Capítulo 09

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Jéssica

— Não quer mesmo? — Simone ri assim que a frase escapa do seus lábios, oferecendo o cigarro de maconha.

Nego séria.

— Ela é crente, amor... — Ouço o deboche do Patatá enquanto me ajeito na cadeira.

As conversas deles me deixa realmente desconfortável, não consigo explicar o quanto isso me deixa com vergonha. Não é pela minha religião, e sim por saber que fumar um baseado causará consequências no futuro.

Todos fazem piadas, menos o cara sério e posturado, Guerreiro, ele encara absolutamente calado. Seu semblante é neutro. Estudo ele disfarçadamente: sua camiseta envolve dos bíceps e marca seus músculos.

— Tú é muito certinha, a vida é curta demais pra viver o certo. — Mais uma vez Patatá ironiza. Respiro forte.

— Deixa a mina, viu que ela não quer, mané... — Ratinho corta a onda de imediato.

— É aquelas mulheres que se guardam pro marido, tá ligado? — Para mim foi a gota ouvir essa última piada do Patatá.

Me levanto da cadeira, com raiva.

— Eu vou ao banheiro.

Caminho em direção a escada e desço, mesmo com a atenção de todos da mesa na minha direção, tento me manter segura. O corredor de alguma forma acalmou meus nervos por estar afastada deles agora. Desvio o caminho do banheiro, atravessando o corredor e saio diretamente na varanda. Algumas cadeiras de madeira ambientalizam o local. Me sento em uma delas.

Por mais que eu queira fazer diferente, eu não consigo, não sair totalmente da igreja. Me sinto realmente desconfortável com qualquer tipo de pessoa que tenta uma aproximação. A minha timidez é extremamente grande nas minhas ações.

Ela piora na medida que algumas pessoas me tratam diferente. Por muito tempo me perguntei se a criação dos meus pais são realmente desnecessária para a minha vida.

Espanto meus pensamentos quando ouço o barulho de tênis invadindo o local onde estou. O perfume masculino me desperta uma sensação estranha. Viro-me na direção da saída da casa, me deparo com o olhar sério do Guerreiro na minha direção.

— Oi... — Sussurro..

— Posso? — Se aproxima, apontando para a cadeira, dou de ombros desviando meu olhar. — Cadê seu namoradinho? — Sua voz grossa fica mais próxima quando ele se senta ao meu lado.

— Namoradinho? — Franzo as sobrancelhas. Seus olhos castanhos escuros me fitam. — Ele não é meu namorado, é apenas um amigo.

— Hm. — Diz, ríspido.

Confesso que tê-lo por perto me deixa estranhamente estranha. O silêncio entre nós dois reina, ouvindo apenas o barulho na Laje.

— Tu é amigo do G4? — Puxo assunto.

— Quer saber pra quê? — Arregalo os olhos enquanto encara o seu rosto sério.

— Jesus — sussurro. — Que mal humor. É somente uma pergunta.

— Conheço ele. — Dá de ombros, coçando a barba levemente.

Seus olhos me analisam vagarosamente. Ele deixa que sua língua percorra por seus lábios de forma que ele fica mais sedutor do que já é. Seu olhar parece me imaginar sem nenhuma peça de roupa. Não resisto e retribuo a ação pela primeira vez para um homem, estudando-o: Seu boné deixa seu maxilar sério. Uma bermuda leve marca um volume por baixo da cueca.

Não olha, Jéssica. Não olha...

Tarde demais.

Se é um volume grande estando mole, imagina duro?

— Quer ficar apenas olhando? Pode tocar, pô. — Ergo meu olhar rapidamente.

— Tocar?

Não quero admitir, mas eu sinto meu coração em um batimento forte e um formigamento entre minhas pernas pela primeira vez. Eu não me vejo nesse corpo que está prestes a querer um prazer carnal, mas admito que o desejo é impossível de controlar.

Amor BandidoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora