eu mesma não entendo.
Eu rolei na cama, peguei o celular de novo. Abri o Instagram dela sem pensar. Stories vazios. Última postagem: uma foto do gesso com estrelinhas desenhadas, legenda curta: "obrigada pela tripulação". As curtidas estavam subindo. Comentários de "força, capitã gancho", "você é foda", "te amo, girll".
Eu curti. Sem pensar. Dedo mais rápido que o cérebro.
Depois me arrependi na hora. Bloqueei a tela como se tivesse cometido crime.
Porra, Billie. Cresce.
Eu joguei o celular na mesinha de cabeceira, virei de lado e fechei os olhos. Mas não dormi.
Fiquei pensando nela.
No gesso.
Na dor que ela não mostra.
Na força que ela finge ter.
No jeito que ela olhou pra mim no corredor hoje, surpresa, medo, e... algo mais. Algo que parecia saudade, mas que eu não tenho direito de sentir.
Eu não tenho direito de sentir nada por ela.
Mas sinto.
E isso tá me matando devagar, porque eu sei que ela tá sofrendo. E eu sei que uma parte disso é culpa minha.
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The Lost Love
FanfictionBillie e Ariana, se encontram em uma situação inusitada. Billie é uma garota popular, capitã do time de futebol, e tem uma personalidade dominante, enquanto Ariana é uma garota mais reservada, que prefere passar seu tempo lendo e escrevendo poesias...
