Érica, minha professora, entra e escreve no quadro "Como, quando e por que internar um paciente psiquiátrico"
O tema da aula já estava claro. Deixo meus pensamentos de lado e absorvo cada palavra dita por ela.
"Parece que todos curtiram bastante o final de semana.." Ela olha para uma menina que estava dormindo e a turma toda cai na risada.
O sorriso dela era bem jovial. Ela era nova demais para já dar aula. E para usar aquelas roupas caras, ela já deve ter um bom dinheiro.
"Existem situações médicas que exigem o tratamento em um ambiente diferenciado. Por diversas razões" Ela começa "Este tratamento precisa ser realizado em um meio que ofereça condições de melhor enfrentamento da mencionada situação médica. Em princípio, este ambiente especial é o hospital, que facilita um cuidado mais intensivo ou possibilita a utilização de métodos e instrumentos terapêuticos especiais"
"Tratamento clínico ou cirúrgico – cada um possibilitando o uso de algum método de difícil execução fora do ambiente hospitalar" Respondo e todas as atenções se voltam para mim.
"Exato, senhor..? Me olhava com um olhar interrogativo.
Ela não se lembra de mim?
"Hudson, Lucca Hudson"
"Certo. Sr.Hudson"
Ela continua "A internação deixou de ser um fim, passando em uma minoria de casos a ser um meio para o tratamento mais adequado de alguns aspectos das doenças mentais. Alguém pode me dizer por que?"
Levanto minha mão e Érica faz um sinal com a cabeça para eu continuar."A realidade é que a internação é hoje um instrumento que não raras vezes se torna uma questão de vida ou morte na sua versão mais dramática, ou seja, naquelas situações em que se constata um considerável risco de suicídio"
"Vejo que alguém andou estudando.."
Ela sorri, enquanto todos me encaravam.
"Alguém quer acrescentar algo?"
Uma menina meio gótica começa a falar. Nunca tinha reparado nela. Era bem bonita..e parece ser inteligente também. Interessante.
"Recentemente estas possibilidades ficaram evidentes no trato da questão da dependência química: os usuários podem buscar ajuda de maneira direta o que pode, em determinados casos, exigir seu afastamento do meio por tempo limitado" A gótica termina.
Ela parecia admirar essa profissão tanto quanto eu. Ela falava com paixão na voz, como Érica.
"Bom saber que tem mais gente estudando, não só o Sr.Hudson"
Pergunta o nome dela Érica, pergunta o nome dela, meu subconsciente grita.
Érica não o fez.
"Continuando.."
A aula seguia assim. Uma hora eu respondia, outra hora a menina misteriosa.
O sinal bate e esperamos Érica nos liberar.
"Já estão liberados e ah vocês dois" Ela olha para mim e para a menina gótica "Ganharam pontos comigo"
Enquanto arrumo meu material, a sala fica vazia, deixando eu e Érica a sós.
"A aula foi ótima" Falo enquanto ela arruma sua mesa.
"Obrigado"
"Você esqueceu mesmo o meu nome?" Me aproximo mais.
"Pra falar a verdade não mas a sala não tinha que saber"
Seu olhar era intenso. Ela era intensa.
Se eu parasse mesmo de ver Helena, ela seria uma ótima diversão.
Não creio que estou pensando nisso!
"Certo. Te vejo semana que vem?"
"Claro" Ela responde e passa por mim. Consigo sentir o seu aroma de perfume francês.
Ela estava flertando comigo? Adoro joguinhos. Principalmente os de sedução.
Fiquei ali tentando absorver tudo que havia acontecido nas últimas 24h. Aquela senhora misteriosa que sabia o meu nome, Maggie transando com Nick e Josh apaixonado por Helena.
Depois de tudo isso. Eu realmente precisava beber.
Em instantes já estou em casa me preparando para sair.
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Uma cafajeste
Chick-LitEla sai com pessoas que ela não conhece só para esquecer. Ela é assim, pertence só a quem quer pertencer. Mas talvez ela só quisesse alguém que aquecesse seu coração, não sua cama.