O U I J A

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– É pessoal, eu, Emily Schade estou totalmente acabada, primeiro que.. minha irmãzinha Claire de 8 anos não sobreviveu. Isso mesmo, ela morreu hoje. Eu já me demiti do meu emprego, não há mais motivos para eu trabalhar lá, eu já não sei mais o que fazer –Eu falava com a câmera apontada para mim – Daqui à pouco vai acontecer o enterro dela, mas eu acho que não vou.. não estou preparada para me despedir, não quero ter que dizer adeus –Senti minha garganta queimar, as lágrimas escorreram pelo meu rosto – Eu sinto falta dela.. Me perdoa Claire..

Eu desliguei a câmera e sentei na antiga cama da Claire, seu ursinho estava caído no chão, peguei e o abracei, ainda conseguia sentir seu cheiro nele, isso foi o suficiente pra me fazer desabar, permiti que todo aquele sentimento de culpa me dominasse e me afundei nas minhas próprias lágrimas. Era tudo minha culpa, eu nunca devia ter começado a ler aquele livro, se arrependimento matasse eu já estaria em decomposição. Ouvi a porta do quarto abrir e logo depois o Hayden entrou.

  – É.. Emily.. Sua mãe está chamando.. Só falta você.. –Ele parecia nervoso e triste ao mesmo tempo – Estou te atrapalhando em alguma coisa?

– Não.. –Minha voz falhou e eu respirei fundo – Fala com a minha mãe.. Avisa a ela que eu não vou, não estou em condições..

– Ok –Ele assentiu– Quer que eu fique e te faça companhia?

– Ah, não precisa, obrigado –Sorri fraco, eu estava totalmente envergonhada   

Ele assentiu novamente e saiu. Continuei no quarto da Claire até ter certeza que todos haviam saído, peguei meu casaco e liguei a câmera novamente. Eu sai de casa e andei pela neve até uma casa na árvore, subi. O local era velho e tinha vários jornais, corpos de bonecas queimados, cutelos e bonecas decapitadas.

– Eu nunca vim aqui, era onde Claire gostava de brincar. Desde que tomou os remédios, o local foi mudando –Eu fiz uma pausa, olhando o ambiente em volta – Mas hoje á noite eu vou fazer um ritual aqui com Mason e com o Hayden –Abri o armário da casinha e puxei uma tábua ouija de lá – Já sabem o que vou fazer..

[...]

O local estava preparado para o jogo da tábua ouija. Eu coloquei uma foto da Claire ao lado da tábua e fizemos uma oração em voz alta.

– Hoje nós falaremos com a Claire, vamos descobrir por que ela estava tão amargurada quando estava viva –Coloquei a câmera em cima de uma cômoda, colocamos o dedo no indicador  – Quem está ai?

C-L-A-I-R-E.

– É a Claire –Hayden sussurrou

– Querida, por que você estava tão aflita esse tempo todo? –Perguntei

A  B-R-U-X-A  M-E  A-S-S-O-M-B-R-A-V-A  T-O-D-A  N-O-I-T-E  E  M-I-N-H-A  S-A-N-I-D-A-D-E  E-S-T-A-V-A  N-O  F-I-M.

– Claire..

V-O-C-Ê-S  N-Ã-O  E-S-T-Ã-O  S-O-Z-I-N-H-O-S.

Num sopro forte de vento as velas se apagaram e o clima ficou pesado. De repente uma única vela acendeu novamente, revelando uma menininha sentada ao nosso lado, com o dedo no indicador da tábua. Era Claire, mas não havia só ela ali. Uma sombra escura preenchia o ambiente, senti um sopro gelado na minha nuca e então todas as velas se acenderam. Nem Claire e nem a sombra estavam visíveis, mas eu sabia que ambos ainda estavam ali. Olhei para os garotos que tremiam de medo.

– Claire, quem está aqui com a gente?

E-U  N-Ã-O  S-E-I.

De repente a tábua começou a tremer e Hayden caiu no chão. Mason abriu a boca para gritar, mas eu o calei rapidamente. Fiz um circulo de sal em volta dele e um em volta de mim.

The Secrets of Timothy Creek | EM REVISÃO Onde histórias criam vida. Descubra agora