Capítulo. 10

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As coisas tinham ficado estranhas.
Era fato!
Deus, Catt não podia compreender como era madura para algumas coisas e pra outras se sentia uma garotinha de 5 anos aprontando suas travessuras.
Ed fora sincero com ela, honesto, ja haviam se passado quase uma semana do episódio do beijo - não que o tempo ajudasse muito, a garota se sentia incendiar apenas ao lembras as carícias trocadas - e Ed, como o homem honesto que era manteve sua palavra, a dando tempo e o espaço necessário, não tentava uma aproximação forçada e pelos dias que se passaram evitava até mesmo toca-la, o que de certa forma lhe causava um mix de sensações conflitantes.
Ela não podia estar mais confusa!
Olhou o relógio no pulso e a manhã não tinha chegado nem à metade, a aula de física não era sua preferida, apesar de necessária, e se fosse em outro tempo Cattalina estaria anotando cada palavra que o professor quase senil ditava pelo que pareciam horas, mas os tempos mudaram e ela mudará, Deus! Agora a única coisa que ocupava a sua mente era esse impasse totalmente insensato que vivia.
Ed era seu tutor, merda!
E não era pra ser visto além disso! Meu Deus, como ela pudera deixar as coisas ficarem desse jeito?! Ela se sentia desmoronar, ficando exposta cada vez mais que se aproximava de Jackson, cada tijolinho sendo retirado da tão cuidadosa barreira que construirá para si, ela não podia e nem devia lidar com esse tipo de vulnerabilidade, uma pessoa vulnerável se torna apenas um rascunho do que verdadeiramente é, droga, vira isso acontecer com a mãe, e não! Ela não iria se tornar Shirley.
- Ora, ora, se não temos aqui a mais belas curvas do Campus inteiro? - olhou pro lado localizando um garoto alto de cabelos loiros e encaracolados, dois olhos num tom de mel claro a observavam curiosamente e um sorriso de lábios finos acompanhava todo o resto, Todd Banks, um dos seus colegas de classe que tentará a todo custo entrar em sua vida, mas Catt ja era treinada o suficiente para afastar toda e qualquer aproximação indesejada, entretanto, Banks era insistente e mesmo levando gelos e mais gelos da garota ainda continuava tentanto ultrapassar as barreiras que Catt impunha.
- O que quer, Banks? - observou o perfil magro ocupar o lugar ao seu lado despreocupadamente, como se nem estivessem no meio de uma aula
- Te fazer companhia, mamá! - sorriu ladino quando viu a careta da garota ao ouvir o apelido - você sempre está sozinha e isso não é nada saudável, sabe disso não é Kit Catt? - riu da própria piada, como se fosse um verdadeiro humorista enquanto Catt bufava baixinho.
- Como se nunca tivesse ouvido essa - deu de ombros, colocando novamente a máscara seria no rosto - olha, se eu quisesse companhia pode ter certeza de que iria procurar, dispenso a sua compaixão desnecessária e a sua companhia tambem, muí grata.
Se virou para frente, fixando os olhos nos números da lousa, tentando entender alguma coisa daquela festa matemática idiota, droga, fisica e ela nunca seriam melhores amigas!
- Outch! Se eu não soubesse que você gosta de mim, essa teria realmente me machucado, mamá! - sorriu como se as palavras da garota nada significasse - ninguém gosta de ficar sozinho Catt, não o tempo todo pelo menos, somos humanos, precisamos de calor.
- Se eu quisesse calor atearia fogo em mim mesma, mas claramente você não esta me vendo queimando, certo?! - indagou ja irritada com todo aquele joguinho. Todd olhou fixamente o rosto bonito da mulher ao lado, Deus, ela era linda! Tantas curvas, tantos lugares para explorar, tocar, morder e lamber.
