Dez

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Jéssica

Tiro meu olhar dos olhos do Guerreiro e encaro o chão, envergonhada. O fervor se expande por minhas bochechas pela vergonha.

– Mas... aqui? — Encaro-o novamente.

— Col foi, tô gastando contigo, mané. — nega sério com um aceno.

— Gastando?

— Esquece... Esquece!

Se antes eu estava envergonhada, agora fiquei pior. Não sei o que falar, apenas desvio o olhar para o chão, mesmo que esse filho da puta continue a me olhar.

Pela primeira vez fico triste por saber que não vai rolar nada, afinal, eu também não posso deixar rolar nada! Ficamos em silêncio por alguns minutos.

Saio dos meus pensamentos com meu celular tocando, logo na tela estava o nome da minha mãe.

– Oi...

— Oi? Oi uma merda, Jéssica. — o tom de voz dela é rude.

– O que foi?

— Eu quero você em casa, agora!

Como uma escola de samba meu coração se encontra. Principalmente quando ela encerra na minha cara. Não estou preparada para ouvir os xingamentos dos meus pais.

— Vou meter o pé, fé. — A voz rouca ao meu lado alerta.

– Tchau... — Murmuro, abaixando meu celular.

Quando seu corpo másculo atravessa a saída, respiro um pouco aliviada. Meu Jesus, que tensão que paira sobre o ambiente.

(...)

— Desde quando você sai escondido de casa, Jéssica? — A voz alta invade minha audição quando entro em casa.

Meu pai se aproxima rapidamente do meu corpo, como uma autoridade dela, agarrando meu braço fortemente.

— Pai...

— Agora é pai, agora é pai... — Nega, soltando uma risada irônica.

— Olha minha idade, eu sei o que faço! — aumento o tom de voz.

— Jéssica, Jéssica...Seu conceito desceu comigo, vai para o quarto! — Me encara com a expressão raivosa. — Vai antes que eu faça algum tipo de merda com você.

Prendo minha respiração no fundo do meu pulmão, ouvindo-o. Desde criança eu tenho medo do meu pai, a forma que ele age diz muito o tipo de criação que eu e minha irmã aprendemos. É obrigatório obedecê-lo. Já minha irmã preferiu ser a ovelha negra da família, a que sempre causou discussões entre ela e meus pais.

Não espero um surto pior do meu pai, caminhando diretamente para o meu quarto.

— Se eu descobrir que está igual sua irmã sentando pra bandido, você vai apanhar muito. Tudo que ela não sofreu, você irá sofrer.

Finjo não ter ouvido sua frase e caminho para a minha cama, deitando-me.

Desde o princípio meu pai deixa claro que não podemos nos divertir, nem em festas e com amizades, por mais que eu tento entender o lado dele, isso é algo cansativo! Me privo de muitas coisas desde muito nova, principalmente me relacionar com alguém.

Depois de muito tempo com esses pensamentos eu acabei me pegando no sono.

Dia seguinte...

— Que babado, amiga. — Simone fala.

De manhã vim para a casa da minha irmã, por coincidência, Simone estava aqui. Então não consegui segurar e comecei a conversar sobre a mini discussão com meu pai.

— Tudo aconteceu como eu não pensei, quero sair mais, isso está me deixando aflita. — Admito.

— Eu falei pra você que não dá pra viver com o nosso pai. — Jasmim fala e respira fundo. — O pai é muito rígido.

— Agora mudando de assunto... Tá envolvida com algum bandido? — Simone questiona.

Nego seriamente.

— E aquele lá? — Se refere ao Guerreiro. Elas se entreolham.

— Não! Não estou ficando com ninguém, quem dirá alguém envolvido.

— Tudo bem... — Jasmim dá de ombros. — Agora quem topa fazer um brigadeiro daquele?

— Vamos! — Simone se empolga.

As duas saem em direção a cozinha, enquanto me mantenho sentada no sofá. Alguns minutos depois, ouço o barulho do meu celular vibrando em várias mensagens seguidas.

021xxx: E ai... Salva meu número!

Guerreiro aqui.

Jéssica: Onde pegou meu número?

Guerreiro: Sem tempo, mermão.

Não interessa, crente.

– Filha da puta! — Murmuro, revirando os olhos. — Eu senti desejo por você, desgraçado.

Abro a foto do perfil dele que está com várias mulheres do lado, uma das mulheres é aquela Marcela.

— Desejos? — Bloqueio a tela do celular quando Jasmim entra na sala.

— Desejos? Que desejos?

— Você acabou de falar aí.

— Não falei nada — minto.

— Sei... Vem me ajudar a fazer brigadeiros! Acha que vai apenas comer?

Antes de sair para a cozinha, olho para a barra de notificações.

Guerreiro: Quero tu na base 02 assim às nove horas.

Ler essa mensagem me causa uma certa queimação no estômago como nunca antes. Estou me odiando por desejá-lo.

Amor BandidoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora