Capítulo 08

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Jéssica

Olho o relógio no meu pulso, ouvindo a voz do meu pai. Um suspiro fundo sai do fundo do meu pulmão. É nossa segunda discussão em um dia.

— Minha personalidade de antes não é a mesma de hoje, eu mudei, Jéssica.

Ele me olha enquanto minha mãe olha em nossa direção, sem nenhuma ação, como se já soubesse que um dia isso aconteceria.

— Eu sei que errei feio... Nunca fui um dos melhores maridos, mas por você e sua irmã eu abandonei a vida de usuário de drogas. Segui um caminho diferente e um propósito para honrar vocês. Sabe o que ganho em troca? Minha filha mais velha transando com um bandido.

– Você... — Ele corta minha fala.

— Eu não quero o pior pra ela, assim como pra tu, mas sei que sua irmã não tem mais volta...

— Pai... Você está desviando de um assunto para o outro.

— Já deu! — Minha mãe aumenta o tom. — Seu pai era um rapaz com dependência às drogas, fez contas com um dos traficantes, mas já está tudo resolvido, não está?

Meu pai me encara.

— Eu mudei, filha.

Não ergo minha voz, não digo nada pra ele além de concordar. Eu aprendi a ser assim.

— Jéssica?— Sua voz me desperta mais uma vez quando me levanto. — Eu não quero você muito próxima da Jasmim, ela vai...

— Não, ela é minha irmã. Qual foi, pai. — Abro meus dois braços. — Minha única melhor amiga, você fez a merda de afastá-la. Agora quer me afastar da minha própria irmã?

— Sua irmã deixou claro que não se importa com a família. — Suspiro forte. — Jéssica, você não é assim. Está contraindo as minhas palavras?

— Cansei de obedecer suas falas... — me retiro da sala caminhando na direção do meu quarto.

— Isso acontece quando confiamos nessas garotas — a voz do meu pai ainda é ouvida.

— Depois eu converso com ela. — Minha mãe avisa.

Sempre será dessa forma a minha convivência com meus pais. Bato a porta do meu quarto, mas sou surpreendida com a minha mãe abrindo a porta logo em seguida.

– O que foi? — Encaro seu rosto.

— Precisamos conversar — rolo os olhos.

— Fala.

— Você não pode falar dessa maneira com o seu pai.

– Sério mãe? Deixa isso pra depois, caralho. — Sussurro a última palavra, mas seus olhos arregalam imediatamente.

— Meu Jesus, sangue do meu pai, tenha piedade — coloca as duas mãos no rosto.

Fico em silêncio sabendo que ela está estressada e qualquer palavra saindo da minha boca, ela irá descontar.

(...)

Releio a mensagem novamente na tela do meu celular.

Jasmim: Churrasco hoje na "minha" goma, quero você aqui, vai brotar vários.

São exatamente nove horas da noite. Pelo fato dos meus pais dormirem cedo, eu estou deitada. Porém, não consigo dormir de forma alguma, na cama e olhando o teto escuro.

Esse churrasco não sai da minha cabeça. Eu tento me concentrar para dormir, mas é em vão quando sento na cama. Solto um longo suspiro.

— Que caralho. — Tiro minha manta, levantando.

Vou na direção do meu guarda-roupa, abrindo e pego alguma peça de roupa. Calça jeans e uma saia que fica um pouco acima do joelho na cor preta e uma camisa social feminina com um pequeno decote.

Depois de vestir, solto meus fios cacheados, deixando-os caídos sobre meu ombro. Jogo um perfume, calçando a minha sandália. Antes de sair escondido, eu pego minha bolsa, colocando meu celular. Em passos calmos, sem fazer barulho, caminho na direção da saída da porta.

Primeira vez é tudo!

Assim, que eu coloco o pé para fora de casa, respiro aliviada. Sair foi fácil, eu quero ver para voltar.

Depois de um tempo andando, paro em frente ao portão da casa de Jasmine que toca uma música de apologia ao crime. Meus passos são rápidos pela escada, quando piso sobre o chão do segundo andar, na lage, Jasmim me olha.

— Não acredito. — Vem na minha direção. — Essa saia, eu em!

— Está bonita. — Reclamo.

— Amor, vem aqui! — Olho na direção que um rapaz está sentado ao lado de outro homens, ele se levanta e começa a vir na nossa direção. — Essa aqui é minha irmã.

— Satisfação, G4!— Abro um sorriso.

— Jéssica.

— Não deveria ter chamado aqueles pela saco — reclama pra minha irmã.

— Patatá é namorado da sua irmã. — eles sussurram entre si.

Guerreiro, como se eu não soubesse que ele estaria aqui com seus amigos, porém, ele ainda não me avistou. Bom, ainda. Seu semblante sério, maxilar levemente travado e boné preto na cabeça. Não sei dizer, mas eu acho ele gostoso...

Com algumas conversas com minha irmã e o namorado, eu aceito o copo de bebida que ele me oferece. Quando nos aproximamos da roda, cada um sentado na sua cadeira, sinto a atenção na minha direção.

— Essa aqui é a minha irmã — Jasmim avisa.

Ergo meu olhar imediatamente na direção do único homem que chama minha atenção, Guerreiro. Seus olhos estreitos e sem brilho algum, vagam por meu corpo.

— Oi, boa noite — tento soar o mais firme possível.

— Quanto tempo, amiga. — Do colo do Patatá, Simone acena.

— Oi, desculpa por ter me afastado.

— Relaxa, sua irmã me disse sobre seu pai.

Simone e eu nos conhecemos desde o colegial, nossa amizade se fortaleceu, mas meu pai me privou de andar com ela e acabamos nos afastando.

— Bom, esse aqui é meu... — Simone é cortada.

— Namorado! Satisfação, Patatá. — Abro um sorriso.

— Esse é o Ratinho... — Simone apresenta. Ratinho me olha, fazendo um jóia. — E esse é o Guerreiro.

Meu corpo ferve por inteiro. Nossos olhares se encontram, ele não fala e não faz nenhum sinal de cumprimento. Apenas nossos olhares trocados são o suficiente para notar o clima tenso.

— Hoje a noite promete! — Jasmim grita, fazendo minha atenção se mover até ela.

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