- Tão fria, Cattalina, me atrai cada vez mais descobrir o que encobre por trás de toda essa camada de gelo - sorriu se aproximando ainda mais dela, invadindo seu espaço pessoal, se a garota estava irritada antes, agora era capaz de lhe tirar a cabeça - aposto que por trás de tudo isso tem uma chama bem quente esperando por mim e Mamá, eu estou louco pra você me queimar.
Como se cronometrado o aviso pra troca de salas soou, e ele se levantou deixando uma Cattalina irritada e levemente indignada para trás. Idiota pretensioso!
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Desejo.
Correndo por entre as veias, corroendo todo o seu interior.
Desejo.
Deus, uma semana.
Uma semana inteira desde o incidente que o colocará numa situação complicada, o beijo, os lábios carnudos derretendo sob os seus a língua doce feminina saboreando a sua, os seios fartos apertados contra seu peitoral, sua mão na cintura, uma vontade imensurável de apertar Catt por inteira, toma-la pra si, como ninguem nunca à tomara antes. Desejo.
Suspirou frustrado, era preciso paciência, sabia disso, Ed era um homem paciente, não era a toa que tinha como parceiro Ben o-porra-louca-mais-estourado-do-departamento Paris, ele era o único que aguentava firme e forte o lado explosivo e um tanto quanto impulsivo do amigo, o Yn Yang perfeito, por isso o trabalho era tão sincronizado; Mas aquela situação era diferente, como podia ser paciente sabendo que o alvo do seu desejo estava apenas a alguns metros de si, deitada inocentemente em sua cama, com aqueles projetos de roupas que ela teimava em chamar de camisola, mas que Ed sabia que eram uma isca para um homem perder sua alma, indo alegremente e sem pensar duas vezes direto pro inferno.
Era difícil ter de aguentar tanto desejo reprimido, mas era necessário, nunca desrespeitaria Catt desse jeito, não, daria tempo ao tempo, e se ela o quisesse da maneira que ele a queria, as coisas iriam se desenrolar devagar, suaves.
Ela era filha de Shirley.
Não, ele não esquecerá desse fato, mas o que mais podia fazer?! Shirley estava morta, deixará para trás a adorável e forte Catt, ele cuidaria dela, se asseguraria para que sempre estivesse confortável, era seu dever e obrigação, mas não conseguia evitar toda aquela onda de atração por Cattalina e concluiu que ignorar só pioraria as coisas, ja tentará antes e olha a situação que se encontrava. A garota havia lhe chamado atenção desde o primeiro olhar e com o passar das semanas, um afeto grande se formará no peito de Ed, quem conhecesse verdadeiramente Cattalina iria cair em seus encantos, ela podia parecer fria e distante em primeira vista, mas quando se permitia fazer um estudo mais profundo, os atos sutis de bondade e preocupação escapavam por entre as barreiras da menina.
- Eu trouxe aquela merda de cenoura que você gosta, seu doente - Ben abriu o carro entregando o bolo de cenoura sem glúten para o gigante à sua frente - sabe o quão vergonhoso é entrar numa padaria e pedir essa porra que tem gosto de papelão? A atendente ficou me olhando com um sorriso debochado no rosto. Sabe quem não come glúten? Gays, Ed! Gays não comem glúten!
Ed riu negando com a cabeça abrindo a embalagem do seu pequeno lanche enquanto observava o amigo desembrulhar um hambúrguer lotado de gordura, Deus! Não eram nem dez horas da manhã!
- Você está sendo muito preconceituoso meu amigo, pessoas saudáveis que se preocupam em não ter um enfarto comem esse tipo de comida - olhou com cara feia para a comida cheia de óleo do amigo - veremos quem vai viver mais de nós dois.
Ben revirou os olhos.
- Deus, as vezes eu acho que você nasceu com o órgão genital errado - olhou seriamente dando uma grande mordida no lanche - está na cara a sua feminilidade!
Ed deu de ombros fazendo pouco caso do amigo
- Eu poderia ser uma mulher, mas lésbica sim? - riu suavemente.
