1| Capítulo

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Henrique

Estava correndo junto a meu parceiro por entre as árvores, riamos e comemorávamos mais um furto bem sucedido. Não nos leve a mal, mas nessa sociedade em que vivemos o único
caminho é roubar se não quiser morrer de fome, não que fossemos vagabundos desempregados por vontade própria, mas as pessoas não costumam confiar em gente como nós separados quem dirá em duplas. Quando eu digo "como nós" quero especificar a minha raça e a do meu amigo no nosso caso em especial, pois vampiros órfãos como o Pietro são considerados párias da sociedade e lobisomens exilados como eu representam uma vergonha a raça de licantropos, sendo assim não nos resta muitas outras opções.

Viu como não fazemos esse tipo de coisa por vontade própria? É apenas necessidade, afinal também somos filhos de Deus... eu acho.

Tínhamos conseguido dublar a segurança da casa de uma madame rica e corríamos desde então para o mais distante possível do local.

_ Aí cara, queria poder ver a cara da madame quando não encontrar suas belas joias. _ Disse Pietro, meu amigo, segurando um precioso colar de diamantes negros sorrindo enquanto pulava de um galho da árvore em que estava pousando agilmente no chão sem parar a corrida.

_Guarda isso seu doido! Quer que mais alguém veja? _Digo ofegante me aproximando ao pular uma raíz que estava em meu caminho.

_No meio do nada? Ninguém vai ver isso dentro dessa floresta! _ Ele ri, mas guarda a peça junto às outras dentro do saco que carregava.

Depois de algum tempo correndo encontramos um lugar seguro e paramos para descansar, sentamos lado a lado no chão com as costas apoiadas em um árvore grossa para comer algo que furtamos junto com a jóia, ou pelo menos eu comia ja que Pietro é um vampiro.

_Quanto você acha que pagarão por isso? _Pergunta Pietro me entregando um pão de frutas.

_Bastante. Esse tipo de jóia é muito rara. _Respondo franzindo o nariz ao olhar o pão, preferia algo mais carnívoro se é que me entende, mas é o que tem pra hoje então dou de ombros e como um pedaço do pão.

_Acho melhor vendermos na capital onde o preço é maior e a fonte não interessa. _Ouço-o dizer enquanto observa o colar em suas mãos.

_Mas precisamos de roupas mais apresentáveis, essas estão um horror. _ Rio concordando com ele colocando o último pedaço de pão na boca.

Estávamos vestidos ambos com calças de tecido bege, apenas que eu as tinha dobrado um pouco abaixo dos joelhos para não me atrapalhar na corrida pela floresta, estávamos descalços -na verdade eu estava, mas isso são detalhes- ele usava uma camisa preta por dentro da calça de mangas longas dobradas até a base do cotovelo com a gola em corte "V" e eu usava uma camisa branca solta - que era bom para esconder uma faca em meu quadril não que eu precise, mas nunca se sabe - de mangas longas e desabotoadas nos pulsos com uns botões abertos no meu peito mostrando a marca do exílio na minha clavícula. Ou seja, éramos a imagem do desleixo. Pietro ainda estava um pouco mais apresentável do que eu que como ele gosta de me intitular "pareço um selvagem", mas não tenho culpa eu sou um lobisomem é meio que natural ser meio selvagem.

_Tem razão, precisamos arranjar roupas novas. A questão é, como? _Comento pegando uma garrafa de água dentro do saco que estava com Pietro e abro bebendo.

_Fácil! Esperamos algum riquinho passar de carruagem e pegamos suas roupas. _Deu de ombros guardando a jóia.

As vezes acho graça no modo despreocupado com o qual ele encara as coisas.

_E como acha que faremos isso em espertalhão? Se esquece que essa gente anda protegida? E mesmo que conseguíssemos encontrar alguém, qual seria a probabilidade da nossa "vítima" não ser nenhum sobrenatural heim? Não estamos do lado natural da barreira. _Digo o fazendo repensar o seu plano completamente sem fundamento.

_Ou... _Ele me olha e da um sorriso sacana. Percebo neste momento que aquele vampiro sem vergonha tinha uma ideia nada santa rondando sua cabeça.

_Podemos pedir ajuda as "donzelas" em troca de diversão. _ Ouço sua gargalhada quando propõe tal coisa.

"Donzelas" é o termo usado para as meretrizes da região, e por mais que não queira considero essa ideia, pois não estávamos em situação para comprar nada.

_Pietro, sabe que eu não acho isso certo. _Digo o olhando sabendo que ele não deu a mínima para o meu comentário.

_Não vamos fazer nada contra a lei dessa vez, então deixe de ser estraga prazeres. Afinal, são mulheres e não seria nenhum desafio agrada-las em troca de um favor, na verdade seria até satisfatório para ambos os lados já que certa pessoa está passando uma seca braba! _Dou um soco no ombro de Pietro que continua a gargalhar como se fosse morrer a qualquer momento.

Reviro os olhos e suspiro finalmente aceitando sua ideia, tinha pensado nos prós e contras e nenhum tinham me parecidos satisfatórios, mas era uma necessidade e eu não tinha o luxo de escolher.

Após a breve pausa continuamos nosso caminho agora andando com a promessa de passar na "Casa dos Sonhos" de madame Margareth e visitar suas meninas.

Criada para matarOnde histórias criam vida. Descubra agora