Eu não conhecia esse Lado Nela

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A porta de meu quarto se abriu, apresentando-me ela outra vez.


O barulho de seu salto alto ecoava pelo quarto silencioso.


Ela entrou desfilando daquele mesmo jeito que sempre fazia; segurei um sorriso. Tirei um dos braços, onde eu apoiava minha cabeça e o deixei cair ao lado vazio de minha cama.


Sem tirar os sapatos, ela se deitou, apoiando sua cabeça no meu braço, e se virou para mim; apoiou sua cabeça em meu ombro, colocou uma de suas pernas no meio das minhas. A ponta fina de seu sapato de salto arranhou minha perna, como sempre fazia.


O cheiro de seu perfume invadiu minhas narinas.


Virei meu rosto para encara-la.


E ela depositou um beijo no canto de meus lábios, como sempre fizera.


Franzi o cenho e a encarei sério.


- Sem marca gato. - Respondeu lendo meu pensamentos.


Seus lábios se curvaram em um sorriso, mostrando as belas covinhas que se formara.


Ela usava um batom vinho carmesim, que detalhava cada parte de sua boca tão bem desenhada.


Voltei a fitar o teto, e ela pôs sua mão sobre meu peito, e passeou com a mesma por lá.


- Por que não foi ? - Perguntou quebrando o silêncio entre nós. Ela se referia a tal balada que íamos.


- Não tava afim. - Responde seco.


- Não sabe o que perdeu. - Ela se virou, e encarou o teto assim como eu. Não queria saber o que tinha perdido, não tinha tanta importância quanto tudo que se passava em minha cabeça naqueles últimos dias, naquelas últimas semanas.


Ela voltou a se mecher na cama, apoiando novamente sua cabeça em meu ombro; brinquei com os cachos bem definidos nas pontas de seu cabelo.


- Ro? - Chamou.


- Hum ? -


- Se importa se eu dormir aqui hoje ? - Perguntou


Franzi o cenho, ela nunca havia dormido aqui.


- Tive a pior das brigas com meu pai. - Explicou-se.


Ela sempre brigara com o pai. Era rebelde, revoltada, irresponsavel. sempre chegava bêbada em casa no meio da madrugada; eu sempre pensei que essa rebeldia toda fora por causa da falta que a mãe sempre fez à ela. Com dezenove anos, ela não sabia o que era ter uma amiga, uma mãe desde os quatro anos de idade. Porém, ela não se lembrava de praticamente nada de sua mãe, de seu jeito, caratér, ou qualquer coisa do tipo que pudesse se espelhar, seu pai não tocava no assunto, era e se tornou ausente, então não fazia diferença pra ela.


- Por quanto tempo quiser. - Responde. Ela sorriu demasiadamente, e seus olhos brilharam de entusiasmo. Ela se jogou sobre meu corpo, caindo ao lado oposto da cama, envolveu meu pescoço com seus braços, e passou a me sufocar com aquele abraço.


- Eu sabia que podia contar com você Ro. - Confessou em meio à um sussurro.


Naquela noite lhe emprestei uma camisa que ela escolheu, ficou um vestido nela, o que a deixou ainda mais linda e tentadora.


Não demorou muito pra ela pegar no sono, ao contrário de mim, que fiquei a observando babar em meu ombro.


A garota era espaçosa, hora sim e hora não, ela tentava inconscientemente derrubar-me da cama, para ter ainda mais espaço ou deitava sobre mim, arrastando seu corpo para cima de meu peito, daquele mesmo jeito. Todo seu tronco sobre o meu, sua perna no meio das minhas, ela babando sobre meu peito, e eu comendo seus cabelos, que insistiam em grudar na minha cara, mesmo que eu ainda os soprasse excessivamente.

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