- Calado, Jackson! - Ben ligou o carro, limpando superficialmente as mãos gordurosas na roupa, Tess com certeza o faria lavar as peças com as próprias mãos, mas agora ja era tarde.
Voltaram para a delegacia após a verificação do assassinato de um dos vários traficantes do lado pobre da cidade, Nova York era linda mas escondia muitos perigos e muitas feiuras em seu interior, e pros descuidados esse era o maior perigo.
Adentraram o departamento comentando sobre uma possível briga de gangues no bairro antes de Ed se deparar com uma mulher de semblante fechado vindo em sua direção, a mulher alta e loira vinha decidido em sua direção e Ed se sentiu hesitar sob o olhar dela.
- Detetive Jackson?
- É o grandão ai - apontou Ben se retirando até sua mesa
- Eu sou Kayla MacKnnea, detetive da Narcóticos.
- No que posso ajudar? - à guiou até sua mesa, a mulher se sentou na cadeira a sua frente e Ed se acomodou em sua poltrona
- O nome González Diaz lhe é familiar? - Sentiu o sangue congelar nas veias.
- Sim, é o pai de uma amiga
- Catallina Miranda Diaz, certo? - assentiu, o olhar ainda indagativo - Senhor Jackson tivemos conhecimento de que a filha do senhor González estava morando com você, então achei melhor eu mesma vir alerta-lo, o presidiário Diaz fugiu ontem da Penitenciária de Segurança máxima de Nova York, estamos em alerta máximo e já temos homens trabalhando na captura do fugitivo, entretanto, acreditamos que González tente entrar em contato com a filha o mais breve possivel, e gostariamos da sua colaboração no caso.
Respirou fundo sentindo o peso das informações cair em suas costas, ele tinha escapado. Mais cedo ou mais tarde, sabia que o pai de Cattalina iria procura-la e acabar com a recém conquistada paz e estabilidade de sua garota.
Não se Ed pudesse evitar, fizera uma promessa a si mesmo e Cattalina ficaria a salvo enquanto estivesse ao seu lado.
- Tudo bem, me diga como posso colaborar - a mulher sorriu ladina, os olhos azuis brilhando em agradecimento
- Bem, detetive Jackson, o mais apropriado seria um dos meus homens vigiar Cattalina, principalmente agora que a fuga é recente, e teremos de colocar escutas no celular da menina.
- Eu mão creio que seja necessário alguém seguindo Catt pra cima e para baixo, a garota sabe se cuidar e duvido que Diaz faça algo para machucar a própria filha - não queria alguém na cola de Catt, alguém que não confiava, mas certamente cobraria alguns favores de amigos para que a garota fosse constantemente mantida em segurança - e quanto as escutas eu posso fazer isso, é realmente mais provável que González entre em contato através do celular do que pessoalmente, principalmente, agora.
A detetive assentiu contrariada, pensou em contestar sobre Cattalina não precisar de vigilância de seus homens, mas conhecia um olhar resignado quando via um, droga!
- Tudo bem, estarei de volta amanhã na parte da manhã, trarei as escutas que precisará colocar no celular dela - ele assentiu se pondo de pé, induzindo Kayla à fazer o mesmo - obrigada pela cooperação, senhor.
Ed apertou-lhe a mão e viu a detetive sair do departamento.
Merda, ele teria de colocar escutas no celular da garota mais desconfiada que já conhecerá, se Cattalina descobrisse não levaria pro lado racional, claro que não, se sentiria traída no mínimo, Oh merda! Mas era preciso, ele não podia arriscar um possivel contanto do Senhor Diaz, tipos como o dele sabiam como jogar com as cabeças mais frágeis e duvidava que Catt não ajudasse o pai, se ele assim o pedisse.
Catt não descobriria. Ele poderia ficar de olho para que isso não acontecesse, e seu cuidado seria redobrado. Nada ameaçaria sua Cattalina.
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