Discussão

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Acordo como sempre as cinco e meia da manhã, escovo meus dentes e coloco minha roupa de corrida, pego também um moletom pois o inverno está chegando, portanto as temperaturas começaram a cair.

Alfred ainda não acordou, melhor assim, não quero falar sobre a briga de ontem que tive com Bruce antes de ele ir embora e sei que Alfred vai querer tocar no assunto.

Saio de casa já correndo, tenho que extravasar minha raiva antes de voltar para casa, tenho que me acalmar, pois caso contrário acabarei fazendo besteira e colocando tudo aquilo pelo que batalhei no lixo. Já deu pra notar que tenho muitos problemas pra controlar minha raiva não é mesmo?

Meu pai foi embora ontem a noite, parece que tinha uma reunião hoje á qual ele não poderia faltar, mas antes de partir ele veio falar comigo.

Eu estava no meu quarto pensando se saía ou não para uma patrulha, quando a porta do mesmo é aberta e Bruce entra, sem pedir autorização e já ai brigando comigo:

- Trinna, pode me explicar o que aconteceu hoje lá embaixo? Miranda disse que você a ameaçou com uma espada? E porque diabos tens uma espada? Seu comportamento hoje foi inaceitável. Olhe para mim quando eu estiver falando com você!

É, eu não estava olhando para ele, na realidade nem tinha levantado meus olhos do livro que eu lia pela 100º vez o mesmo parágrafo, mas então eu andei até ele calmamente, deixando o livro sobre minha cama, e quando cheguei a sua frente olhei bem em seus olhos e disse:

- Quem disse que podia entrar no meu quarto? Quem lhe deu autorização para gritar comigo dentro da minha casa, entendeu? Minha. E o que aconteceu lá embaixo foi só uma prova do que vai acontecer se aquela vadia voltar a pisar aqui na minha casa outra vez. Entenda, ela não é bem vinda aqui, você não me perguntou se poderia trazê-la junto, e ela ainda fala mal da minha cidade, da minha casa e das coisas da minha mãe. Ela não tem caráter para falar da minha mãe.

Ele me olha boquiaberto, creio que ninguém nunca tinha falado com ele dessa maneira, mas ali estava eu dizendo-lhe todas aquelas coisas. Ele até tentou falar mas não lhe dei tempo e continuei.

- Eu não terminei ainda de falar. Não era uma espada era uma adaga, tenho ela para me proteger, não só ela como também outras adagas, e eu me comporto como eu quiser a casa é minha como eu já lhe disse.

Ele até tentou rebater tudo que que disse,  mas não pode, pois não sabia o que dizer, ele não me conhecia, tinha descoberto a pouco mais de 3 meses que tinha uma filha, que ela era uma adolescente, tudo isso ao mesmo tempo em que a mãe da guria morria e eu caía de paraquedas na vida dele, por mais que ele se esforçasse, ele não sabia nada sobre ser pai e principalmente não sabia nada sobre mim.

Quando dou por conta, tenho meu rosto coberto por lágrimas, não queria ter brigado com ele na noite anterior, não queria mesmo, meu problema não era com ele, mas sim com Miranda, mas acabei descontando nele.

Voltei para casa e tomei um banho, estranhei por ela estar tão silenciosa, não vi Alfred em lugar algum, também não senti o cheiro do café da manhã. Tomei outro banho, vesti uma roupa qualquer e desci já com a mochila no ombro, fui para cozinha e comecei a fazer o café, logo tudo estava pronto. Foi então que ouvi a porta abrir e logo Alfred surgiu na entrada, vestia roupa de frio e trazia consigo um pacote, que levou direto para seus aposentos antes de vir para a cozinha.

Ele ficou surpreso com o café já pronto, mas logo estávamos tomando café tranquilamente, em nenhum momento falamos sobre a briga do dia anterior, e assim que terminei meu café e limpei a louça do mesmo, eu saí a caminho da escola.



A filha do BatmanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora