(POV NARRADOR)
Depois do surto de raiva de Billie, ela teve que ser levada para a coordenação para liberarem a saída dela. O que deixou ela ainda mais brava. A irritação parecia crescer dentro do peito como uma onda que não conseguia conter.
Sentada na cadeira em frente à mesa do diretor Sink, Billie cruzava os braços com força, rosto vermelho, maxilar travado. Seu pai estava ao lado dela, quieto, mas claramente preocupado.
— Eu não vou pra casa, eu estou bem e consigo correr novamente. — Billie explicou, voz alta e cortante.
O diretor Sink manteve as mãos cruzadas sobre a mesa, expressão calma mas firme.
— Senhorita Eilish, seria melhor para você e seu pai. — disse ele, apontando para Patrick. — Tenho certeza que ele não gostaria de ver a filha dele machucada nesse nível novamente.
— Não quero mesmo, senhor Sink. — Patrick respondeu, olhando para a filha com preocupação genuína. — Vamos pra casa. Eu peço pra sua mãe ir lá e a gente cuida de você.
Billie, que já estava vermelha de raiva, explodiu de vez:
— EU NÃO QUERO VOLTAR PRA CASA, EU ESTOU BEM! — Os dois homens arregalaram os olhos com o volume da voz. — Eu vou voltar... pra merda do campo, tchau!
Ela se levantou com tudo da cadeira, pronta para sair porta afora.
— Billie Eilish Pirate Baird O'Connell! — Patrick chamou, voz firme e alta o suficiente para fazê-la travar no lugar.
Billie parou, ombros tensos, punhos cerrados. Ela odiava quando ele usava o nome completo.
— Vamos pra casa e ter uma conversa. — completou o pai, tom que não deixava espaço pra discussão.
Ela sabia que não podia insistir. Se falasse que ia voltar pro campo, o pai iria deixar ela de castigo por desobedecer. Mesmo que ele não fosse do tipo que gostava de punir, ele faria isso se achasse necessário.
— Obrigado, senhor Sink. Desculpe essa inconveniência. — Patrick disse, levantando-se e abrindo a porta, dando espaço para Billie passar na frente.
Ela saiu sem olhar pra trás, pisando duro.
— Pro carro, escutou, Eilish? — o pai falou assim que saíram da coordenação.
— Sim, pai... — murmurou ela, voz baixa, derrotada.
A vontade de chorar veio instantânea, como se alguém tivesse virado uma chave dentro dela. Um minuto atrás ela explodia em raiva pura, agora sentia as lágrimas queimando nos olhos, o peito apertado, vontade de se encolher e sumir.
Enquanto caminhava pro estacionamento ao lado do pai, Billie pensou:
"Bipolaridade?"
Possivelmente poderia ser o caso dela. Porque sempre que estava feliz ou tranquila, qualquer coisa mínima a irritava até o extremo. E quando a raiva passava... vinha essa tristeza pesada, essa vontade absurda de chorar por tudo.
Ela entrou no carro em silêncio, encostou a testa na janela fria e deixou as lágrimas caírem quietas, sem fazer barulho.
Patrick ligou o motor, olhou pra ela de canto, mas não disse nada. Apenas dirigiu pra casa, respeitando o silêncio dela.
Billie fechou os olhos.
Talvez fosse hora de parar de fingir que estava tudo bem.
(POV BILLIE E.)
O caminho até em casa foi silencioso demais.
Meu pai dirigia sem colocar música, o que era raro. Ele só olhava pra frente, mãos firmes no volante, de vez em quando me lançando um olhar rápido. Eu estava encostada na janela do passageiro, testa contra o vidro frio, tentando segurar as lágrimas que insistiam em cair. A dor entre as pernas ainda latejava, mas agora era secundária. O que doía mais era o turbilhão dentro da minha cabeça.
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Lost Love
FanfictionBillie e Ariana, se encontram em uma situação inusitada. Billie é uma garota popular, capitã do time de futebol, e tem uma personalidade dominante, enquanto Ariana é uma garota mais reservada, que prefere passar seu tempo lendo e escrevendo poesias...
