1. Hirunna - De volta à cidade

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Cheguei na cidade 4 dias antes do início às aulas. 

Quando fui à escola me surpreendi, o diretor me conhecia. Sabia quem eu era, e conhecia meus pais. Aliás, eles realmente cuidaram de tudo. Minha vaga já estava lá, só me esperando.
Ele foi muito gentil comigo e perguntou se tinha acontecido "a tragédia". E eu assenti, o que mais poderia dizer?

Ele ofereceu suas lamentações, disse que eu poderia contar com ele sempre e que qualquer ajuda seria oferecida por ele. Ele também me contou que eu tinha uma conta no banco.

Mais dinheiro... Eu trocaria todo o dinheiro do mundo para ter meu pais de volta.

Eu disse que não precisava, o que eu tinha desde o acontecido ainda estava sobrando e dias depois que abri o cofre encontrei outro em um fundo falso dentro da árvore. Nunca toquei no dinheiro do segundo, e depois de todos aqueles anos eu só consegui gastar dois terços do que tinha no cofre.

- De onde meus pais tiraram tanto dinheiro? - não consegui me segurar, era realmente muito dinheiro.

- Seus pais eram boas pessoas, se é nisso que está pensando. Eles apenas juntaram o que conseguiam com a herança de sua família, que como você deve saber, não é pequena. - Assenti. Minha família, tinha mesmo que ter algo a ver com ela.

- Já arranjou um lugar onde morar?

- Hum... Pra falar a verdade vou fazer isso assim que sair daqui.

- Seus pais deixaram uma casa pra você. - Fiquei chocada. Como eles poderiam ter feito tanta coisa sendo que eu mal os via longe de mim? Por quê? Será que eles já sabiam que aquilo iria acontecer? - Quer ver?

- C-claro.

A casa ficava não muito longe da escola e era enorme. Pelo menos para alguém morar lá sozinho.

Assim que entrei, ele me entregou a chave da casa e uma outra junto que mais tarde com certeza eu descobriria pra onde ela serviria.

Enquanto eu olhava a casa ele ficou na porta. Quando finalmente me voltei para ele lembrei de algo em seu rosto.

- Você! Eu me lembro de você! Um dia, quando eu era pequena você foi à nossa casa. - Ele sorriu fazendo com que eu tivesse certeza de que era ele, aquele sorriso era típico mesmo dele. - Foi você quem me levou até a casa da árvore pela primeira vez.

- Fico feliz que se lembre de mim depois de tantos anos. - Comenta sorrindo ainda mais.

- Porque você sumiu, Tio? - Ele não é meu tio de verdade, mas naquele momento lembrei que desde pequena o chamava assim.

- Foi preciso. - Falou simplesmente

- Você podia ter ido me visitar. Todos esses anos, sozinha... - Me lamentei lembrando-me dos meus piores dias de solidão em que até pensava em do desistir de tudo.

- Não sabia nem se você estava viva, querida. E eu preferi não intervir. Quando eu ia lá você estava sempre treinando ou estudando. Fiquei "sabendo" só há três anos atrás quando a vi comprando comida. Quase que não a reconheci, você estava com o cabelo tão grande... Aliás, por que o cortou?

- Era muito grande. - Lá eu não precisava me preocupar com essas coisas de beleza e nem nada, já aqui eu duvido muito que vou conseguir passar despercebida da forma desleixada que eu sempre estava. - Nem cortei tão curto assim.

- Mas você também estava linda com o cabelo daquele tamanho.

- Obrigada, mas realmente é mais prático agora que vou ter que arrumá-lo quase todos os dias para ir para a escola.

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