Meu namoro com Helena não poderia estar melhor. Estávamos felizes e fazíamos planos para o futuro mesmo com a relativa pouca idade que tínhamos. Seu pai me considerava membro da família e praticamente todos os dias eu ia a sua casa para visitar Helena.
Meu relacionamento com Helena já durava alguns meses. Minhas visitas a sua casa eram constantes assim como nossas trocas de carinho no sofá sala. As fugas dela para a loja durantes as tardes já não eram necessárias.
Helena começou a fazer aulas de dança e por três vezes durante a semana ela passava o final da tarde e inicio da noite no clube da cidade. Entendia que ela chegava tão cansada que não agüentava me dar atenção, então não a visitava mais nos dias em que ela tivesse aula.
A quarta-feira era um dos dias em que ela se dedicava as suas aulas. Portanto naquele dia planejei sair da loja de bebidas, ir para casa, tomar um banho, comer algo e desenhar até que o sono batesse a minha porta. Mas próximo das seis da tarde, para minha alegria, meus planos foram alterados.
A porta de entrada da loja se abriu e pela fresta da porta do deposito pude ver Helena entrar. Não era surpreendente ela me visitar na loja de bebidas já que era o único lugar onde ela me visitava. Helena e minha mãe se conheceram, mas as piadas ácidas e farpas venenos da parte de minha mãe tornavam a convivência entre elas e as suas visitas à minha casa, impossíveis.
Helena vestia uma blusa justa de tecido elástico e uma saia esvoaçante de cor escura. Trazia pendurada nos ombros uma mochila e uma fita preta segurava seus longos cabelos na parte de trás da cabeça. Era a roupa que ela costuma usar em suas aulas de dança, mas não era ali onde ela devia estar e sim no clube.
Ela esgueirou seu olhar por todo o ambiente me procurando. Conseguiu me ver pela porta entreaberta do deposito e abriu um largo sorriso. Deixou sua mochila sobre o balcão e correu ao meu encontro.
Quando me abraçou senti seu corpo quente e úmido como se tivesse corrido uma maratona. Ela dizia ter saído mais cedo da aula para passar um tempo comigo e me contar uma boa notícia.
O deposito nos fundo da loja não era grande. O único ponto de iluminação era uma lâmpada agarrada ao teto e que quase não emitia luz devido a poeira que se abrigou ao seu redor. A iluminação branda deixava à mostra as pilhas de caixas de bebidas e alguns trapos velhos jogados ao chão.
Eu me sentei sobre uma das caixas e mantive Helena de pé a minha frente. Ela me disse que no dia anterior o pai havia conversado com um amigo e contado sobre minha paixão por desenho, que a essa altura já era de conhecimento de todos. O tal amigo era dono de uma grande empresa de publicidade e propaganda chamada "Arenque comunicações" e mostrou interesse em que eu integrasse a equipe de produção e arte.
Fiquei feliz com o que Helena acabara de me contar. Era uma grande oportunidade, começar a trabalhar em uma empresa de renome. Era ainda mais satisfatório trabalhar em uma área relacionada a algo que eu tanto gostava. Eu não titubeei em afirmar que iria sim conversar com o amigo do pai dela.
Não pude conter minha alegria pelo convite. A felicidade também era evidente em Helena. Entre caixas e garrafas nosso entusiasmo foi selado com um beijo. Não consigo precisar se o calor que sentia vinha do corpo dela ou da sala pequena e sem janelas. O que posso garantir é que o beijo dela tinha uma textura diferente. Era mais apaixonado e intenso. Suas mãos que estavam suavemente pousadas em meus ombros, subiram por meu pescoço e agarraram meu cabelo.
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Entre Lobos e Cordeiros
RomanceEm um inesperado reencontro com um velho amigo, Gabriel recebe um presente que vai fazê-lo reviver cenas de um passado que ele luta para esquecer. Entre as lembranças de intrigas, discussões e desejos latentes surgem questionamentos pertinentes à to...
