Aviso: Este capítulo aborda temas sensíveis, incluindo perda gestacional (aborto espontâneo), sangue, luto, crise de ansiedade, sofrimento psicológico intenso, abuso e manipulação psicológica, violência em contexto de guerra, culpa e trauma.
Caso algum desses temas seja sensível para você, leia com cautela e priorize o seu bem-estar.
Sasuke se sentia consternado, o papel em sua mão era uma mentira escancarada sobre o casamento deles nesta dimensão. Frustrado pela sua postura depreciativa, ele se encostou na cadeira, fechando os olhos para lidar com as memórias que lhe transpunham. Porém, só o ato de fechar seus olhos era vergonhoso para si, ele vagava por uma mente que não parecia sua, pulando de cena em cena de uma vida não vivida.
As memórias desse Sasuke eram agridoces, um embaraçado de momentos bons e ruins. Claro que, em sua vida, ele também tivera memórias boas e ruins ao decorrer de sua trajetória, entretanto, aqui havia um amontoado de memórias boas e ruins ao lado de Sakura, em uma quantidade maior do que as suas próprias. Todavia, Sasuke considerava que todo esse quantitativo estava atrelado a três coisas específicas: sua vida regular em Konoha, dez anos a mais vividos e por último, mas não menos importante, um casamento.
Seria ignorância de sua parte ponderar que ele não se tornou um ninja renegado nesta realidade, vivendo sua infância, adolescência e vida adulta de maneira comum, palavra a qual ele poderia inserir entre aspas. Sasuke não era capaz de deter todo um arcabouço de lembranças infinitas, mas as que tinha acesso já eram suficientes para organizar uma linha do tempo espaçada entre os anos de sua vida.
Com essas peças soltas em sua mente, ele decide alinhá-las junto a Sakura, podendo utilizar os documentos que encontrou no escritório, dessa forma ele se retira do cômodo com o intuito de achá-la, seguindo em direção às escadas, um flash toma conta de seus olhos.
***
Os dias se arrastaram de forma vagarosa, alternando entre noites de vigília e jornadas inteiras de caminhada sob sóis inclementes e ventos que cortavam o rosto. Após 18 luas, Sasuke agora retornava a Konoha, fazia tanto tempo que partira que quase esquecera a sensação dos próprios lençóis, o cheiro de madeira envelhecida de sua casa e o som costumeiro dos passos leves de Sakura pela manhã.
Havia deixado sua casa, sua esposa e seu futuro filho em uma manhã fria, partindo em direção aos mares distantes até alcançar o País das Águas, a missão que lhe fora confiada não possuía grande dificuldade, estava responsável por colher apenas informações sobre um pequeno grupo de mercenários que espreitava as terras do fogo e que, segundo relatos recebidos, agora seguia em direção à divisa do oceano. Era apenas mais um trabalho de observação e paciência, nada que exigisse de Sasuke a empunhadura de sua katana, mas que, pela distância a ser percorrida e o tempo de vigília necessário, consumiria longos dias de sua vida longe de tudo o que considerava seu.
Sua única expectativa era de que não houvessem batalhas a serem travadas, e fora exatamente isso que conseguiria alcançar, conseguiu captar todas as informações devidas sem que fosse descoberto. Quando seus pés finalmente tocaram o solo úmido de Konohagakure, um alívio silencioso tomou conta de si, mesclando-se ao cansaço que tinha se acumulado em cada músculo de seu corpo.
Como orientado, antes de seguir de vez para o conforto silencioso de seu lar, encaminhou-se ao centro de operações da ANBU para dispensar os pergaminhos com o relatório completo. Esse tipo de caso não pertencia à organização pela qual seu clã era responsável, as ameaças que envolviam as fronteiras estavam acima do que cabia aos membros da força policial Uchiha, entretanto, Sasuke era um oficial vinculado a ambas instituições e por isso assumia certas missões. Entregou os documentos e trocou poucas palavras protocolares com os jounins de platão e, sem se alongar em explicações desnecessárias ou conversas fiadas, retomou o caminho para casa.
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Fanfiction//Conteúdo +18// "O sentimento de se sentir parte de algum lugar, mesmo não estando exatamente em casa." Aquelas palavras proferidas por Sakura nunca fizeram tanto sentido quanto naquele momento. Após um ano afastado das dependências de Konoha, Sasu...
