Capítulo 2

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Pietro foi e é o meu primeiro amor. Nós nos vimos, pela primeira vez, na fila da cantina do colégio Conexão, próximo a minha casa, onde eu e Renata estudamos. Ele já concluiu, porém o nosso namoro continua vivo, ou pelo menos o que sobrou dele. Ele tem 19 anos, estuda Design Gráfico, e pega alguns estágios pra pagar os seus caros camarotes e várias boates. Não digo que a renda dele dá pra sanar todos os sonhos e desejos, porém ele se mantém. Ele é alto, sarado, barba aparada e bem cuidada, olhos castanhos claros, cabelo caído na testa, não exagerado, mas simplesmente lindo, o irritante jeito de mexer, todo momento, nele me deixa perdidamente apaixonada, e ele está fazendo isso agora.


- Por que você jogou bebida em mim, amor?



Ele faz uma cara de piedade que até Osama Bin Laden se renderia, porém arranjo forças de todos os lugares que existem e de todas as entidades poderosas nesse mundo e ignoro sua feição.



- Amor? Depois de tudo o que você fez, tens coragem de me chamar de amor?


- Não sei do que você está falando - franzindo o cenho.



Nossos gritos chamam a atenção da boate, não sei como, o som está tão alto que dificilmente eu me escuto, quem dirás eles escutarem, porém o estado de estátua de todos é notório, flash's por todos os lados e um namorado mentiroso na minha frente. O que seria pior? Um incêndio como o da boate Kiss? Talvez não.



- Você me traiu. A suposta Jéssica, a sua nova namorada, me ligou hoje falando que você esqueceu o celular na casa dela. E então, o que você tem a dizer sobre isso?


- Jéssica é minha prima de quatorze anos. Fui ajudá-la com uma prova que ela ia fazer. E agora? O que você tem a falar sobre isso? - Ele arregala os olhos para mim.



Antes que eu pudesse responder, uma mão me puxa para fora daquele "octódromo". Era Renata, furiosa com o papelão que eu acabara de cometer.



- Que merda foi essa?


- Quando eu o vi não aguentei, tinha que tirar satisfações sobre a tal de Jéssica e parece que eu estava enganada. - Abaixo a cabeça e quase caio.


- Não me importo quem é Jéssica, vamos pra casa. Chega por hoje. - Renata segura o meu braço e me arrasta para fora da boate.



Na saída, vejo o segurança de amores com um jovem, aparentemente da minha idade, moreno, cabelo parcialmente liso, em um topete exageradamente grande, com uma camisa curta e colorida muito colada, e com uma calça de um pano brilhoso. Se eu não fosse tão amiga dele, não o reconheceria. Frederico Alves. Meu amigo desde quando eu me entendo por gente. Nós erámos vizinhos no Rio de janeiro, antes de me mudar para São Paulo, ele surpreendentemente veio junto e fomos matriculados na mesma escola. Quer destino maior que esse? Ele sempre foi o amigo dos segredos, diferente de Renata que é amiga das festas. Nós sempre contávamos os nossos segredos um ao outro, e foi aos 12 anos que Fred me contou que era gay. Eu, sendo uma pessoa inexperiente nisso, tive que pesquisar. Foram semanas até a gente conversar sobe o assunto novamente, não tinha argumentos pra expor, muito menos, conselhos para dar. Após três semanas eu chamei-o para conversar e parecia que estávamos adiando o inevitável, conversamos sobre o "descobrir", sobre o "como lidar", "como contar aos pais", "é errado ou não?", "sexo e prevenções", foi um dia sem ir ao colégio e foi o melhor dia das nossas vidas. Ajudei-o a contar aos pais e foi mais tranquilo do que alguns depoimentos que vimos na internet e hoje ele está pegando o segurança da balada onde paguei o maior mico da minha vida.



- Fred! - Grito.



Ele vira para mim e ignora completamente o seu novo peguete.

Rosa De SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora