Assim que ouvi meu pai dizer que eu estava em Gotham, senti meu coração gelar, olho para Tiago esperando que ele diga que é mentira e que tudo não passa de uma brincadeira de mal gosto de meu pai, mas ele apenas assente de onde está mesmo.
Enquanto uma enfermeira surgida sei lá de onde vem trocar meus curativos vejo que meu pai e Tiago trocam olhares, ou melhor travam uma batalha silenciosa ali dentro do quarto e isso me deixa ainda mais com a pulga atrás da orelha, mas a presença da enfermeira ali me impediu de fazer perguntas.
Decidi esperar até que estivesse sozinha com Tiago para lhe perguntar, uma vez que tínhamos jurado nunca mentir um para o outro, assim sendo ele teria de me contar o que ele e meu pai tanto escondiam de mim.
Passei os próximos dois dias dormindo praticamente o dia toda, acordava apenas alguns minutos por dia, apenas o suficiente para ver se Tiago estava no quarto, mas ele raramente estava e quando estava ali era sempre acompanhado de meu pai ou da enfermeira.
Não conseguia tirar informação nenhuma deles, apenas fiquei sabendo que estive em coma induzida por mais de uma semana, foi a única maneira que eles encontraram de fazer com que o meu corpo aceitasse o tratamento. No terceiro dia depois que despertei tentei, sem êxito devo admitir, me sentar, mas o esforço fez com que repuxasse alguns pontos e eu senti muita dor então desisti.
Pouco depois a enfermeira veio outra vez ver meus ferimentos, mas desta vez não os trocou, para meu alívio, devo admitir pois a cada troca eu pedia para ter morrido na luta, tamanha a dor que sentia, mas mesmo morrendo de dor eu mantinha o rosto calmo, apenas a pressão que eu fazia na mão de Tiago ou de meu pai é que denunciava a eles a dor que eu sentia.
Logo depois da enfermeira sair,ouço a porta se abrir outra vez, pensei que era a enfermeira que havia esquecido algo, mas era Tiago. Ele se aproxima de mim e paga minha mão e diz:
- Você não sabe como me senti quando você caiu daquela ponte, mas o pior de tudo foi quando eu te encontrei, parecia que tinha chegado tarde demais,mas algo dentro de mim me disse para tentar te salvar e felizmente consegui, com ajuda de seu pai é verdade.
- Obrigado Ti,obrigado por ter me salvado, por não ter desistido de mim, obrigado por dar seu ombro quando eu precisei. Digo com um sussurro, mas creio que mesmo assim ele ouviu por em seguida ele me abraçou o mais forte que meus ferimentos permitiam.
- Mas então qual é relatório de danos? Pergunto eu com um sorriso fraco nos lábios.
- Por onde eu começo - disse Tiago enquanto começou a andar pelo quarto - Você quebrou duas costelas e fraturou outras 3, teve traumatismo craniano leve, o baço teve de ser retirado devido a uma hemorragia interna proveniente do mesmo, você tem um corte profundo em uma perna levou mais de 30 pontos, e quebrou a outra além disso tem milhares de outras escoriações leves pelo corpo.
Olhei para ele assustada,me perguntando como havia conseguido sobreviver com todos esses ferimentos, tivera sorte mais uma vez. Senti meus olhos pesarem de sono, mas algo me dizia que Tiago estava escondendo algo de mim, então olhei no fundo dos seus olhos e disse:
- Pode falar Tiago!
Ele fez uma cara assustada e tentou negar, mas eu mantive meu olhar firme sobre ele, até que ele cedeu.
- Seu pai descobriu sobre sua identidade secreta. Disse por fim.
Quando ouvi essas palavras eu gelei, por um momento não senti nada, nenhuma dor, fiquei paralisada em choque, depois de não sei quando tempo eu finalmente sai de meu choque e fiquei olhando para Tiago enquanto ele me contava como meu pai havia descoberto tudo. Logo depois que ele terminou de me contar e ele teve de sair deixando-me sozinha com meus pensamentos.
Uma vez sozinha tentei me convence de que estava tudo bem, que mesmo que meu pai soubesse ele nada podia fazer contra isso, e mesmo que ele me impedisse por um tempo, eu tinha realmente assustado Constantine ao matar um de seus melhores capangas assim sendo ele não criaria problemas tão cedo, mas ao mesmo tempo que pensei nisso me lembrei que Constantine pensava que eu havia morrido e quanto a ter matado Ônix, ele poderia substitui-lo rapidamente.
Quanto mais eu pensava nas consequências da luta na ponte piores as coisas ficavam, Constantine pensava que eu estava morta portanto a cidade não tinha mais proteção, mas ainda sim eu tinha um ponto a meu favor, não era a primeira vez que Constantine pensava ter me matado e todas as vezes anteriores eu havia retornado, portanto ele não poderia ter certeza de minha morte, mas nas vezes anteriores ninguém havia descoberto sobre minha identidade e talvez no futuro isso poderia vir a ser um problema. Por fim acabei dormindo de tão cansada que estava, mas os pensamentos de que essa história ainda não havia acabado me trouxeram um sono cheio de pesadelos.
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A filha do Batman
FanfictionSeu pai era um justiceiro e mesmo sem saber disso,ela seguiu seus passos.
