ESMERALDAS NEGRAS - PARTE 6

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Ele era baixo, calvo e extremamente gordo. Seu rosto era cheio de cicatrizes, testa larga, nariz fino e comprido, Vestia trajes coloridos espalhafatosos e de extremo mal-gosto, sapatos rasgados, e tinha em suas costas uma mochila também rasgada. Em seu ombro, um pequeno morcego negro de olhos vermelhos. Nas mãos enrugadas, um imenso livro de capa dura dourada. 

- Finalmente, os incompetentes da rainha chegaram. Vamos resolver logo isso. 

E em um gesto arcano, Vierhut teleportou-se. 

*** 

Continuava havendo sangue. Dois disparos das bestas inimigas cravaram-se na cintura de Durud. Ele berrou como uma donzela, fazendo até sua colega rir. Os goblins foram caindo mortos à medida que Tahya estocava a arma dela em seus estômagos e gargantas. Os poucos que sobraram tentaram fugir, mas foram rapidamente decapitados. 

- Vencemos. Mas o tempo está passando e não resolvemos nada ainda – a druida praguejou.

- É verdade, mas pelo menos seu cabelo está mais sedoso hoje – Durud sorriu um sorriso amarelo.

- Acho que até os goblins repararam.

- Você acha que consegue curar meus ferimentos?

- Até posso. Mas não vou sujar minhas mãos delicadas no seu corpo sujo. Agüente a dor como homem. 

Um redemoinho estranhou começou a formar-se no meio das árvores. Tudo que estava no chão – folhas, vísceras, cabeças e demais restos de cadáveres – rodopiou movido pela força do vento. Um clarão azul-claro ofuscou por um curto instante os dois aventureiros. Uma figura mal-vestida, feia e digna de chacotas surgiu magicamente. 

- Suponho que vocês sejam servos da rainha – o sujeito foi direto.

- Suponho que você seja algum tipo de bufão – Tahya devolveu, sem meias-palavras.

- Eu não suponho nada – Durud se contorcia de dor – Pode nos dizer quem é você?

- Sou aquele que vocês estavam procurando. Sou o sábio Vierhut.

- Podia ter aparecido antes de eu levar esses golpes.

- Ajude-nos. Como vencer o Conquistador Negro? – Tahya aproximou-se do velho feio.

- Que fique bem claro que não estou fazendo isso para ajudar vocês ou sua rainha.

- Depois você nos explica quem você quer ajudar – Durud tentava colocar as mãos sobre os ferimentos para estancar o sangramento – Seja um bom sábio e nos diga o que sabe.

- Tem um amigo seu prestes a fazer uma grande bobagem. Talvez possamos impedi-lo. Mas aí, nós faríamos outra bobagem ainda maior.

- Então, o que vamos fazer? – Tahya se impacientou.

- Primeiro cure seu colega. Precisaremos de força máxima.

A contragosto, a druida invocou a força da natureza para fechar as cicatrizes, retirar o veneno que circulava na corrente sanguínea e recuperar as forças do colega. Esbravejou por ter que sujar suas mãos com o corpo de Durud, e logo se virou para o sábio esperando mais orientações.

- Vou preparar um teletransporte até o campo de batalha. Rezem para que eu consiga fazer isso antes que seu amigo use a esmeralda que ele tem para invocar o quinto semideus.

- Quinto semideus? – Durud e Tahya em uníssono.

- Se o quinto semideus for libertado pela burrice de seu amigo, o Conquistador Negro será o menor de nossos problemas. 

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