A chegada em Wisconsin

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-EU VOU PRA ONDE? -Lauren gritou assustada.

-Um convento, fica em Wisconsin.-Mike disse sério.-Se arrume logo, nós iremos daqui a uma hora.

Lauren não podia acreditar. Iria pro outro lado do país, seu pai estava ficando louco. Clara entrou no quarto com os olhos lacrimejando e trancou a porta. Lauren olhou pra trás e ao ver sua mãe, seu coração começou a palpitar. Não sabia se poderia chegar perto dela e a o menos lhe dar um abraço. Clara se aproximou devagar e abraçou a filha, que ao sentir o calor do abraço retribuiu.

-Eu queria muito te salvar desse pesadelo, minha menina. -Clara disse com a voz embargada. -Eu te amo do jeitinho que você é, lembre disso..

Lauren a apertou em seus braços e chorou. Iria ficar longe da mãe que tanto amava. Mike impaciente com a demora de Clara, dava seus altos berros da cozinha.

-CLARA, DESÇA JÁ! PORQUE TANTA DEMORA?

Clara beijou a testa de Lauren e correu pro andar de baixo, não queria levar mais alguma "punição" de seu marido. Lauren terminou de arrumar suas coisas e entrou no banheiro. Sua higiene matinal estava a chamando. Pegou seu celular e enquanto a água caía em suas costas mandou a última mensagem para suas amigas.

Lauren: Meninas, me despeço de todas vocês. Meu pai disse que vou para um convento em Wisconsin!! Isso fica do outro lado do país, vou sentir falta de vocês, mas vou tentar me comunicar.

Lauren se ensaboou, e lavou seu cabelo que estava alto devido a dormir com ele úmido. Seus cosméticos escolhidos por ela mesma, um a um teriam que ficar pra trás. Pensava na sua imagem deteriorada ao chegar nesse convento. Em sua mente já imagina o terror total, em não poder usar rímel, shorts e nem nada acima dos joelhos. Mike bateu na porta apressado.

-Lauren Michelle, ande logo! Temos 45 minutos! -Ele disse ignorante.

Lauren por mais que não quisesse se apressou do banho, e terminou de se arrumar. Desceu e tomou o último café da manhã em sua casa. As lágrimas caíam sobre seu sanduíche com geléia, preparado carinhosamente por sua mãe. Seu suco de laranja natural preferido fora tomado em segundos, ao escutar a buzina do pai. Ela voltou ao andar de cima, no fundo falso que fizera aquela hora no fundo da bolsa, abrigou as fotos com as amigas, a carta da noite passada, alguns itens de maquiagem, sei celular e um colar dado por Keana. Fechou as malas, se despediu de seu quarto e desceu. Piscava várias vezes olhando pro teto na tentativa de abafar a vontade de chorar. Seu pai a puxou na metade da escada e a levou ao lado de fora. Sua mãe que estava na cozinha, correu para se despedir de sua pequena, mas fora trancada por Mike. Lauren indignada gritava de dentro do carro.

-Mãe! Mãe por favor ,vem aqui!

Clara gritava do lado de dentro olhando os olhinhos verdes de Lauren pela última vez.

-Minha filha! Eu te amo... Eu te... -Ela dizia caindo aos prantos no chão.

Mike arrancou com o carro, deixando mãe e filha grudadas nas janelas chorando. Lauren não deu uma palavra sobre nada no caminho inteiro. Ao chegarem ao Aeroporto, Lauren desceu do carro e pegou sua mala. Mike desceu sério e os dois se sentaram para esperar o vôo. Lauren pensava em todas as possibilidades de fugir, mas nada daria certo. Os alto-falantes anunciavam:

"O vôo 501 destinado a Wisconsin, partirá daqui a 10 minutos. Por favor, se posicionarem em frente ao portão de embarque."

Ela pegou suas malas sem dizer nada. Seguida por Mike foi até o portão onde tiveram seus passaportes vistoriados, e puderam embarcar. Mike a observava friamente a cada passo, os dois entraram no avião e Lauren olhava a paisagem de São Francisco pela janela. Sua ponte, estava ali. Ela mal podia acreditar que daria pra vê-la antes de ir. Passava a mão pelos vidros embaçados do avião como se estivesse passando-as nas grades da ponte. Mike a observava. Sabia que sentiria falta daquele lugar. Mas em seu subconsciente, sabia que era o correto a se fazer. Ela fechou os olhos e fechou o capuz de seu casaco preto. Se virou para o lado apoiando a cabeça na janela. Não queria ver nada mais. Estaria se dando mais tempo para sofrer.

