O French Quarter nunca estivera mais silencioso. Era possível ouvir apenas uma música distante composta por trombones e tambores, típica da cidade de New Orleans. Os passos curtos e receosos quebraram o silêncio dentro da "propriedade condenada" como uma placa velha indicava nos portões de ferro enferrujados. A antiga casa dos Mikaelson estava em uma situação deplorável. Haviam plantas crescidas ao redor dos pilares, terra e roedores no chão. Hayley olhou ao redor, procurando por alguma ameaça.
Não tinha um plano em mente, mas lembrava-se da parede onde Klaus estava porque tinha conseguido ver -através de um feitiço visionário que tinha conseguido com a ajuda de uma bruxa- em qual parte da casa Marcel tinha mantido o híbrido nos últimos cinco anos.
Continuou andando cautelosamente. Assim que avisou o último pilar, apressou-se para executar seu plano não planejado -que consistia em derrubar tijolo por tijolo e tirar Klaus de trás da maldita parede.
Hayley sentiu um frio percorrer sua espinha quando deparou-se com a tal parede destruída. Os tijolos quebrados no chão, nenhum sinal de Klaus.
"Procurando por alguma coisa?" Hayley virou-se assustada, vendo Marcel e dois vampiros acompanhando-o.
Antes que pudesse reagir, Marcel atacou-a com uma pá, fazendo ela cair no chão, sentindo sua cabeça rodar. Sentiu sangue escorrer pela sua cabeça. Ela cerrou os olhos, que agora mudaram de cor, entrando no modo híbrida furiosa. Ela rosnou levantando-se e usando sua velocidade vampírica para revidar contra Marcel, socando-o inúmeras vezes no rosto.
"Se sente melhor?" ele ironizou após um dos socos.
Hayley sentiu seu sangue ferver. Preparou-se para atacá-lo novamente, mas sentiu várias agulhadas em suas costas. Uma dor terrível tomou conta de seu corpo e ela sentiu-se fraca, caindo no chão.
Tentou reagir, mas os dardos de veneno tinham efeito rápido. Os vampiros que acompanhavam Marcel olharam-a enquanto ela grunhia no chão.
"Cuidem disso enquanto eu estiver fora. Levem ela." Marcel ordenou e Hayley sentiu-se puxada por um deles antes de apagar completamente.
(...)
Ela abriu olho por olho, sentindo sua cabeça latejar enquanto o cômodo mal iluminado parecia girar ao seu redor.
Tentou mover-se, mas estava acorrentada firmemente á uma cadeira de madeira.
Sentia o efeito do veneno lentamente deixar seu organismo.
"Hayley?"
Ela virou o rosto para o lado e seus olhos arregalaram-se.
"Klaus!" ela exclamou.
Ele encontrava-se na mesma situação que ela. Obviamente estava mais fraco, pálido, magro. Os lábios rachados e sem cor, assim como o rosto.
"Klaus, olhe para mim..! Klaus!" ela chamou-o, desesperada. Ele conseguiu manter a cabeça erguida para olhá-la. "Nós temos que sair daqui!" ela debateu-se em sua cadeira.
Klaus estava fraco demais para respondê-la.
"Porque todo esse barulho?" Um dos vampiros entrou na sala escura, juntamente com seu sarcasmo. "Aposto que vocês têm bastante assunto para colocar em dia." ele chacoalhou a chave do cativeiro no ar.
"Vá para o inferno." Klaus murmurou, erguendo o queixo para olhar o capacho.
"Uh, ele fala." ele ironizou. "Não estou aqui para falar com você, vim para cuidar da garota." ele virou-se para Hayley, erguendo uma nova seringa com veneno.
Hayley chacoalhou a cabeça em negação enquanto ele se aproximava. Ele se abaixou para acertar sua veia.
Em um movimento rápido, Hayley lhe deu uma cabeçada. Ele perdeu o equilíbrio. Ela esticou-se ao máximo que podia e conseguiu mordê-lo no pescoço. Por fim ele acabou caindo no chão e quebrando a seringa em mil pedacinhos. Hayley empurrou-se com a cadeira contra o chão, quebrando uma das pernas de madeira do assento. Rastejou-se até alcançar o chaveiro que tinha caído no chão, enquanto o vampiro gritava de dor no chão. Rolou até conseguir pegar a chave em suas mãos, entrando em conflito com as chaves e a fechadura do cadeado ligado às correntes. Tentou se soltar incessantemente enquanto ouvia passos rápidos se aproximarem.
O segundo capacho de Marcel apareceu, encontrando o companheiro no chão, rolando de dor com uma mordida feia no pescoço.
Ele virou para atacar Hayley, furioso. Ela não estava mais lá, em nenhum lugar do cômodo. Ele olhou nervosamente ao redor, enquanto o amigo agonizava no chão.
"Que vadia!" ele xingou, raivoso.
Klaus lhe lançou um olhar irritado, com os dentes cerrados. Viu então o vampiro fazer uma careta e repentinamente cair para o lado, morto.
Hayley apareceu em seu campo de visão assim que o corpo do vampiro caiu contra o chão. Ela soltou o coração dele, formando uma poça de sangue no concreto.
"Quem é a vadia agora, huh?" ela disse ofegante, olhando para o morto.
Desviou os olhos para Klaus, que mal parecia acordado. Apressou-se para desacorrenta-lo.
"Klaus, vamos sair daqui!" ela chamou, chacoalhando seu corpo. Hayley suspirou pesadamente reconhecendo que ele estava desidratado demais para reagir.
Ela lembrou-se das inúmeras bolsas de sangue que tinha tomado antes de chegar ali. Encarou o próprio pulso e mordeu-o, esticando-o até a boca de Klaus.
"Você tem que beber, precisamos dar o fora desse lugar!"
Ela sentiu os lábios dele sugarem sua pele, rolando os olhos quando Klaus apertou seu pulso, sugando com mais força. Ele abriu os olhos e ambos se encararam em silêncio por longos segundos.
Ele afastou os lábios de sua pele, com uma expressão mais vívida.
"Porque demorou tanto, lobinha?"
Hayley não conteve um sorriso. Suspirou em alívio e dobrou-se para abraçá-lo.
