Sozinha

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-Foi sim. Naquela semana Dar eu fiquei na floresta tentando fugir de qualquer tipo de civilização, eu não queria machucar ninguém. No segundo dia que eu estava fora de vista eu encontrei um acampamento, havia crianças e... - Karl começou a chorar e eu não sabia o que fazer - Dar...Eu matei aquelas pessoas.

-Não fica assim Karl. A culpa não foi sua. Você não sabia se controlar. - Eu disse tentando acalmá-lo - Olha a partir de agora vai ser diferente, nós vamos passar por isso, juntos!

Eu o abracei e as lágrimas comaçaram a escorrer dos meus olhos. Como eu nao havia percebido que dentro de um menino tão divertido como o Karl, havia uma pessoa que se culpava todos os dias por causa da maldição que o afetava?

- Olha, ainda são 21;30hrs. Dá pra gente curtir a festa um pouco. Vamos la! A Sophie vai... - Olhei para ele com cara de sacarsmo

- Ok mocinha, acha que consegue se controlar vendo aquele tanto de pescoços a sua volta?

- Eu dou meu jeito! - Disse piscando para meu melhor amigo e indo em direção ao colégio.

Chegando lá na porta dava para ver que estava tudo muito bem organizado, apesar das músicas não serem as melhores né! Quando eu entrei os mesmos olhares de sempre me rodearam, mas dessa vez eu me senti diferente, como se eu não tivesse que me importar mesmo porque se alguma pessoa me fizesse mal era só eu mordê-la que tudo acabava. Adeus ao meu sofrimento!

-Karl vai procurar as meninas que eu vou ficar ali no meu canto ta bom? - Eu disse quase gritando por causa da altura da música.

- Ok. - Ele respondeu andando em uma outra direção.

Eu sentei no balcão da cantina e fiquei olhando as pessoas que estavam passando por ali. Fiquei muito tempo lá sentada olhando quem passava, comendo umas coisas aqui, outras ali e tomando meu drink. Olhei para o relógio da parede da cantina que estava marcando 22;45hrs. Estava entediada. Não gostava de festas e não tinha companhia, então resolvi ir para casa.

Quando eu estava no corredor da escola eu vi a Sophie de mãos dadas com o Karl e o Peter de mãos dadas com a Stephany. Eles não perdem tempo mesmo! Eu segui os quatro até a sala de biologia, onde eles pararam na porta e começaram a beijar. Eu até queria atrapalhar o momento Romeu e Julieta deles, mas deixei passar. Da próxima vez que eles saírem e não me chamarem eles vão ver comigo!

Fui andando até em casa e pensando em tudo que tinha acontecido naquele dia. Eu tinha morrido e ressucitado como uma vampira. Um lobo se transformou no meu melhor amigo. Eu matei duas pessoas inocentes e para completar vou ser a única solteira no meu grupo de amigos.
O mundo é uma verdadeira montanha russa, quando você pensa que está seguro no chão, os acontecimentos dão uns loopings e te levam para um topo instável e perigoso, onde qualquer movimento brusco que você fizer você pode cair, e a queda é fatal.Sim, sim. É um pensamento muito filosófico e complexo, mas fazer o que se eu sempre adorei frases e poemas.

Quando cheguei em casa tentei fazer o minimo de barulho possível para não acordar meus pais, não queria ter que inventar desculpas para explicar porque eu cheguei com um diário na mão e porque tinha sangue nos meus tênis.
Subi para o meu quarto e coloquei o diário em um fundo falso que tinha no meu armário, junto com os meus diários, lá ninguém iria procurar.
Troquei de roupa e tentei dormir, mas não consegui, toda hora vinha a imagem daqueles dentes pontudos na minha mente e logo em seguida do lobo, depois dos corpos sem sangue no chão. Fiquei imaginando o que falariam no jornal da cidade amanhã.
Fiquei a noite inteira acordada. Quando me olhei no espelho, eu já não era mais a mesma. Estava com a pele perfeita e os dentes super brancos, mas estava com muita olheira decorrente da noite que passei sem dormir. Tirando o sono eu estava me sentindo bem. Acho que me acostumaria com a vida de vampira. Tomei meu banho e desci para tomar café.
Minha mãe já estava lá embaixo arrumando a mesa, e quando ela me abraçou para me dar bom dia ela estremeceu toda e deixou uma xícara cair no chão.
- Filha! Você está gelada! - Ela disse juntando os pedaços de vidro do chão.
- Estou é?? - Disse meio sem graça - É que eu estou com frio.
Nesse instante eu vi que deveria ler o diário deixado pelo vampiro que me transformou, vai que tem alguma outra coisa sobre nós ,chupadores de sangue, que não falam nos filmes e nem na internet...

Lágrimas De Sangue Histórias para pegar e não largar. Descubra agora