[...]

-Lauren Michelle, acorde. Já chegamos. -Mike disse sério.

Lauren se espreguiçou, o tempo que havia dormido havia sido suficiente para deixá-la preguiçosa. Ao olhar pela janela, viu que estava em um lugar totalmente diferente. É óbvio, ela pensou. Nunca havia ido para Wisconsin. E ali estava ela, descendo do avião com sua pequena mala. Mike a observava, continuava séria, sem dar uma palavra.

-Está com fome? -Ele perguntou.

Lauren apenas assentiu. Mike lhe entregou dinheiro, e ela caminhou até uma cafeteria do Aeroporto.

-Boa tarde! O que gostaria de comer? -Um atendente feliz a perguntou.

Ela esboçou um pequeno sorriso e respondeu:

-Quero um capuccino, um sanduíche de queijo, e me vê também alguns salgadinhos.

O atendente sorriu, e foi buscar o pedido. Enquanto esperava, Lauren observava o lugar. Pessoas totalmente desconhecidas, um ar novo. O atendente voltou com o pedido e o colocou em frente a Lauren.

-Bem.. meu nome é Philip! -Ele disse estendendo a mão,na qual Lauren demorou a apertar. -Sem querer me intrometer é claro, mas você não está muito feliz, né?

Lauren assentiu.

-Pense em uma situação. Você é feliz no amor, mas seus pais não aceitam e nem sabem desse amor. -Ela começou. -Então, eles descobrem sobre ele. Jogam coisas na sua cara, e te mandam pro outro lado do país, longe de tudo o que você estava acostumado. Amigos, escola, pessoas, lugares, e o amor da sua vida. -Ela disse tentando não chorar. Desde que saiu de São Francisco, não havia dito uma só palavra, era a primeira.

-Poxa! Você está numa má fase.. Não queria estar na sua pele.

-Obrigada pelo consolo! -Ela disse irônica.

-Sabe.. eu também não sou daqui, meus pais também não me aceitaram bem quando me assumi. Se é que você me entende.. -Ele começou a dizer.

-Entendo perfeitamente. De onde você é? -Ela perguntou curiosa enquanto tomava seu capuccino.

-Sou do Texas. E agora estou aqui! -Ele disse sorrindo. -Talvez os seus problemas, sejam a cura pra sua dor... Eu particularmente estou bem feliz aqui, mocinha. -Terminou, segurando a mão de Lauren que sorriu.

-Meu pai já está impaciente, tenho que ir. Quando dá tudo? -Lauren perguntou se levantando do banquinho apressadamente.

-Fica por conta da casa, você já é cliente especial! -Ele respondeu. -Volte sempre.

-Eu gostaria, Philip. Mas acho que pra onde eu vou, eu não posso sair... -Ela acenou e foi embora.

Ele a observou sumindo entre as pessoas. Tinha entendido sua situação. E desejava livrar a morena de tudo aquilo. Mal sabia porque,se havia conhecido ela naquele instante.

[...]

-Teve muito assunto com aquele atendente, não é mesmo? -Mike disse irônico.

Lauren assentiu olhando pra frentre. Mike estava doido para tirá-la do sério, mas se controlou. Os dois esperavam um táxi sentados na calçada, quando um apareceu rapidamente. Na mente de Lauren seria tão fácil pegar aquele táxi e fugir dali. Mas seu pai já havia dado o endereço correto.

-Por favor, leve-nos para o convento de Sainte Rose! -Ele disse entrando no táxi.

Lauren entrou logo em seguida, demonstrando sua indignação. O taxista ia conversando com Mike, e mostrando os pontos da cidade, já que Mike disse que eram "turistas". Após 20 minutos, eles chegaram ao convento. Lauren observava atônita. Não imaginava que era tamanha construção. Mais parecia um castelo. Desceu do táxi de boca aberta observando cada detalhe do lugar. Mas toda admiração se acabou, quando uma madre superiora desceu as rampas do local.

-Olá! Sejam bem-vindos ao convento de Sainte Rose! Meu nome é Inês, e você deve ser a Lauren?! -Ela perguntou sorrindo.

[Camren] My SinHistórias para pegar e não largar. Descubra agora