A Agonia

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Quando chegaram em casa naquela noite, Sasuke ficou encarregado mais uma vez de lidar com Raiden e Daichi, enquanto Sakura se responsabilizou por Ai. E assim fizeram, enquanto ele monitorava a escovação dos dentes pós banho, Sakura banhou e agasalhou Ai, por fim desceu a cozinha com ela no colo para preparar uma mamadeira morna, a qual já havia sido solicitado pela pequena com antecedência.

Quando subiram de volta para o quarto, Sakura carregava consigo uma mamadeira em mãos, uma criança em seu colo e o diário debaixo do braço, que antes havia sido depositado e esquecido sobre a mesa. Sentada na poltrona localizada no canto do quarto, Sakura acalentou Ai em seu colo enquanto a mesma consumia até a última gota de sua mamadeira, estava cedendo ao sono com aquela rendição gradual característica de crianças que lutam contra ele, com os olhos piscando cada vez mais devagar até ficarem fechados de vez, e Sakura ficou ali com ela assim mesmo, sem transferir para o berço ainda, com o peso pequeno e quente da filha no colo e a meia luz amarelada do abajur, criando aquela atmosfera que existe apenas em quartos de criança à noite.

O diário, que havia escorrido de seu braço assim que sentou-se na poltrona, estava preso no pequeno e acolchoado vão entre o assento e do apoio para o braço, ela o catou sem exercer muitos movimentos e o abriu onde havia deixado marcado.

"Depois daquela conversa de domingo as coisas mudaram de uma forma que não sou capaz de descrever, não quero que isso saia como uma reclamação, e não é uma reclamação, ou é, mas é mais complicado que isso.

Sasuke anda me procurando com mais frequência nas noites que está em casa, não mudou a forma ou a qualidade de atenção que ele coloca naquilo, continua sendo ele da mesma forma que sempre foi ele, e o problema não é isso, o problema é o que mudou na minha cabeça.

O que antes era um momento nosso, particular, sem dever nada a ninguém além de nós dois, passou a ter um peso diferente depois daquele domingo, como se a conversa sobre o primeiro filho houvesse entrado naquele espaço e ficado lá, e agora quando ele se aproxima há uma parte de mim que não consegue não pensar no que está por baixo disso. E esse ato de fertilização, que deveria ter sido nada mais para mim do que uma abelha, é para uma flor, se tornou indecoroso, uma embaraçosa violação da decência, algo que não era antes.

E isso me incomoda de uma forma que não sei bem o que fazer com ela, nos dias em que ele sai para missão, acordo com um alívio que me envergonha, não porque ele foi mas porque assim não preciso lidar com isso por um tempo, um longo tempo às vezes.

Que pensamento horrível de se ter sobre o próprio marido."

Ela virou a página.

"Ele ficou fora por 3 semanas, em uma missão de reconhecimento de área. Aproveitei esse tempo para me dedicar única e exclusivamente ao hospital.

Quando retornou, dias depois, houve uma reunião do clã. Aquelas típicas que ocorrem trimestralmente, com o intuito de comemorar os avanços do cã pós guerra, onde todos os shinobis e unicamente os shinobis se reúnem para ouvir e concordar com que o conselho trás, e além dos shinobis, suas esposas que estão redondas de tão grávidas e seus filhos que são considerados o futuro de tudo que anda sendo construído.

Não foi a primeira vez que ouvi, e não há de ser a última. Os burburinhos que rondam meu nome e, o que coloco em muitas aspas, a minha posição como esposa de um dos herdeiros do líder do clã, mas desta vez foi diferente porque estava próxima o suficiente para que não houvesse como fingir que não havia ouvido.

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