Untitled Part 7

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Hoje faz uma semana que vendemos nossa casa, a minha e de Marcelo. Tantas memórias estavam presentes ali dentro. Nossa vontade de começar uma família, a descoberta de que ele não pode ter filhos. Alegria de sentar à tarde na varanda com ele, olhando o jardim. Ás vezes olhávamos simplesmente a chuva cair em cima das plantas. Ultimamente, se bem me lembro, não sentávamos mais tanto na varanda. So assistíamos televisão Eu admito. A vida de casado estava chata e mesmo assim quando ele me deixou senti um vazio muito grande.

Recebi a metade do valor da venda e agora estou procurando um apartamento para morar. Está difícil encontrar algo barato e de boa qualidade. Eu sinto que a minha vida vai começar agora. Sim, deixarei para trás as lembranças daquilo que ja foi um dia um casamento feliz. Não adianta se apegar num defunto. O relacionamento morreu e este porco do Marcelo também.

Hoje estava no salão, lendo o jornal, procurando por anúncios de apartamento. Ricardo entra e me cumprimenta. Ele me visita todas as semanas no salao onde trabalho e eu sinto meu coração bater forte cada vez que ele entra neste local. Sinto uma espécie de frio na barriga. Tento me controlar pra não mostrar o quanto fico nervosa. Sou uma mulher vivida e não vou ficar mostrando que estou nervosa so porque ele entra. 

 Eu juro que ele corta o cabelo toda semana aqui. Daqui a pouco vai ficar careca.

Ele senta na cadeira de cliente e espera que eu comece a corta o cabelo dele como de praxe. E me pergunta o que estou lendo no jornal. Respondo triste. E inevitável não lembrar que Marcelo me obrigou a vender a casa:

-Estou me mudando e preciso de um novo apartamento.

Ele demonstra curiosidade. Eu sei que quer me perguntar o que aconteceu. por que não moro mais na casa onde antes morava, mas ele sente meu desconforto. O vazio. 

- Já encontrou algo?

- Nao de verdade. Mas estou de olho num puxado na rua Sao Jose

Ele faz um cara de espanto:

- Solange, aquela rua é horrível. Você não pode estar pensando em morar la de verdade. 

- O que eu posso fazer? 

Ele , de repente, vira a cadeira, interrompendo meu trabalho. Olha nos meus olhos e o nervosismo volta novamente. 

- Hmm. Eu tenho um quarto extra e estava precisando de alguém que pudesse me ajudar a arrumar a casa, de alguém organizado o suficiente...

- Voce esta precisando de uma empregada doméstica. Isso sim- falei rindo. Nesta semana foi a primeira vez que ri.

-Nao. eu realmente preciso de alguém pra, pra me ajudar a arrumar. Ok, eu admito. odeio trabalho domestico. Limpar, passar roupa, etc. eu gosto de cozinhar, mas não de arrumar. E alem disso você precisa de um apartamento no momento,. Seria uma mao lavando a outra! 

Fiquei com um pé atrás porque nos temos algum interesse pelo outro e morar junto seria muito estranho agora. Não sei como dizer isso a ele. E este frio na barriga que sinto eu teria agora sempre perto dele, a semana toda, o dia todo. Meu Deus, não sei se aguentaria.

Mas, por outro lado, está difícil encontrar apartamento ou uma casa nas redondezas numa área não perigosa. Acabei aceitando a proposta dele.

Naquele mesmo dia, ele veio me buscar no trabalho. Chegamos a sua casa e ele me mostrou o quarto, que na verdade estava cheio de papéis e livros. Estava bagunçado e eu percebi que ele ou eu teríamos que arrumar o quarto.

Ele foi ao porao, deixando-me sozinha no quarto. Voltou com caixas.

_ Nao fique preocupada, Solange. Vou organizar tudo esta semana. So queria mostrar a você que você terá privacidade aqui. 

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