Cap. 04 - Tá todo mundo louco!

811 56 11
                                        

Os gritos das líderes de torcida monstro ameaçando-nos e o crepitar do fogo consumindo as plantas pareciam cada vez mais altos e perto e eu já estava começando a rezar quando finalmente encontramos uma saída.
-Zack! O que está acontecendo? O que são aquelas coisas? -pergunto ofegante enquanto corriamos, agora desviando de árvores, arbustos e galhos caídos e subindo o que me parecia ser uma colina.
-Nós vamos pegar você meio-sangue! Vamos arrancar sua pele e fatiar você em um milhão de pedacinhos! -uma delas ameaça e eu viro o rosto a tempo de vê-las saindo da plantação, as roupas de lideres de torcida sujas e rasgadas. Agora eu também podia ver seus olhos brilhando vermelhos como brasas e presas brancas e afiadas como as de um vampiro.
-Você vai sofrer por nos fazer estragar nosso modelito novo! -completa a outra e eu volto a olhar pra frente. Tudo o que eu menos precisava agora era me esborrachar no chão.
-Nós temos que chegar até o topo da colina! - ele diz urgente e corre mais rápido enquanto eu faço o meu melhor para acompanhá-lo.
Ele tira a mochila das costas e começa a procurar por algo sem diminuir o ritmo, tirando por fim uma flauta de bambu de lá. Eu já havia visto a flauta algumas vezes, mas nunca o ouvir tocar e eu não tinha certeza de como ela poderia ajudar em uma hora dessas.
Ele ia bater nelas com isso?
Zack leva a flauta aos labios e começa a tocar notas de alguma sinfonia enquanto faz seu caminho por entre as árvores.
-Não é hora pra isso Zack! -praticamente grito, a irritação alastrando-se pelo meu corpo. Qual era o problema dele?
E então eu percebo. Quando passamos por um amontoado de arbustos, os galhos pareciam mover-se ameaçadoramente e depois de passarmos quando olho o caminho vejo uma das líderes vampiras serem atingidas, os galhos puxando-a para uma àrvore e começando a enrrolar-se e subir por suas pernas como gavinhas, prendendo-a enquanto ela grita.
E eu tropeço.
Meu corpo é impulsionado para frente quando sinto a frente do meu pé direito bater de frente com uma pedra grande ou um galho caído e eu rapidamente ponho meus braços à frente para evitar a colisão do meu rosto com o chão.
Ouço uma risada feminina próxima e me levanto rapidamente apoiando-me em uma árvore próxima. Mais rápido do que eu possa esperar Zack já está a minha frente, ajudando-me e eu sorrio agradecida apesar de achar que ele devia ter se salvado.
-Obrigada por voltar. -digo quando ele me ajuda e juntos voltamos a subir a colina.
-Te protejer é o meu dever. -ele responde ofegante e eu rio. Acho que em situações extremas em que ficamos bastante nervosos ou anciosos o nosso cérebro entra em uma espécie de bug e nós passamos a agir de maneira inesperada diante de certas coisas.
-Pequeno Sátiro... -ouço uma voz feminina chamar e Zack para de repente, então sou eu que passo a puxá-lo. -Venha conosco.
-Não dê ouvidos a ela Zack! Ela só vai enganar você. -digo tentando trazê-lo de volta a tona. Ele era realmente ótimo me protegendo...
-Traga a meio-sangue Zack. Traga e vamos todos festejar. -disse outra parecendo estremamente melodiosa e bastante apelativa, mas acho que pra ele foi totalmente irresistível pois ele deixou totalmente de cooperar comigo.
Eu podia ver o topo da colina à apenas alguns metros e nele um enorme pinheiro, com a pele de o que parecia um carneiro pendurada em um dos galhos, como era mesmo o nome? Ah sim, velocino.
Zack começou a arrastar-me para voltarmos e eu me soltei dele, afastando-me e tentando impedi-lo de me segurar novamente.
Foi quando eu vi.
Rodeando a árvore como se a protegesse estava um imenso dragão de escamas brilhantes feitas de cobre e que retiniam a luz do fim da tarde, sua cabeça, maior que eu, parecia com a de uma cobra e quando seus grandes olhos amarelos ofídios se abriram eu esqueci totalmente das vampiras.
Iamos todos virar churrasquinho.
O dragão levantou-se e majestosamente rugiu mandando meu cabelo pra trás sobre seu mal hálito. Serio, ele devia fazer como os coalas e se alimentar de folhas de eucalipto.
-Rápido! -Zack chama-me e puxa-me pela mão para voltarmos a subir a colina, passamos pelo dragão e felizmente ele parece nos ignorar então finalmente chegamos ao topo.
Eu olho pra trás e vejo o dragrão abocanhando uma das vampiras enquanto a outra explode em chamas e desaparece.
-Mas o que...? -eu começo mas então me calo. Nada que aconteceu hoje havia feito sentido afinal.
-Obrigada Peleu! -Zack sorri para o Dragão e eu observo-o voltar para perto do pinheiro enquanto um frio espalha-se por meu corpo, que fica cada vez mais pesado.
-Zack... -eu chamo, minha voz soando mais baixa que um sussurro, logo tudo a minha volta parece ficar embaçado e perde a cor até que tudo escurece e eu perco a consciência.

A Herdeira PerdidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora