Penso que o casamento seja o grande sonho de toda mulher. Um dia único e dedicado quase que totalmente à ela, já que o noivo é mero coadjuvante. Preparar um casamento e cuidar de todos os detalhes pode ser muito cansativo para uma noiva, mas também é um momento de grande felicidade. Durante os preparativos para meu casamento com Diana nunca a vi com um sorriso tao largo no rosto. Ela transbordava de entusiasmo e isso me contagiava de uma maneira indescritível.
Diana cuidou de tudo minuciosamente. Escolheu os arranjos, as cores da decoração, o bolo, repassou por diversas e intermináveis vezes a lista de convidados e se descabelava por pequenos erros que surgissem no cronograma. Tudo estava de acordou com sua vontade, e se tudo estava perfeito para ela também estava perfeito para mim.
Minha única função era cuidar de minha futura esposa para que ela não tivesse um colapso nervoso e carregar caixas com matérias, utensílios, lembrancinhas e afins. Nada mais.
Não consigo expressar em palavras o que estava sentindo. Voce não sabe o que é felicidade ate realmente senti-la. O grande erro das pessoas é se apoiar na velha ilusão de que você precisa achar a sua metade da laranja. Todos se esquecem que já somos inteiros. Não precisamos de outra criatura para sermos completos. Depois que conheci Diana e me apaixonei por ela, meu pensamento a esse respeito não mudou, mas posso dizer de coração aberto e com toda a convicção do mundo que mesmo sendo completos, não existe felicidade maior do que dividir a vida com alguém que se ama.
O dia do casamento chegou como um raio. Os dias escorreram como agua no calendário e a data simplesmente bateu a porta quase de súbito. Tive a impressão que dormi em um dia, quando faltavam três meses para o casamento, e acordei no dia seguinte já na véspera da festa.
Eu me encontrava trajando um terno preto de corte inglês, diante do longo corredor que agora tinha um tapete vermelho cobrindo o piso. Me sentia bem em roupas sociais e esse dia era particularmente especial. Minhas mãos entrelaçadas diante do corpo suavam como se fizesse quarenta graus naquele salao. Esperava tao ansiosamente pela dama de branco que entraria pela porta que o som agudo dos violinos ao fundo não me tranquilizavam em nada, apenas me deixavam mais tenso.
Quando o som dos violinos começou a ser acompanhado pelo som dos violoncelos e do piano, e quando a atenção de todos ali que estavam me olhando com graça se voltou para a entrada do salao, meu coração pulsou tao forte que parecia explodir no peito. Diana estava linda... Como já havia dito varias vezes a ela e não cansava de repetir, ela era uma mulher linda. Mas nesse dia... Sua beleza ultrapassou todas as expectativas. O cabelo preso no alto da cabeça com poucas mexas soltas, o longo e cheio vestido branco como de uma princesa, tudo como ela havia escolhido. Tudo para nossa felicidade.
A cerimonia foi uma grande troca de olhares e sorrisos entre Diana e eu. Parecíamos estar sonhando e não queríamos acordar nunca. Naquele dia nosso amor foi selado e testemunhado por todos.
Após o casamento, durante a festa, pudemos cumprimentar a todos e dar atenção as pessoas que estavam presentes. A lista de convidados foi farta e bastante variada. Os presentes iam desde os amigos mais íntimos, parentes bem próximos e pessoas muito queridas, ate os primos dos primos que moravam à dezenas de quilômetros e que você nem sabia que existiam. Mesmo assim todos foram muito bem recebidos e estávamos muito felizes com a presença de todos.
Entre os convidados que mais se destacavam estava a irreverente tia Alice. Uma senhora de sessenta e tantos anos mas com alma de adolescente. Desconfio que toda família tenha uma tia Alice, a vovó que é mal vista pelos adultos e querida pelos jovens por aprontar tanto quanto eles, mas sem o borbulhar de hormônios inerente a idade. Ela roubava os doces sem se preocupar com seu diabetes. Puxava os rapazes mais jovens e bonitos do lugar para dançar e quando se despediam não se sentia envergonhada em dar um tapinha na bunda deles. As peripécias da tia Alice só foram interrompidas em um momento que eu não vou esquecer jamais...
Ela se aproximou de mim e de Diana. Seu olhar arteiro se tornou doce e compassivo como o de uma mae que ama muito os filhos. Ela nos aproximou como se fosse contar um segredo e disse em um tom bem baixo: "É tradição que no dia do casamento os noivos troquem promessas... Uma promessa feita em um dia tao especial como esse não pode ser quebrada ou desfeita e ficara marcada nos seus coração como quem talha uma pedra... façam suas promessas minhas crianças, e sejam muito felizes..."
Rapidamente tia Alice retornou para suas danças e conversas e eu e Diana nos olhamos com uma mistura de surpresa e carinho. Eu me voltei totalmente para ela e segurei seu rosto. Olhava para a imensidão dos seus olhos e tentava entender como cabia tanto amor em dois corações pulsantes e distintos. Meus olhos marejaram e as palavras escorreram fracas por entre meus lábios: "Eu prometo... que nunca vou te abandonar." Me aproximei e beijei sua testa como se selasse uma carta. Diana deixou uma lagrima escapar, segurou minhas mãos que ainda estavam em seus rosto e me respondeu com a voz embargada: "Eu prometo... que nunca vou te esquecer.". Por um breve momento o mundo deixou de existir. Só restava eu e ela, e nada mais. Um amor eterno, envolto em um laço inquebrável.
Os dias felizes perduraram. Diana era amiga e companheira. Ela parecia ser a única pessoa no mundo que conseguia me entender realmente. Conversávamos sobre tudo e ela sempre entendia meu ponto de vista com carinho mesmo que não fosse o mesmo ponto de vista dela. Passávamos horas ouvindo musicas juntos, assistindo filmes. Ela fazia o máximo para me agradar e eu fazia o máximo para agradá-la. Diana passou a me visitar no escritório e era de grande ajuda, agilizando pequenos afazeres cotidianos do escritório. Quando voltávamos para casa ela cozinha para mim com todo o carinho que tinha e ate nossas brincadeiras infantis geravam gargalhadas. Éramos sinceramente felizes.
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Entre Lobos e Cordeiros
RomanceEm um inesperado reencontro com um velho amigo, Gabriel recebe um presente que vai fazê-lo reviver cenas de um passado que ele luta para esquecer. Entre as lembranças de intrigas, discussões e desejos latentes surgem questionamentos pertinentes à to...
